domingo, 22 de agosto de 2021

Roberto Lage



Texto: ESTADÃO - Morre Roberto Lage, um dos precursores do jiu-jítsu no Brasil


Precursor do jiu-jítsu no Brasil, o Mestre Roberto Lage morreu nesta sexta-feira, aos 71 anos, em São Paulo. A causa da morte não foi revelada. Há alguns anos, o lutador foi vítima de um AVC e precisou reduzir suas atividades físicas ao mínimo. Apesar disso, ainda conseguia dar aulas na Academia KITO, localizada na Vila Leopoldina, zona oeste da capital paulista.

Lage iniciou sua trajetória nas artes marciais pelo judô, quando tinha oito anos. Começou a treinar caratê dez anos depois, até chegar no jiu-jítsu aos 25. Por causa de seu trabalho, ele foi convidado para seminários ao redor do mundo e colaborou com as Forças Armadas em uma base brasileira em São Paulo como técnico de auto-defesa.

No sistema de classificação do judô denominado 'dan', ele pertencia ao 6º nível, enquanto era dono da faixa coral no jiu-jítsu desde 2012, a sétima e maior graduação do alto escalão da arte marcial.

Sendo uma figura importante para a disseminação do esporte em São Paulo, Lage treinou bastante com o Mestre Octávio de Almeida. Depois, se tornou instrutor da luta e formou a Equipe Lage, onde graduou vários faixas-pretas, entre eles Fernando Yamasaki e sua própria filha Patricia Lage, que foi uma das primeiras mulheres a atingir o nível máximo na modalidade.


O Jiu Jiteiro fazia parte de uma linhagem tradicional no esporte. Mitsuyo Maeda, judoca japonês naturalizado brasileiro, foi importante para sua criação no País e é chamado de 'Pai do jiu-jítsu brasileiro'.

Na sequência, veio Carlos Gracie, mestre que auxiliou na criação do sistema de arte marcial no Brasil, junto com seu irmão e aluno, Hélio. A fama da família tem origem em suas contribuições. Após os primeiros Gracie, surge Rickson Gracie e Marcelo Behring, lutador que morreu de forma trágica há 26 anos. Fernando Yamasaki, pupilo de Behring, é o último integrante da linhagem do jiu-jítsu brasileiro.

Conquistas

Jiu Jitsu Brasileiro

• 6x Campeão Paulista (Federação Paulista de Jiu-Jitsu – FPJJ)
• Medalhista de prata no Pan-Americano de 1996

Judô
• 3x Campeão Universitário (Universidade Campos Sales)
• 5x Campeão Paulista (Federação Paulista de Judô)
• 6x Campeão do Torneio 'Beneméritos do Brasil' (Confederação Brasileira de Judô)
• 2x Campeão da Liga Universitária (Faculdade de Educação Física de Santo André)
• 3x Campeão da Olimpíada dos Imigrantes em São Paulo
• Campeão das Forças Armadas (Rio de Janeiro)
• Campeão da Copa 'Banco República' (Uruguai)

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Dia Mundial do Judô - 28 de Outubro de 2019



Texto: Judô Rio
Imagem: Youtube




Uma data para ser celebrada. No dia 28 de outubro, é comemorado o Dia Mundial do Judô.

Este ano, a Federação Internacional de Judô promoveu uma campanha pelo plantio de árvores, em homenagem à data.

A FJERJ não ficou de fora e realizou, no último sábado, dia 26, um evento no Núcleo Norte-Fluminense, em Campos dos Goytacazes. Além do plantio de árvores no canteiro do Automóvel Club, alguns professores da região foram homenageados com um certificado. A ação foi uma iniciativa do professor Orlando Júnior, coordenador do núcleo regional Norte Fluminense.

Estiveram presentes, entre outros, o presidente da FJERJ, Jucinei Costa, e o Sensei Shiro Matsuda, primeiro professor do Automóvel Club e que ministrou uma aula durante a celebração.

“O Dia Mundial do Judô é um dia de mobilização de toda a comunidade. E nada melhor do que celebrar lembrando da importância da preservação do meio ambiente. Precisamos ser parceiros do planeta, respeitar o meio ambiente. Muitos dos valores que a filosofia do judô nos ensina podem e devem ser aplicados no nosso dia-a-dia, para que possamos garantir o futuro das próximas gerações. A FJERJ tem muito orgulho de se engajar nessa campanha da Federação Internacional de Judô e da CBJ”, disse Jucinei Costa.

Além da FJERJ, outras federações e a CBJ aderiram ao movimento. A confederação aproveitou o palco da Seletiva Nacional Sub-18, no último domingo, para plantar vinte sementes de Embaúba com a participação dos atletas da seleção Nathália Brígida, Daniel Cargnin e Alex Pombo, ao lado de 17 crianças da escolinha de judô da equipe local Sogipa.

domingo, 2 de junho de 2019

Judô Limpo, Ética e Fair Play




Além de ser uma das mais prestigiosas e universais disciplinas olímpicas, o judô é mais do que esporte - é também uma ferramenta educacional reconhecida e um estilo de vida enriquecido por um código moral e valores éticos que resistiram firmemente à prova da vida.

Fair Play significa jogo justo, jogar limpo, ter espírito esportivo, em português. Fair Play é uma expressão do inglês que significa modo leal de agir. O conceito de fair play está vinculado à ética na prática do esporte e estabelece certa correlação com espírito esportivo. Mas, no judô, a analogia envolve outros conceitos na relação entre os adversários: a cordialidade e a solidariedade.

Constantemente vemos jornalistas e cronistas esportivos enaltecendo um lance ou atitude de fair play. O conceito de fair play está vinculado à ética na prática esportiva, na qual os praticantes devem buscar vencer atuando de forma despojada e íntegra. Praticantes de todas as modalidades também devem empenhar-se para competir cumprindo as regras de conduta fundamentadas nos padrões éticos, sociais e morais.

Fair play tem uma correlação com espírito esportivo, muito pela influência do marketing e da mídia, que pressionam os atletas por melhores resultados, fazendo com que pensem na vitória a qualquer preço, muitas vezes utilizando meios ilícitos, como o doping, a manipulação genética, processos de naturalização, entre outros, quebrando assim os princípios do jogo limpo.

Devido a esses valores e abordagem ética que estão inscritos no DNA do esporte, a Federação Internacional de Judô está totalmente comprometida em lutar contra qualquer tipo de trapaça. Um esporte limpo e justo é importante para promover uma sociedade melhor, que possa oferecer uma direção na vida das gerações jovens. Respeito, honestidade, autocontrole, amizade, cortesia, honra, coragem e modéstia - os oito valores do código moral do judô são ensinados a todos os judocas desde a primeira vez que entram no dojo. Este código é totalmente incompatível com procedimentos que iriam contra o espírito do esporte.

O judô é e sempre será um bastião contra comportamentos ruins e culposos. Qualquer um que desrespeite os valores do Judô será imediatamente e fortemente sancionado.

O doping não tem lugar dentro do mundo do Judô, nem a manipulação da competição ou a manipulação de resultados.

Mas no judô, modalidade esportiva na qual o praticante depende intrinsecamente de seu oponente, o fair play acaba revelando outros contornos na relação e na cordialidade entre adversários. Isto começa na tradição em que ambos se cumprimentam ou reverenciam, antes e após os combates.

É comum ver árbitros auxiliando atletas lesionados na dura tarefa de arrumar o judogi ou a faixa, no fim dos combates. Em outras ocasiões vemos o próprio adversário que, com a autorização do árbitro, toma a iniciativa de ajudar o oponente que, após o comando de matte, deixa de ser adversário para assumir o papel de colega e até mesmo de amigo.

A verdade é que o judô vai muito além do fair play, inspirando-se nos princípios criados por Jigoro Kano. Neste caso específico é o Jita Kyoei que remete à importância da solidariedade humana para o melhor bem individual e universal. Sensei Kano pregava ainda que a ideia do progresso pessoal devia ligar-se à ajuda ao próximo, pois acreditava que a eficiência e o auxílio aos outros criariam não só um atleta melhor, mas também um ser humano mais completo.


Na verdade Kano Shihan criou dois princípios para nortear a prática dos Judoka, bem como para serem aplicados em aspectos diversos da vida: Seiryoku zenyo e Jita kyoei. O primeiro diz respeito a usar nossa energia de modo mais eficiente, evitando desperdícios ou esforços desnecessários; o que leva ao segundo, que diz que os benefícios que possamos obter e as ações que tomamos devem sempre ter em mente a sociedade como um todo (e não nós mesmos), pois isto cria uma sociedade melhor, o que acabará, por fim, beneficiando a nós mesmos.

domingo, 28 de abril de 2019

Judô Infantil e seus benefícios




O Judô, uma das artes marciais mais conhecidas no mundo, está ganhando cada vez mais espaço entre as crianças, a prática do Judô tem aumentado entre as crianças porque é uma das artes marciais preferidas por elas.

O Judô ajuda as crianças a aumentar suas capacidades físicas e psíquicas e imprimem valores importantes como o companheirismo e o respeito pelos demais. E ainda que as crianças possam sofrer algumas lesões próprias do esporte, o Judô é muito mais do que uma arte marcial. Claro que existem muitas alternativas ao Judô e pode optar por qualquer outro esporte que ache indicado, mas…
O Judô infantil oferece vários benefícios para os pequenos, como o desenvolvimento de habilidades físicas e mentais. É um ótimo esporte para uma criança de 4 a 7 anos começar a praticar, ou até mais tarde (quanto mais cedo melhor) e assim ela poder começar a ter alguns valores que não teria tão rapidamente sem a pratica de um esporte. Quanto mais cedo as crianças tomam contato com essa arte marcial, melhor o seu crescimento como pessoa. Possibilitando o aprendizado de valores e princípios próprios do esporte. Por isso essa prática está sendo cada vez mais incentivada.

Inúmeros são os fatores que conduzem a criança à prática do Judô. Muitas vezes atraídas pelos amigos, outras, por recomendação médica, com o objetivo de corrigir problemas clínicos ou neurológicos; e também incentivadas pelos pais, com o intuito de contribuir na formação da personalidade e na continuidade do processo educacional. Enfim, de qualquer forma, há a certeza de todos de que o Judô é uma das atividades de maior reconhecimento no campo pedagógico para a formação do ser.

Especificamente em idade pré-escolar, as crianças estão descobrindo o mundo, seu corpo e suas capacidades. Nesta idade é muito importante a estimulação psicomotora da criança. Através do Judô a criança pode experimentar movimentos novos e diferentes; pode melhorar a coordenação motora; consegue ter um domínio corporal melhor para executar os movimentos e consegue ampliar o seu "acervo" motor com essas experiencias.
Essa possibilidade de conhecer novos movimentos, melhorar a coordenação e explorar o domínio corporal, tem uma influência direta com aprendizado escolar. Geralmente, crianças com bom domínio corporal, boa imagem motora e que exploram suas habilidades corporais, melhoram a sua autoestima, sua autoconfiança e consequentemente isso reflete positivamente no rendimento escolar.

A faixa etária pré-escolar, que pode chegar até os 7 anos, é a idade em que a criança está mais apta para receber e assimilar os estímulos, tanto motores como intelectuais. Por isso crianças que tem estimulação positiva nesta idade, muito possivelmente, serão adultos com bom desenvolvimento motor, dinâmicos, ponderados, sociáveis, enfim pessoas de bom senso. Além disso, o Judô consegue interferir no caráter do praticante, uma vez que esta arte tem sua filosofia voltada para o bem estar físico, mental e social.

O Judô, apesar de ser um esporte de contato, transmite e ensina muitos valores às crianças: tolerância, motivação, autoestima, educação, companheirismo, solidariedade e trabalho em equipe, atua desta forma como um meio para auxiliar o desenvolvimento das crianças e sua prática deve refletir em casa, na escola e na vida social, possibilitando que seus praticantes tenham uma vida harmoniosa com seus semelhantes. As crianças necessitam de experiências para dominar situações novas, evitando inibições, entraves no desenvolvimento e alterações degenerativas nos neurônios cerebrais.

O Judô traz benefícios para as crianças proporcionando um desenvolvimento físico, psíquico e social de forma integrada, desenvolvendo habilidades e capacidades específicas do aluno, preparando as crianças para uma convivência harmônica em seu ambiente social; estimulando o interesse pela competição sadia; desenvolvendo o educando como um todo. A prática do Judô contribui para o controle muscular, o aperfeiçoamento do reflexo, o desenvolvimento do raciocínio, o equilíbrio mental, o reforço do caráter e da moral, o fortalecimento da autoconfiança e o respeito aos companheiros.


Apesar de ser um esporte de contato, transmite e ensina muitos valores às crianças: tolerância, motivação, autoestima, educação, companheirismo, solidariedade e trabalho em equipe; Desenvolve as habilidades motoras básicas e favorece o desenvolvimento do aparelho motor, uma das regras mais importantes na hora de praticar o Judô é aprender a cair corretamente. Isso evitará muitas lesões durante as aulas e também fora delas; Desenvolve a força, coordenação, velocidade, flexibilidade e equilíbrio, faz com que haja o autoconhecimento e domínio do seu próprio corpo, desenvolvendo o seu poder de autocontrole; Promove a estimulação do pensamento tático. A velocidade do esporte obriga a criança a tomar decisões rápidas e decisivas em diferentes situações que seu oponente a coloca e vice-versa.

Um dos maiores benefícios do Judô para uma criança é a tornar mais sociável e menos tímida. O Judô auxilia àquelas crianças que são extremamente tímidas e tem dificuldade de socialização. Apesar de ser um esporte individual, existe uma grande entreajuda e muitos dos exercícios são executados sempre com um companheiro e assim a criança desenvolve muito mais esse lado social. Apesar de ser uma modalidade individual, o Judô prioriza o trabalho em grupo, a amizade e a disciplina. O Judô, neste caso, deve ser usado como um meio para desenvolver a criança, tendo como objetivo final vencer a timidez e melhorar os relacionamentos.

Outro dos benefícios trazidos pela prática de Judô é a capacidade física e motora da criança. Este esporte é composto por dezenas de técnicas e todas elas são de alguma forma diferentes. A aprendizagem destas técnicas e a tentativa de as executar o melhor possível vai aumentar a destreza da criança obviamente.

A inteligência também é algo que será bastante estimulada. Com a combinação de movimentos e estratégias, o pensamento rápido vai se desenvolver. Nesta fase de crescimento, com qualquer estimulo a criança vai ter um grande desenvolvimento da massa cinzenta e assim ficar mais inteligente e perspicaz.

A prática do Judô acarreta um aumento de responsabilidade e respeito, fazendo com que a criança fique mais paciente e aprenda a respeitar o próximo, algo que quase só acontece no Judô.

A prática de qualquer modalidade esportiva deve ter como finalidade conservar a saúde, melhorar a disciplina e formar o hábito de recrear-se com coisas sadias, fugindo da delinquência e maus costumes, a criança ainda em período de desenvolvimento ósseo, com todos os seus órgãos extremamente vulneráveis, não pode e não deve ser submetida a um treinamento que exija grande esforço físico. O ensino deste esporte não deve ser muito intensivo, nesse período a prática do trabalho físico deve conseguir da criança melhor postura corporal e desenvolver os reflexos que venham equilibrar seus impulsos naturais.
Visto sob o aspecto educativo, o Judô deve restringir-se a uma atividade bem orientada, recreativa-educacional, pois a resistência da estrutura óssea e dos músculos que quase nenhuma força possuem, é fraca e o desenvolvimento mental é lento e não muito regular.


Um grande cuidado se deve ter com a prática, não só desta modalidade, mas de todas, é com a competição precoce. O objetivo maior nesta idade é incentivar e fazer com que a criança tome gosto com atividade física e a modalidade. Por isso é importante que a mesma participe de torneios e festivais, porém os pais e professores não devem incentivar a rivalidade nem cobrar demais o desempenho de seus filhos. O incentivo dos pais e professores após a competição é mais importante que o próprio resultado.

Competitividade saudável não faz mal, mas tenha atenção para não pressionar demais a sua criança com resultados, mesmo que isso ás vezes possa acontecer sem intenção, mostre-lhe que deve ir aprendendo e que com o passar do tempo ele vai ficando cada vez melhor, mesmo que a criança fosse um gênio ela nunca irá ganhar sempre. Perder e aprender a perder e a melhorar com isso é algo que você e o instrutor de Judô devem introduzir no pensamento da criança, faça isso e com o tempo ela vai ficar competitiva, mas de forma saudável, sempre a buscar melhorar, não só no Judô, mas na vida em geral.

Um aprendizado para toda a vida, fundamentado na Psicologia do Desenvolvimento, as aulas de Judô infantil tem por objetivo melhorar a concentração das crianças, proporcionar autoestima, disciplina e saúde com total segurança. Muito mais do que apenas golpes e posições marciais, nesta modalidade se busca fortalecer a relação de amizade entre pais e filhos, formar o caráter e possibilitar que a criança atinja a adolescência com seus princípios morais já formados.
Um ambiente que estimula a tomada de decisões, o espírito em grupo e o companheirismo desde cedo. A criança de hoje, é o formador de opinião de amanhã, por isso a preocupação com sua formação global.

Se alguém empurrar você, puxe-o, se lhe puxarem, empurre-o. Nunca devemos opor resistência a uma força, sempre acompanhá-la e aprender a cair sem se machucar é o bê-a-bá desta luta. (Jigoro Kano)

domingo, 21 de outubro de 2018

Suplementos Alimentares - Malefícios ou Benefícios???




Os adolescentes, ainda mais os nascidos na era digital, querem tudo para ontem. Não é à toa que muitos deles desejam trocar o corpo infantil por uma versão mais musculosa ou definida no menor prazo possível.

O adolescente é invariavelmente vaidoso e quer ficar forte logo, na busca pelo corpão, entram em jogo também os suplementos alimentares. Mas atenção: os shakes podem ser aliados ou inimigos, dependendo da forma como são consumidos.

Pisando na academia, eles são público fácil para os suplementos esportivos, especialmente aqueles que aumentam a massa muscular, caso de whey protein, BCAA, creatina e etc. A pediatra Mônica Moretzsohn, do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), constatou que é muito grande a demanda por esse tipo de produto.

Estudos recentes endossam a constatação da médica. Uma pesquisa realizada em Fortaleza com 85 frequentadores de academia de 18 a 58 anos mostrou que gente abaixo dos 30 é a que mais recorre a suplementos. Quanto mais jovem, maior o apelo da categoria. Mas o que deixa mesmo os especialistas de cabelo em pé é o uso dessas substâncias por conta própria – sendo que, em geral, elas são indicadas a atletas.

Outro levantamento, este feito com 30 adolescentes de Campo Mourão, no Paraná, revelou que um terço deles ingeria suplementos sem orientação. Só 10% ouviram um médico ou nutricionista. O fenômeno, claro, não se restringe ao Brasil. Na Eslovênia, cientistas da Universidade de Liubliana, a mais antiga do país, identificaram um cenário parecido ao avaliar 1.500 jovens de 14 a 19 anos. Dos adeptos da suplementação, 40% não eram acompanhados por profissionais de saúde. Detalhe: 30% se aconselhavam com familiares.


Sem consultar um especialista, o adolescente pode ultrapassar a dose recomendada e combinar substâncias que interagem entre si O estudo paranaense chegou a apontar um dos efeitos desse consumo sem supervisão: falta de carboidratos e excesso de proteína no cardápio.
Temos visto muitos casos de jovens internados para fazer diálise por sobrecarga dos rins em razão do abuso proteico, conta a médica Leda Lotaif, chefe da Nefrologia do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo. Ela ressalta que as complicações surgem em quem já possui predisposição a problemas renais – algo que praticamente ninguém sonha ter.

Há relatos também de espinhas, dor de cabeça, insônia e até agressividade e taquicardia entre usuários dessas substâncias. Como se não bastasse, suplementos com proteína isolada contribuiriam para manifestações alérgicas. Nada disso, porém, foi estudado a fundo. “Faltam pesquisas específicas sobre os efeitos colaterais desses produtos”, Quando se fala em suplemento alimentar, há uma impressão de que ele é mais completo do que o alimento, o que nem sempre é verdade” diz a nutricionista Luciana Rossi, do Centro Integrado de Saúde da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

Pela legislação, suplementos de proteína, como o whey protein, são considerados alimentos e não remédios, o que favorece a venda e o consumo sem critério. Atenta aos riscos disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu revisar as regras na área. O objetivo é tornar o mercado mais seguro – hoje, parte dele está na ilegalidade.

Segundo a Gerência Geral de Alimentos da Anvisa. Há muita divergência de informações entre rótulos de produtos semelhantes, promessas de benefícios sem comprovação científica, itens com problemas de qualidade, já houve casos de adição de anabolizantes em algumas marcas.

Ainda que as normas fiquem mais claras, não devem dispensar a visita ao médico ou nutricionista. Para adolescentes, o recado é especialmente importante. Quem pula essa etapa corre o risco de apresentar um desequilíbrio nutricional, o que compromete o desenvolvimento ósseo e muscular. Os riscos disso vão desde alterações hormonais e sexuais até cardiopatia e câncer.

Mas, afinal, com supervisão médica, quando meninos e meninas realmente tiram proveito dos suplementos? A verdade é que esse tipo de produto só faria sentido para quem está iniciando uma carreira como atleta. A princípio, a suplementação é contraindicada para adolescentes saudáveis que já seguem uma alimentação balanceada.



Segundo a pediatra Mônica, da SBP, montar o prato com mais zelo já auxiliaria o organismo no ganho de massa muscular. Em termos de proteína, por exemplo, dois filés de frango ao dia são suficientes para quem está em fase de crescimento. “A conta é, em média, de 1 grama de proteína para cada quilo de peso. Um filé de frango tem cerca de 20 gramas do nutriente. Logo, uma porção no almoço e outra no jantar estão adequadas para um adolescente com 40 quilos”, Ela cita o caso do badalado whey protein, trata-se da proteína do leite isolada. Ou seja, o leite em si já contém essa mesma proteína e ainda gordura, cálcio e outros componentes necessários ao organismo”, justifica. Para quem está em franco desenvolvimento, o melhor conselho a ser dado envolve bom senso, paciência e alguns copos de leite, ovos e bifes.
Ao começar os treinos, o jovem pode, com orientação, aumentar as porções e reforçar a ingestão de calorias e outros nutrientes, como carboidratos, cálcio e ferro .


Apesar de uma alimentação adequada (hipercalórica + hiperproteica), uma suplementação específica (Creatina, Beta-alanina, BCAA, whey protein…) e uma atividade física direcionada, muitas vezes existe uma grande dificuldade de se conseguir uma hipertrofia muscular adequada. Existem causas endocrinológicas (alterações da hipófise, adrenal, tireóide, ovários, testículos, pancreáticas…), sistêmicas (alterações renais, gastrointestinais, hepáticas…), infecciosas, inflamatórias e medicamentosas (antidepressivos, corticoides, anti-inflamatórios, anticoncepcionais…) que interferem no processo de anabolismo muscular.
Procure sempre um endocrinologista para uma avaliação mais especializada.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Sokuteiki - Você sabe o que é e como é usado?




O Sokuteiki é o instrumento oficial de medição e controle da Federação Intenacional de Judô, é uma espécie de gabarito que usado pelos árbitros para verificarem as medidas dos kimonos antes do atletas adentrarem a área de competição. As normas atuais exigem que o tamanho das mangas, da espessura da gola, do transpasse do kimono, do tamanho da faixa além do espaço da calça medida na altura do joelho atendam as normas internacionais da Federação Internacional e com essa única peça é possível fazer todas as medições necessárias.

a Federação Internacional afim de garantir um nível de igualdade entre todos os atletas e de reforçar as dimensões e medidas do judogi de acordo com os regulamentos, a partir de 1 de janeiro de 2009, adotou um novo procedimento de controle e aprovou o uso do dispositivo de controle SOKUTEIKI.

Em todos os eventos da Federação Internacional, nas áreas de aquecimento deverão ter dispositivos SOKUTEIKI disponíveis, em número suficiente, para permitir que os competidores verifiquem seu próprio Judogi antes de entrar na área de competição. Após a entrada na área de competição, cada competidor será responsável pela conformidade do seu judogi com o regulamento internacional.

Como é usado:




Em caso de dúvida, o árbitro no tatami pode conferir o judogi dos atletas usando o dispositivo SOKUTEIKI. Se o judogi examinado não estiver em conformidade com o regulamento e o árbitro verificar que as dimensões estão fora do padrão deve penalizar o atleta com a desclassificação e declarar a respectiva vitória para o oponente.

Fiquem atentos ao comprarem novos judogis, eles podem apresentar as medidas corretas porém é necessário prestar atenção na proporção do encolhimento após a terceira lavagem o que pode comprometer as suas medidas. Fique atento na hora de comprar seu próximo judogi e exija garantia.

E lembre-se, diminuir o judogi é fácil (qualquer costureira faz), difícil é fazer aumentar as medidas.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Os Perigos do Doping


Baseado em diversos artigos encontrados na internet.

O doping (ou dopagem) não é mais que um termo inglês que designa o uso de drogas ou substâncias que aumentam as capacidades físicas de atletas desportivos. O doping pode também ser considerado como o uso de certas técnicas ou métodos que alteram o estado físico do desportista para aumentar o seu rendimento desportivo (não devemos, no entanto confundir doping com treino físico rigoroso). Também é considerado doping o uso de substâncias que disfarçam outras substâncias dopantes, como é o caso dos diuréticos.
Existem também métodos de administrar substâncias e de manipular o perfil fisiológico que são proibidos. Estes métodos podem causar danos ao organismo. Por exemplo: Doping sanguíneo, incluindo transfusão de sangue visando alterar o fluxo de oxigênio no organismo pode resultar num elevado risco de ter uma parada cardíaca, infarto, problemas renais e elevada pressão sanguínea, pode acarretar problemas com o sangue, tal como: infecções, intoxicações, excesso de glóbulos vermelhos, redução do número de plaquetas e causar problemas com o sistema circulatório.
Tal como qualquer droga injetável, o uso de seringas para a dopagem aumenta bastante o risco de contrair doenças infecciosas como Aids e hepatites.
É obrigação de cada atleta conhecer a lista de substâncias e métodos proibidos, quando um atleta é descoberto no teste antidoping não é admissível as afirmações: “eu não sabia”, “culpa do remédio”, “o médico indicou” e por ai vai, na tentativa de minimizar a penalidade.

Este assunto e a lista podem ser consultados em qualquer destes sites:
Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem – ABCD
US Anti-Doping Agency – USADA
Autoridade Antidopagem de Portugal - ADoP

Grande parte dos medicamentos que constam da lista de substâncias proibidas podem ser adquiridas nas farmácias, e não é seguro usá-los. Os medicamentos são para pessoas com problemas específicos de saúde e não para atletas saudáveis. Não foram feitos para serem usados por pessoas jovens e saudáveis em doses elevadas e em combinação com outras substâncias. Todo os medicamentos têm efeitos colaterais entretanto, tomá-los sem necessidade pode provocar sérios danos ao organismo e destruir a sua carreira atlética.

Muito cuidado com os suplementos alimentares, as indústrias de suplementos não são devidamente controladas, isso significa que nunca se sabe ao certo o que se está tomando, pode haver substância proibida em qualquer suplemento que se diz natural. DICA: se lhe parecer demasiado bom - é provável que seja proibido!

As drogas e substâncias dopantes encontradas podem ser divididas em vários grupos e classes:

Esteróides Anabolizantes - são as drogas mais utilizadas no desporto de alta competição, especialmente nos desportos que necessitam grande força física e consequentemente, grande força muscular, possuem basicamente duas funções no organismo: a função androgênica e a função anabolizante. A função androgênica dos esteróides é responsável pelo desenvolvimento dos caracteres sexuais masculinos, nomeadamente o crescimento da barba, pêlos púbicos, engrossamento da voz, desenvolvimento do pênis e testículos, enfim, responsável pelas características denominadas masculinas. Depois, temos a outra função dos esteróides, a função anabólica: esta é responsável pelo desenvolvimento da massa muscular e massa óssea. Este é o efeito mais procurado pelos atletas, o efeito anabolizante, e é por isso que se tentam criar esteróides que maximizam o efeito anabólico, mas que reduzem o efeito androgênico, pois desta maneira as células dos músculos serão as principais receptores dos esteróides, não sendo estes “desperdiçados” com outros órgãos que tenham receptores para o efeito androgênico do esteróide (maximizando assim o seu efeito de aumento muscular).
Os esteróides anabolizantes são altamente proibidos na maior parte do desporto, pois dão uma vantagem, muitas vezes decisiva, aos atletas que utilizam este tipo de doping, contrariando a igualdade desportiva e a própria máxima do Barão de Courbertin (principal responsável pelos jogos olímpicos da era moderna), que dizia que o importante no desporto é a competição e não a procura desenfreada por resultados. Este tipo de drogas pode ser tomado oralmente ou através de injeções, sendo geralmente injetados em vez de consumidos oralmente. Quando tomados oralmente, os esteróides passam pelo fígado, no qual sofre um processo de Alcalinilização, processo esse extremamente prejudicial ao fígado.
Os esteroides podem tornar os teus músculos mais volumosos e proporcionarem mais força, mas... podem te tornar dependente deles e originar acne, fazer cair o cabelo, aumentar o risco de contrair doenças de fígado e cardiovasculares, originar mudanças de humor, tornar mais agressivo, originar tendências suicidas.
Nos rapazes, pode provocar: encolhimento dos testículos, desenvolvimento de seios e redução da potência sexual e até mesmo causar impotência.
Nas moças, pode provocar: Voz grossa, pelos excessivos na face e no corpo, ciclos menstruais anormais e aumento do volume do clitóris.

Estimulantes - são substâncias que estimulam e aceleram a atividade cerebral, o que faz com que a resposta nervosa seja mais rápida, aumento a atividade dos atletas e diminuindo o seu cansaço. O uso de estimulantes é muito frequente entre os atletas (é o mais frequente depois do consumo de esteróides) que tomam drogas como anfetaminas, estricnina, cafeína ou até mesmo cocaína, para reduzirem o cansaço e aumentarem a sua resposta cerebral. Os estimulantes podem ser tomados por via oral, em pó, através da inspiração nasal, injeções e podem mesmo ser fumados.
Este tipo de drogas é proibido numa grande variedade de esportes e atualmente pensa-se que já existe consumo de estimulantes nervosos em esportes como o xadrez, que requer uma grande atividade cerebral durante torneios de vários dias. Estas drogas são proibidas, pois dão uma vantagem injusta aqueles que as usam (pois o sistema nervoso está muito mais ativo) e, além disso, podem também ter outras consequências para a saúde, pois estes aumentam a pressão arterial, podem fazer com que o atleta emagreça, o uso contínuo pode destruir células nervosas (a hiperatividade contínua provoca a sua destruição), pode provocar insônias, euforia, alterações de comportamento, tremores, respiração acelerada, confusão cerebral, ritmo cardíaco acelerado e irregular. Possibilidade de sofrer uma parada cardíaca ou derrame cerebral e overdoses quando tomados em excesso.

Analgésicos, calmantes e narcóticos (metadona, petidina, heroína, morfina e a cocaína, entre outros) - frequentemente usados em quase todos os esportes fisicamente exigentes e que podem ter como efeito, reduzir a dor de certas lesões ou atividades, fazendo com que o atleta aguente mais tempo e aguente mais dor, aumentando a sua resistência natural, sendo por isso muito utilizado em esportes como a maratona e o triatlo (fisicamente muito exigentes).
Este grupo (analgésicos, calmantes e narcóticos) apresentam perigos para o organismo, pois o seu uso visando reduzir a dor pode fazer com que um atleta agrave uma lesão, podem levar também à fragilização do sistema imunológico, redução do ritmo cardíaco, perda de equilíbrio e coordenação, problemas gastrointestinais (náuseas, vômitos e constipação), insônias e depressão, diminuição da frequência cardíaca e ritmo respiratório e diminuição da capacidade de concentração, além de que Os narcóticos são também altamente viciantes – O organismo e memória facilmente se tornam dependente deles.
Estão ainda proibidas nas competições todo o tipo de narcóticos estupefacientes e ainda drogas antiestrogênicas, drogas que se destinam a inibir a produção destes hormônios.
A maconha (canabis, marijuana, seja qual for a designação), haxixe e similares, estão banidas. Quer seja um viciado ou utilizador casual, essas drogas podem ter efeitos negativos no rendimento como atleta e na saúde, o seu uso pode reduzir a capacidade da memória, atenção e motivação, e até mesmo causar dificuldades de aprendizagem, fragilizar o sistema imunológico, Afetar os pulmões (bronquite crônica) e outras doenças respiratórias e até, mesmo, câncer de garganta.

Beta-bloqueadores (acebutolol, alprenolol, atenolol, labetolol, metipranolol, pindolol, etc.) - são utilizados no esporte de uma forma semelhante ao analgésico, pois também ajudam a combater o nervosismo, stress e ansiedade. Estas drogas atuam nomeadamente no coração, diminuindo o ritmo cardíaco.
Esta função é altamente proveitosa para certos esportes de alta precisão, sendo por isso proibida em esportes como o tiro ao alvo, tiro com arco, bilhar, xadrez, natação sincronizada. O consumo é perigoso, pois a diminuição do ritmo cardíaco pode provar hipotensão (tensão arterial baixa) e pode mesmo provocar paradas cardíacas. Pode também provocar asma, hipoglicemia (falta de glicose no sangue), insônias e impotência sexual.

Hormônios peptídicos - possuem diversas funções. Uma das suas principais funções é a fixação peptídica, isto é, estes hormônios ajudam os músculos nas suas reações anabólicas, ajudando a fixar os aminoácidos necessários para a construção destes. Existem vários tipos de hormônios peptídicos, e com diversas funções, de entre as quais se destacam:
a) O Eritropoietina, também denominada de EPO. Este hormônio, que existe no nosso organismo, estimula a produção de glóbulos vermelhos, aumentando assim a resistência do atleta (pois os músculos são fornecidos com uma maior quantidade de oxigênio). O uso de EPO pode tornar o teu sangue mais denso ao invés de mais líquido. A tentativa de bombear este sangue viscoso através das veias pode fazer se sentir fraco, o que não é bom se estiver treinando intensamente e elevar a pressão arterial.
b) O HCG, um hormônio produzida pelo feto durante a gravidez, é também usada pelos homens para aumentar a produção de esteróides no organismo. Existem também mulheres que engravidam, pois o HCG faz aumentar as concentrações de hormônios femininos e com tais concentrações ditas “naturais” muitas outras drogas dopantes que podem existir em certas concentrações são disfarçadas. Depois do teste de controle, as atletas abortam.
c) O HC, hormônio do crescimento, tal como o nome indica é produzido em grande quantidade durante a puberdade e permite o crescimento dos indivíduos, é também usado na construção e recuperação de tecidos musculares. O HGH pode tornar os músculos mais fortes e fazer você se recuperar rapidamente, mas... Não são apenas os seus músculos que crescem, o uso de HGH pode provocar acromegalia (saliência da testa, sobrancelhas, crânio e maxilar – um efeito que não pode ser revertido), aumento do tamanho do coração resultando na elevação da pressão arterial e até mesmo numa parada cardíaca, danos no fígado, na tiroide e ao nível da visão e ainda provoca artrites.
d) O LH, hormônio que existe naturalmente no nosso organismo, é usado para estimular a produção de testosterona nos testículos.
O uso destas drogas pode provocar deformações ósseas, distúrbios hormonais, miopia, hipertensão, coágulos sanguíneos, diabetes, doenças articulares.
A utilização de hormônios não peptídicos está também proibida quando apresentam estrutura e função semelhante aos peptídicos.

Agentes Mascarantes ou Diuréticos - Este tipo de substâncias tem como função aumentar a quantidade de urina produzida para camuflar os sinais de substâncias proibidas, o que leva a alterações no controle, já que a maior parte das substâncias são consideradas ilegais quando detectada em concentrações elevadas. Ao aumentar a quantidade de urina, as concentrações de substâncias dopantes vão diminuir, não podendo por isso serem consideradas dopantes abaixo de certos níveis. Além desta função, os diuréticos são também usados para perda de peso, nomeadamente em esportes divididos por categorias de peso ou até mesmo de forma a que certas substâncias (nomeadamente dopantes) sejam expulsas rapidamente do organismo. Os principais diuréticos usados são o triantereno e a furosemida. Como efeitos secundários prejudiciais, os diuréticos podem causar tonturas ou mesmo desmaios, perda da coordenação, equilíbrio desorientação, mudança de humor, desidratação, câimbras (cãibras), doenças renais, perda de sais minerais, alterações no volume do sangue e no ritmo cardíaco. Se os problemas cardíacos e renais tornarem-se muito graves. Os efeitos colaterais podem afetar definitivamente a habilidade de treinamento e competitiva e podem mesmo levar à morte do atleta.
Beta-agonistas - são drogas que se destinam a aumentar a massa muscular e diminuir a massa gorda. Uma droga beta-agonista muito conhecida é a adrenalina, que existe naturalmente no nosso organismo e que é libertada quando estamos sujeitos a situações de grande tensão (é por isso que, quando ameaçados ou em perigo, o homem consegue faz certas proezas ou utilizar certa força que normalmente não conseguiria usar). Este grupo de drogas é conhecido pela sua capacidade de controlar a distribuição de fibras musculares e de aumentar o ritmo cardíaco, aumentando o fluxo de sangue para músculos e cérebro. Como efeito secundário prejudiciais tem o aparecimento de insônias, agressividade, tremores e náuseas, falta de concentração, distúrbios psíquicos, aumento da pressão arterial, problemas cardiovasculares.

Antes de experimentar e usar, pare para pensar e lembre-se! Você é o único responsável por suas escolhas.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Judô - Benefício Para Epilépticos


Baseado nos artigos: Judô e epilepsia - Douglas Vieira (1) e Epilepsia e decisão Medico-desportiva - Drs. Jorge Ruivo e Anabela Valadas (2)

O judô é um esporte tradicional, popular e praticado por indivíduos de diferentes raças, origens, faixas etárias e classes sociais que teve sua origem quando o Professor Jigoro Kano procurou sistematizar as técnicas de uma arte marcial japonesa, conhecida como Jujitsu, fundamentando sua prática em princípios filosóficos bem definidos, a fim de torná-la um meio eficaz para o aprimoramento do físico, do intelecto e do caráter, num processo de aperfeiçoamento do ser humano.

Jigoro Kano transformou a arte marcial do antigo Jujitsu no Judô, em que através do treinamento dos métodos de ataque e defesa pode-se adquirir qualidades mais favoráveis à vida do homem sob três aspectos: condicionamento físico, espírito de luta e atitude moral autêntica.

Além disso, uma questão de extrema importância também foi criteriosamente estudada e desenvolvida por Jigoro Kano. Quando na preparação para o lançamento do seu estilo de luta, o Professor Kano deu especial atenção para a integridade física do atleta. Dentro de seu ideal de luta esportiva, Kano procurou eliminar as técnicas perigosas e na impossibilidade de eliminar as quedas, consequência natural dos golpes de arremesso, aperfeiçoou técnicas que praticamente anulam as possibilidades de acidentes. A prática do ukemi (quedas ou formas de cair ou de ser projetado) proporciona aos judocas um excelente senso de equilíbrio e proteção, mesmo para uma queda fora do tatame que, por pior que seja, terá seus efeitos diminuídos ou anulados.

Até o momento, nenhum estudo na literatura abordou com exatidão a relação entre epilepsia e a prática de judô.

O termo epilepsia refere-se a um distúrbio da atividade cerebral caracterizada pela ocorrência periódica e espontânea de crises epilépticas, decorrentes da descarga excessiva e sincronizada da rede neuronal, acompanhada de manifestações comportamentais. Essas crises podem surgir espontaneamente ou ser desencadeadas por situações como: febre, distúrbio eletrolítico, intoxicação, doenças degenerativas e alterações vasculares. A epilepsia não é, portanto, uma doença específica ou uma única síndrome, ela representa um grupo complexo de distúrbios decorrentes de funções cerebrais alteradas que podem ser secundárias a um grande número de processos patológicos.

Apesar da crescente promoção do exercício físico e do esporte num contexto terapêutico, a sua adoção a nível de subpopulações clínicas é heterogênea. São poucos os doentes epilépticos que incorporam exercícios físicos na sua rotina diária, apesar dos seus benefícios. Muitas vezes tal fato deve-se a restrição (indevida) médica ou dos pais, o que condiciona uma menor aptidão física por parte destes indivíduos. Durante muitos anos houve a tendência para desencorajar os epilépticos da prática de exercícios físicos por receio que este pudesse exacerbar a doença. Atualmente existem estudos que demonstram que o indivíduo epiléptico, com um bom controle das crises, pode participar em esportes sem aumentar a frequência ou gravidade das crises epilépticas, ou mesmo se beneficiar de um melhor controle da sua doença. O resumo da evidência científica que se faz em seguida pretende contribuir para o passo mais importante: a individualização da decisão médico-desportiva após análise dos riscos/benefícios A maior parte dos estudos apontam para a diminuição de crises com a prática regular de exercícios físicos conferindo um efeito protetor aos pacientes com epilepsia. No primeiro estudo no qual avaliaram o efeito de um programa de atividade física com uma duração de 12 semanas em 14 pacientes com epilepsia foi verificado que o exercício moderado influenciou positivamente o comportamento dos pacientes e não apresentou impacto sobre a frequência de crises dos mesmos, sugerindo que a prática de atividade física deve ser incentivada para os indivíduos com epilepsia. Em outro estudo, o grupo de pesquisa do autor (1) avaliou os hábitos esportivos de 100 pacientes com epilepsia e constatou que, apesar dos indivíduos com epilepsia não praticarem atividade física regularmente, a grande maioria acredita que a atividade física influencia positivamente o tratamento da epilepsia. Além disso, salientamos que entre as modalidades esportivas praticadas com maior frequência pelos indivíduos com epilepsia destaca-se o futebol, a natação, a ginástica, o vôlei e a bicicleta. Dessa forma, acreditamos que os pacientes com epilepsia (com controle total de crises, com ou sem o uso de medicação antiepiléptica) devem ser encorajados pelos seus médicos neurologistas à prática do judô, pois além de poderem apresentar uma significativa melhora cognitiva, a prática deste esporte também poderá auxiliar favoravelmente o controle desta síndrome neurológica.

Apesar do efeito favorável da atividade física sobre a saúde ser inquestionável, programas de exercício físico para indivíduos com epilepsia é ainda assunto de controvérsia. Uma atitude superprotetora em relação às pessoas com epilepsia normalmente evita sua participação em atividades esportivas. Esta relutância dos indivíduos com epilepsia e de seus familiares é devida, em parte, pelo medo de que o exercício poderá causar crises ou pelo receio de ocorrência de lesões durante o exercício. Dessa forma, a principal preocupação das pessoas com epilepsia em relação ao exercício físico resume-se na possibilidade deste atuar como fator indutor de crises ou aumentar a frequência das mesmas após o início de um programa de treinamento físico. As crises podem ocorrer durante o exercício, no entanto, com uma frequência bastante reduzida ou em casos específicos. Nesse sentido, indivíduos com epilepsia podem ter os mesmos benefícios de um programa de treinamento físico que qualquer outra pessoa: aumento da capacidade aeróbia máxima, aumento da capacidade de trabalho, frequência cardíaca reduzida para um mesmo nível de esforço, redução de peso com redução de gordura corporal e aumento da autoestima.

A maioria dos esportes são seguros para os epilépticos. As atividades aeróbias, como corrida, ciclismo, basquetebol, podem ser recomendadas sem restrições. Os esportes de contato, como por exemplo o boxe não induzem crises e a sua participação não deve ser restringida. Curiosamente, relatos recentes indicam que a participação em artes marciais como o judô podem inclusive ser benéficas para o controle da doença Pelo fato de se encontrar um efeito positivo nos estudos experimentais e clínicos que avaliaram o efeito do exercício físico nas epilepsias, a atividade física em geral não deve ser considerada um fator indutor de crises epilépticas. Além da discussão sobre a influência da atividade física na frequência de crises, conhecendo que a atividade física proporciona efeitos benéficos tanto físicos quanto psicológicos em pessoas com epilepsia, parece justificável encorajar as pessoas com epilepsia a participarem de um programa de exercício físico regular, dentre os quais o judô se inclui. Obviamente que uma série de estudos ainda deve ser realizado com o intuito de esclarecer com maior exatidão a relação entre atividade física e epilepsia. No entanto, o médico neurologista deve sempre oferecer ao paciente as possibilidades existentes de tratamento e informá-los de uma forma precisa, coerente e baseada na literatura médica atualizada sobre a possibilidade ou não da prática de atividade física. Finalmente, com relação ao judô, a decisão final deverá ocorrer após um consenso entre as partes envolvidas, isto é, o médico, o sensei (professor de judô), o paciente e seus familiares.

(1) Douglas Vieira, vice-campeão olímpico em Los Angeles 1984 e técnico da seleção Sub 20 feminina, obteve um 2009 o título de mestre com a tese "Conhecimento sobre epilepsia entre estudantes de educação física na cidade de São Paulo. O programa de mestrado foi feito em Neurologia/Neurociências da Universidade Federação de São Paulo, Escola Paulista de Medicina, com a orientação do Professor Doutor Ricardo Mario Arida e coorientado pelo Professor Doutor Fulvio Alexandre Scorza.
(2) Departamento de medicina desportiva, Clinica das Conchas, Serviço de Medicina, Centro Hospitalar Lisboa Norte, Serviço de Neurologia, Hospital de São Bernardo, Setubal, Portugal.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Massao Shinohara



Condecorado com a Ordem do Sol Nascente e promovido a 10º Dan de Judô

O mestre Massao Shinohara, judoca de 92 anos, filho de imigrantes japoneses criado em Embu das Artes, São Paulo, começou a praticar judô em 1940, aos 15 anos. Sua forma de lutar chamou a atenção de Ryuzo Ogawa, um dos grandes mestres de judô do Brasil, com quem passou a treinar em São Paulo até se tornar professor.

Em 1956, fundou a Associação de Judô Vila Sônia numa garagem alugada e conciliava as aulas com o trabalho de transportador de legumes. Com a ajuda do amigo Jorge Tatsumi e dos pais de seus alunos, angariou recursos para comprar um terreno maior e construiu sozinho o que é hoje o atual dojô da Associação de Judô Vila Sônia, fundado em 1986.

Massao, um dos maiores senseis formadores de faixas pretas de judô no Brasil e mentor de grandes nomes do judô nacional como Aurélio Miguel, Luis Onmura, Carlos Honorato, Cristhiane Parmigiano, entre outros, formou grandes faixas pretas brasileiros, entre eles seu próprio filho, Luiz Shinohara, técnico da seleção masculina do Brasil desde 2002.

Foi técnico da seleção brasileira de judô nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984, onde Douglas Vieira conquistou a prata, além de Luiz Onmura e Walter Carmona que conquistaram o bronze. Em sua trajetória como professor.

Massao Shinohara foi homenageado pelo Consulado Geral do Japão em São Paulo no dia 14 de novembro deste ano, recebendo a “Ordem do Sol Nascente – Raios de Prata”, a segunda maior honraria outorgada pelo governo japonês. Estabelecida em 1875 pelo Imperador Meiji, a condecoração é, tradicionalmente, entregue em nome do Imperador àqueles que prestaram longos e meritórios serviços ao país, sendo destinada a civis, militares, japoneses e estrangeiros.

O senhor Massao Shinohara, como professor de judô, atuou durante longos anos na difusão do judô e na capacitação de sucessores, formando muitos medalhistas e contribuindo grandiosamente para o fortalecimento do Judô no Brasil. O fato do Brasil ser hoje conhecido no Judô seguramente se deve aos esforços do senhor Shinohara", destacou o cônsul-geral do Japão, Takahiro Nakamae. 

O mestre do judô nacional, entrou para a história do esporte brasileiro na noite do dia 17 de novembro último ao receber a faixa vermelha 10º Dan, em cerimônia realizada na sua Associação de Judô Vila Sônia, em São Paulo. O 10º Dan é o grau mais alto que um judoca pode alcançar e Massao é o primeiro do Brasil a ostentar esse título. Em clima de harmonia e festa, o acolhedor dojô da Vila Sônia recebeu familiares, amigos, alunos, ex-alunos, professores kodanshas, medalhistas olímpicos, como Aurélio Miguel, Rogério Sampaio, Carlos Honorato, Luiz Onmura, Henrique Guimarães, Rafael Silva “Baby”, Leandro Guilheiro e autoridades, como o presidente da CBJ, Silvio Acácio Borges, e o presidente da Federação Paulista de Judô, Alessandro Puglia, responsáveis por entregar o diploma e a faixa ao sensei Massao.

“É preciso sempre reverenciar Massao Shinohara por sua conduta e pelo que ele representa para o judô brasileiro. Sua história está escrita em cada um de seus alunos, de seus amigos e de sua família. Só me resta agradecer por poder participar desse grande momento do judô nacional, realizando a merecida outorga de 10º Dan ao sensei Massao Shinohara”, pontuou Silvio Acácio.

“Foi um trabalho árduo em busca desse reconhecimento ao sensei Massao Shinohara, que formou diversos atletas aqui neste dojô e transformou o judô de São Paulo. É um momento histórico para um mestre incontestável”, afirmou Puglia.

O primeiro campeão olímpico do judô brasileiro e aluno forjado pelo rigor e técnica de Shinohara, Aurélio Miguel foi o responsável por falar em nome de todos os alunos e pelo kampai, o brinde em homenagem ao mestre.

“Nós, alunos do sensei Massao, tivemos a oportunidade de aprender judô aqui na Vila Sônia. Sensei Massao sempre nos ensinou com muita disciplina e buscava sempre resgatar o verdadeiro judô. É um exemplo, uma inspiração para todos nós. O judô brasileiro está em festa”, resumiu o campeão.

Foto: Everton Monteiro/Boletim Osotogari

sábado, 21 de outubro de 2017

Sensei e Shiran



SENSEI
Não há termo mais utilizado e, possivelmente, menos entendido do que o termo japonês Sensei.

A sua utilização indiscriminada com infinitos significados no meio das Artes Marciais ensinadas no ocidente, confere-lhe um status místico-transcendente, elevando o seu "usuário" a um patamar acima dos demais mortais, sem que, de fato, seja real merecedor.

A palavra Sensei, quando escrita em japonês, é composta por duas ideias distintas:
SEN (Saki) - "antes, à frente, precedente, prévio, etc."
SEI (Umareru) - "viver, nascer"

Conclui-se que Sensei literalmente significa "Aquele que nasceu/viveu antes (de mim)" e, consequentemente, implica "ser mais velho", "ter mais experiência".
Contudo, a condição de "ser mais velho" em determinada área de atividade pode ser atingida por meio de educação, conhecimento efetivo sobre determinada matéria, profissão e também por idade, no Japão é extremamente comum referirmo-nos às pessoas mais velhas, devido ao respeito que temos por elas, pela designação Sensei. Neste mesmo contexto, dentro da sociedade japonesa, certas pessoas com status social definido como médicos, advogados, professores, etc. frequentemente são chamados de Sensei, praticamente da mesma forma como são usadas as expressões: "doutor", "engenheiro" e assim por diante.

Isso leva-nos à questão da palavra Sensei utilizada dentro das Artes Marciais praticadas nos dias de hoje. Em primeiro lugar, e que isso fique bem claro, ter uma faixa preta, não faz de ninguém um Sensei, e, por isso, é errado e completamente fora de contexto obrigar os alunos a tratarem os faixas pretas por esta denominação.

Vejamos um exemplo prático: uma pessoa, com uma certa idade, com família para sustentar e que é 2º ou 1º Kyû, ser obrigado a tratar um faixa preta, mais jovem que ele, pela denominação Sensei. É ir muito além do que este termo representa e é uma falha grosseira de etiqueta tradicional japonesa (onde os mais jovens devem respeitar aos mais velhos).

Assim, quem seria um Sensei dentro das Artes Marciais ensinadas no ocidente?
A denominação Sensei é, em grande parte, uma medida de comparação entre indivíduos que possuem uma arte em comum e, neste aspecto, define o respeito que ambas têm entre si. O grau de conhecimento da cultura japonesa determina a utilização do termo dentro do círculo restrito de conhecimentos interno (independentemente das faixas ou graduações que possuam).

Isto já não é válido para elementos de Artes Marciais diferentes, onde não se pode determinar com precisão o conhecimentos dos outros indivíduos ou sermos capazes de dizer definitivamente se este ou aquele nasceu antes de uma outra pessoa. Assim sendo, o termo Sensei não pode ser usado neste contexto sob pena de cair no erro de "subestimar" ou "superestimar" o conhecimento real de determinado indivíduo que provém de fora do círculo de conhecimento interpessoal.

Contudo, uma vez que as Artes Marciais Japonesas são um guia de comportamento baseado nos ensinamentos de condutas marciais Japonesas, onde a humildade, simplicidade, retidão e o "não apego ao ego" são fatores determinantes, vê-se a cada dia que passa um crescente número de indivíduos que se apresentam como "Sensei, tal Dan de tal Arte". Tal comportamento apenas demonstra a falta de conhecimento por parte destas pessoas no que diz respeito ao significado real desta palavra e vai diretamente contra os ensinamentos básicos de humildade e simplicidade ensinados em qualquer Arte Marcial Japonesa, pois o esforço deve ser feito na compreensão da Arte, seja ela qual for, e não no acúmulo de títulos, por pura vaidade.

Desta forma, um melhor entendimento do termo em questão, uma melhor compreensão de condutas culturais estabelecidas pela prática das Artes Marciais e uma maior reflexão sobre o verdadeiro significado da palavra "humildade" talvez mudassem este panorama caótico do uso da palavra Sensei.

SHIHAN
Esta palavra também é composta por duas duas ideias:
SHI - "professor, mestre ou pessoa de caráter exemplar"
HAN - "bom exemplo".

Assim, usado de modo tradicional, Shihan é um termo de tratamento dirigido a pessoas a quem se vê como um exemplo a ser seguido.

Atualmente tende-se a pensar que a função de um professor é comunicar informações a seus alunos, porém, o uso tradicional do termo shihan está ligado a um modelo mais antigo de instrução. Nesse modelo, as pessoas que querem aprender uma atividade ou arte ligam-se a um mestre, a que devem observar e imitar. Desse modo, recebem ensinamentos gerais sobre como conduzir suas vidas bem como ensinamentos mais específicos relacionados à técnica de sua arte. Há (diz-se às vezes) uma "transmissão de coração para coração" da arte do mestre ao aluno – uma transmissão que não pode ser realizada a menos que este esteja em contato direto com o mestre.

Empregado para significar mestre, o termo Shihan é simplesmente uma forma respeitosa de tratamento. Em geral, seria endereçado apenas àqueles com grande conhecimento, habilidade, experiência, e habilidade para ensinar – e ainda somente se tivessem vivido vidas exemplares. Ainda assim seria um erro exigir uma definição precisa desse termo de tratamento, assim como seria um absurdo perguntar quantos anos um ceramista teria de exercer a prática de sua profissão antes de poder ser chamado de mestre ceramista.

Shihan é um título normalmente usado em artes marciais. Cada arte ou organização tem requerimentos diferentes para o uso deste título, mas em geral é uma graduação muito alta, que leva décadas para ser atingida. É às vezes associado a certos direitos, como por exemplo o de outorgar graduações DAN em nome da organização.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Senpai e Kõhai



A sociedade japonesa é um tipo de sociedade muito marcada pela hierarquia, Senpai e Kõhai são termos usados na cultura japonesa e são formas de tratamento baseadas no status decidido com base na idade, importância, cargo ou tempo ao qual o indivíduo pertence a uma organização. No Japão se pode encontrar este sistema em praticamente qualquer nível da sociedade, desde a educação, passando pelo trabalho e pelas artes marciais, sobretudo. Senpai é aproximadamente equivalente ao conceito ocidental de “veterano” enquanto kõhai não possui uma tradução certa, mas de um modo geral tem um significado equivalente a “calouro”, embora não implique uma relação tão forte quanto significa no Ocidente.

O sistema Senpai e Kõhai é simples. Entre duas pessoas que habitualmente passam muito tempo juntas num mesmo local, naturalmente uma delas é o mentor (Senpai) e a outra o aprendiz (Kõhai). Na maioria das vezes o Senpai é a pessoa de maior idade e o Kõhai o mais jovem. De forma simples, Senpai é utilizado para se referir a uma pessoa mais velha e experiente, um mentor ou sênior. Já kouhai é uma pessoa mais nova, novata ou inexperiente. Ninguém se sente ofendido ao ser chamado de Kouhai, ao contrario, existe uma grande relação entre os 2.

O Senpai tem a função de passar a experiência que ganhou por estar mais tempo neste local, advertir e aconselhar para que o Kõhai possa progredir mais e melhor. Por outro lado o Kõhai deve guardar respeito a seu Senpai e acatar aquilo que ele lhe disser ou aconselhar.

Senpai não é a pessoa que ensina, doutrina ou que guia os Kõhais, pois este é o papel de um Sensei. A obrigação de Senpai é muito difícil, pois além de coordenar tarefas mais complexas e com mais responsabilidades do que as do kõhai, deve ser um exemplo em todos os aspectos possíveis, para mostrar aos Kõhais qual a postura que deve ser adotada. O Senpai deve possuir habilidades técnicas e de postura que inspirem seus Kõhais a fazer o mesmo.
O Senpai é um estudante sênior (designado pelo Sensei) que se torna responsável por um ou mais Kohâis (estudantes) para ensinar-lhes as informações básicas sobre o Ryû ou escola. Frequentemente esta relação é conhecida como "irmão mais velho / irmão mais novo" dentro do Japão tradicional e deveria ser feito de idêntica maneira dentro das escolas de Artes Marciais.

Num clube de desporto ou artes marciais japonesas, como numa academia de Judô ou uma equipe de baseball, é esperado do Kōhai a execução de tarefas simples para o clube como lavar roupas e limpar equipamentos. Mais do que uma simples divisão de respeito, esta relação estabelece obrigações mútuas. Do Kōhai espera-se o respeito ao seu Senpai, enquanto do Senpai espera-se que este seja um exemplo para o Kōhai.

Há algum tempo, um judoca perguntou como é o tratamento quando ocorre deles serem de mesmo nível, idade e estar pelo mesmo tempo no mesmo lugar, neste caso, os japoneses se chamam por seu nome ou utilizam outros sufixos mais próprios do idioma e não do sistema Senpai e Kõhai (como por exemplo: -Chan, -Kun, -San, etc.) Em outros casos tendem a adicionar no final do nome o sufixo Senpai. Por outro lado, um Senpai se dirige a seu Kõhai por seu nome sem utilizar nenhum tipo de sufixo.

Normalmente não há separação certa de idade entre um kōhai e um Senpai. Mas alunos mais velhos que os do primeiro ano também usam este termo. Esta hierarquia pode continuar depois de saírem da escola, empresa ou organização. Isto é válido particularmente quando haja eventos para reuni-los, tais como a ida para outra escola, empresa, equipe ou simplesmente em momentos de lazer. Em ocasiões mais raras, uma pessoa mais jovem também pode ser considerada Senpai de uma pessoa mais velha, caso a pessoa mais velha tenha entrado depois do mais novo em qualquer organização.

Nas artes marciais japonesas, o termo Senpai geralmente se refere a alunos de um nível mais elevado. Eles são escolhidos para ajudar o sensei com os alunos mais jovens ou menos experientes. A figura do Senpai não é formalizada, ou seja, não é algo obrigatório em dojos. Existem dojos que têm essa figura e outros que não. O Senpai é uma espécie de monitor da turma e deve ser respeitado porque tem a confiança do Sensei, conduz a saudação dos alunos no início e no final das aulas, conduz as aulas quando o Sensei não está presente, faz cumprir as regras do dojo. O Senpai é o elo de ligação entre os alunos e o Sensei, pegando as perguntas, dúvidas, solicitações, reclamações ou observações transmitindo-as para o Sensei. Ser Senpai é uma honra e um privilégio, mas também é uma responsabilidade e um compromisso que nem todos estão preparados para carregar nos seus ombros.

Por esta abordagem, o sistema Senpai e Kõhai parece ser boa ideia, um sistema muito bom. O problema é que, como na maioria das ideias utópicas, muitas vezes o significado original é distorcido. Já foi visto o sistema Senpai e Kõhai bem aplicado, mas na maioria das vezes não é tão bem aplicado, especialmente em escolas, faculdades e universidades, onde normalmente começa a aplicação deste sistema, os Senpais querem tirar proveito de sua condição e muitas vezes maltratam seus Kõhais, se esquecendo daquela parte que diz: proteger e ser exemplo.

Geralmente, se um Kõhai não foi bem tratado pelo seu Senpai, tentará dar o mesmo tratamento quando ele próprio for um Senpai. Ao se tornarem veteranos ao invés se sentirem orgulhosos e fazerem seu máximo para ajudar os novatos que chegarem, passam a achar que podem dar o mesmo tratamento que receberam, fazendo com que a história se repita várias vezes, jogando por terra a aplicação do sistema.

sábado, 9 de setembro de 2017

Judô: O tatami - Agora é mole... Mas já foi dureza



Normalmente em português escrevemos e falamos tatame, mas a escrita e a pronúncia correta é tatami. Este termo deriva do verbo tatamu, que significa dobrar ou empilhar, muito provavelmente porque no início, os tatames eram um piso que caso não estivesse em uso poderia ser dobrado ou empilhado. O tatame (esteira) é um elemento chave da decoração nipônica. Faz parte da milenar cultura japonesa o ato de sentar e/ou deitar diretamente no chão em cima de esteiras. No início a palavra tatami era designada para descrever os objetos dobráveis ou os usados para aumentar a espessura para as pessoas poderem se acomodar em cima.

Sua origem remonta a era primitiva quando os japoneses tinham o hábito de trançar vegetais nativos. Os camponeses costumavam usar muitos trançados feitos com palha de arroz, pois era um material abundante nos campos de cultivo. Os trançados feitos com um junco chamado igusa, uma planta usada na confecção de têxteis no Japão há pelo menos dois mil anos, que por ter uma superfície lisa, resistência, flexibilidade e comprimento ganharam destaque na sociedade antiga e passaram a ser utilizados nas cerimonias religiosas e por nobres, inclusive eles começaram a ser chamados de goza, lugar de sentar, sendo destinados para os deuses e cerimonias antigas.

Foi a partir do período Heian (794-1192), que o tatami começou a tomar a forma conhecida nos dias de hoje. Naquela época as casa dos nobres tinham muitos aposentos e os tatamis (feitos de palhas de arroz firmemente atadas e cobertas com uma fina esteira de igusa) eram colocados sobre o assoalho de madeira nos locais onde eram necessários assentos. Eles ainda não eram utilizados para forrar todo o piso.
Mas só a partir do período Muromachi (1336–1573) os tatamis que originalmente eram um item de luxo exclusivo da nobreza, gradualmente tornaram-se acessíveis e comuns em todas as casas, principalmente também pela popularização da Cerimônia do Chá.

Um tatami tradicional japonês é feito basicamente de três componentes:
Tatami-omote – é o tecido da superfície, capa tecida de Igusa (Juncus Effusus) que é uma planta aquática que cresce melhor na parte sul do Japão,
    
Tatami-doko – é o núcleo, base feita comumente de palha de arroz compactada, pois esta oferece um perfeito grau de firmeza e também é muito durável,
Tatami-beri - é a borda decorativa de acabamento feita de seda, linho ou algodão e que corre ao longo da parte mais comprida. Além de dar o toque de requinte à peça, serve para prender o núcleo à superfície de esteira. No passado, o design multicolorido e atraente expressava o status social de uma família ou a posição social de um individuo na sociedade.
Na época em que Jigoro Kano treinava, os tatamis eram exatamente assim. Hoje em dia, um tatame desses custa uma pequena fortuna por aqui no Brasil, tornando absurdamente custoso manter um dojô de um tamanho razoável. Além da difícil manutenção, tem também o fato de que a palha da esteira dava algumas queimaduras se friccionada contra a pele. Ralar a cara na palha lutando não devia ser um negócio legal.

Aqui no Brasil, quem é mais antigo no judô, deve se lembrar de tatamis confeccionados também com núcleo de palha de arroz, mas recobertos com tecido (lona), no lugar da esteira de igusa. mas segundo os mais experientes, os tatames oficiais eram assim por aqui desde a década de 60.

Os tatamis oficiais de hoje são fabricados na medida de 2x1m com espessura de 40 mm de espuma de alta densidade, constituída de grânulos de poliuretano de 8mm aglutinados com adesivo especial com resistência a compressão de 600 a 400kg/cm², recobertos com uma lona de vinil com textura efeito palha natural com tecido de reforço de poliéster, especial para a pratica desportiva. que imita a textura do igusa no tatami tradicional. Algo parecido com isto, numa visão recortada:
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Já nos dojôs locais, era comum até não muito tempo atrás, o tatame todo ser uma grande área cujo núcleo era feito com raspas de pneu e coberto com uma lona. Ainda existem muitos dojôs de raspa de pneu com certeza.

Atualmente a grande utilização é o tatami fabricado com EVA, (é a sigla de acetato-vinilo de etileno que deriva do inglês: Ethylene Vinyl Acetate ou etileno acetato de vinila). Essa espuma sintética é produzida a partir de seu copolímero termoplástico. O baixo custo de produção deste material o torna muito útil para diversas aplicações, inclusive para a fabricação de tatamis, é uma resina termoplástica derivada do petróleo especialmente desenvolvida para absorção de impactos com ótima memória de retorno, atóxico, resistente a água, revestido com película siliconada antiderrapante, garantindo maior segurança e facilidade na limpeza.

Os tatamis de EVA. são fabricado em placas de 1x1m e 2x1m e apesar de serem apresentados em espessuras de 10mm a 40mm, os recomendados para prática de judô têm no mínimo 30mm de espessura para melhor absorção de impacto e costumam já ter os encaixes tipo “quebra-cabeças” pra facilitar a montagem e ficar com mais firmeza. Embora este material seja relativamente barato e prático, infelizmente não possui uma vida útil muito longa se não for muito bem cuidado. Se for montado e desmontado em todo treino com certeza não vai durar muito. A reclamação de quem utiliza os tatamis de EVA. é que não possuem uma rigidez adequada para que as quedas do judô sejam executadas da melhor forma. Eles têm muito rebote, isto é, você “quica” muito quando cai. Outra coisa que incomoda, é que eles também não oferecem um deslize fluido para o tsuri ashi, o passo arrastado do judoca.

Se você pratica katás num tatami desses, deve saber do que está sendo comentado aqui, mas apesar de tudo, se tem uma coisa que se possa falar com toda convicção sobre qualquer tipo de tatami é que, sem eles, praticar judô seria no mínimo, muito mais doloroso!

quarta-feira, 15 de março de 2017

Judô: A Faixa feminina


O comitê executivo da Federação Japonesa de Judô anunciou nesta data, 13 de março de 2017, nova regulamentação e aboliu a faixa preta feminina com uma listra branca usada em competições internas na terra do judô para diferenciar homens e mulheres no tatame. A partir de agora, tanto homens, quanto mulheres usarão a faixa preta normal, sem listra, nos torneios domésticos, como já acontece nas competições da Federação Internacional de Judô.

A prática de diferenciação de gênero pelo uniforme vem há muito tempo sendo criticada como uma medida sexista. A própria Federação Internacional de Judô aboliu a faixa listrada em 1999 em competições internacionais.

Antigamente as faixas femininas possuíam uma tira branca no meio da faixa no sentido longitudinal para diferençá-las das faixas masculinas, não se sabe ao certo qual a utilidade desse método, mas em algumas escolas japonesas, ainda hoje, se vê essa tradição.

    
Pesquisando um pouco sobre isso, encontrei um pouco sobre o assunto no capítulo II do livro “Mulheres no Tatame: O judô feminino no Brasil”, escrito por Gabriela Conceição de Souza e Ludmila Mourão, o qual reproduzo abaixo:

...Jigoro Kano respeitava os limites e os valores de sua cultura, que pregava ideias como: “As mulheres não são feitas para lutar, e sim, para procriar”; esta ideia também existia no Ocidente. Entretanto, Kano, como educador, questionava esses valores e se interessava em desenvolver uma arte que não tivesse cunho violento e, portanto, não pudesse pôr em risco as condições físicas das mulheres, caso essa fragilidade realmente existisse, ou sobrecarregar seus corpos. Além disso, acreditava que a suavidade e a delicadeza que a cultura feminina trazia para as lutas configuravam-se como características importantes para aquilo que considerava o ideal do espirito judoístico. Partindo desse principio, Kano dá início às aulas de judô para mulheres em sua própria casa (Sugai e Tsujimoto, 2000). Por outro lado, as diferentes características do treinamento feminino e do masculino eram representadas inclusive na vestimenta própria do judô. O quimono utilizado para a prática da luta era o mesmo para ambos os sexos. Entretanto, ao longo da faixa feminina, longitudinalmente, deveria haver uma lista branca, que não existia nas faixas masculinas (Kano, 1994)...

... A primeira aluna do mestre Jigoro Kano foi Sueko Ashiya, em 1893, mas também participavam das aulas a esposa de Kano, Sumako, e algumas amigas (Sugai e Tsujimoto, 2000)...

...Somente em 1926, Jigoro Kano criou uma equipe só de mulheres na escola Koubun Gakuin, em Tóquio – a JoshiBu -, e a primeira mulher faixa preta foi Kozaki Kanoko, em 1933, cuja faixa apresentava a listra branca no meio para diferençá-la das faixas masculinas...

No Brasil não há notícia do uso da listra branca na faixa de judô, se houve já caiu em desuso há muito tempo.


Vamos falar mais um pouquinho sobre faixa de judô:

Por que não se lava a faixa do judô? Essa pergunta quando feita traz respostas das mais variadas, como pelo fato dela desbotar, superstição, etc.

Desbotar é sempre possível, dependendo da qualidade da faixa e a forma de lavagem e em termos de superstição, não se pode lavar porque a faixa demonstra todo seu conhecimento e lavando ele vai embora junto com a água (depois de mais velhos nós sabemos que isso não existe, mas para as crianças funciona bem).

Entretanto, a origem desta tradição tem uma explicação até lógica. Durante muito tempo, no Japão só existiam duas cores de faixa: branca ou preta. No intervalo entre uma e outra não havia como fazer a distinção entre alunos mais graduados e menos graduados. Ou melhor, havia, o judô nessa época era praticado no chão duro, muitas vezes na terra, sendo que, quanto mais suja a faixa, significava que o aluno treinava há mais tempo. Lavar a faixa então representaria um retrocesso.

O aluno só passava da faixa branca quando esta literalmente estava marrom de sujeira, a faixa marrom então significava que o aluno já treinou tanto, que ela ficou daquela cor.

Com o passar do tempo, foi introduzida então mais uma cor de faixa e a escolha da cor é óbvia: a marrom. Até hoje no Japão só existem essas três cores de faixa: a faixa branca japonesa que corresponde até aos quatro primeiros graus brasileiros (branco, azul, amarelo e laranja), a faixa marrom que corresponde aos nossos três graus seguintes (verde, roxo e marrom) e a preta que corresponde igualmente à nossa preta.

A origem das faixas coloridas, bem como, o significado das cores particulares, ainda é encoberta de mistérios, e pode permanecer perdida na história. Embora não tenha deixado nenhuma razão registrada para as várias cores usadas, o Dr. Kano deixou alguns indícios. De acordo com sua doutrina filosófica, não há limites para as melhorias e para o progresso que se pode ter no seu treinamento de judô. Assim, o Dr. Kano acreditou que se alguém conseguisse um estágio mais elevado do que o décimo dan, retornaria consequentemente à faixa branca, terminando desse modo o círculo completo do judô, como o ciclo da vida.

No caso desta eventualidade, deve-se salientar que o Kodokan decidiu que a faixa usada por tal pessoa deveria ser aproximadamente duas vezes mais larga que a faixa comum, para impedir que os novatos confundissem o significado. Até agora, o Dr. Kano é a única pessoa com a graduação de décimo segundo dan e com o título de Shihan.

Eventualmente, a habilidade ou o nível do judoca vieram a ser denotados pelas faixas coloridas usadas em torno da cintura com o judogi. No Japão, as faixas brancas são geralmente usadas por todas as graduações de kyu, embora algumas escolas usem também a faixa marrom para indicar os níveis mais elevados do kyu. As faixas azul, amarela, alaranjada, verde, e roxa, usadas pelos níveis intermediários do kyu tiveram origem na Europa e foram importadas para o sistema dos Estados Unidos durante o início dos anos 50.

As faixas pretas são tradicionalmente usadas pelos praticantes competitivamente graduados, primeiro dan (shodan) até o quinto dan (godan). Uma faixa vermelha e branca é usada pelos níveis merecidos pelo serviço prestado ao judo, sexto dan (rokudan) até o oitavo dan (hachidan), e as faixas inteiramente vermelhas são reservadas para o nono dan (kudan) e o décimo dan (judan).