quinta-feira, 24 de março de 2016

Dopping no Judô - Vale a Pena?




É com muita tristeza que vemos no nosso dia a dia, jovens utilizando de forma nociva o uso de doping e participando de competições estaduais, tirando de forma traiçoeira a possibilidade de atletas conseguirem resultados que os levem a uma disputa de um Campeonato Brasileiro e a competições internacionais, é extremamente incompreensiva a passividade dos treinadores que pela busca de resultados, passam a ser coniventes com o doping ficando alienados e não se preocupando com a mudança física, psicológica e intelectual do atleta.

É sabido que para ser um bom atleta, é exigida muita dedicação, disciplina e responsabilidade. Levar o esporte a sério traz resultados positivos para quem almeja a vitória. Em contrapartida, atletas buscam “remedinhos milagrosos” para se manterem de pé, com o físico sempre preparado para um grande desafio, mas esquecem dos efeitos colaterais que esses remédios podem trazer.

O uso de medicamentos por alguns atletas, além de trazerem riscos à saúde, é antiético, pois nesse caso, não há igualdade de condições entre os atletas.

O uso ilícito de substâncias, medicamentos e hormônios, como artifício para ganhar competições esportivas é muito antigo. Já nos Jogos Olímpicos da Grécia, cerca de três séculos antes de Cristo, havia uma regulamentação para evitar que os competidores tivessem o baço arrancado. Acreditava-se que com o esforço físico dos maratonistas, este órgão poderia endurecer e prejudicar o resultado. Os antigos jogos olímpicos foram extintos no quarto século da Era Cristã, devido à influência de políticos e ricos egoístas que introduziram a corrupção, até que o imperador Teodósio os abolisse.

O doping é o uso ou a administração ilícita de qualquer droga ou medicamento estimulante ou estupefaciente com vistas a suprimir temporariamente a fadiga, aumentar ou diminuir a velocidade, melhorar ou piorar o desempenho dos atletas durante uma competição.

Ao longo dos anos, esse tipo de artimanha tem se sofisticado. Ao mesmo tempo em que as substâncias e os fármacos são aprimorados para passarem despercebidos nos exames de urina e de sangue feitos nos atletas, os próprios métodos de detecção também se sofisticam.

Assim, é difícil haver dúvida nos resultados, ainda que algumas substâncias sejam parecidas com as produzidas pelo corpo humano. "As mulheres, por exemplo, também produzem hormônios masculinos, porém, em pequenas quantidades. Quando elas usam esteróides para aumentar a força muscular, os exames detectam a quantidade de hormônio artificial no corpo, porque a excreção na urina é diferente da natural".

Os exames antidoping são caros e proporcionam facilidade de falsificação, além de exigirem laboratórios muito bem equipados, com tecnologia de ponta e de elevada especificidade.

Os hormônios que provocam o crescimento humano, a inseminação artificial seguida de aborto e a substituição da urina fazem parte do esquema de alguns atletas para driblarem os testes e melhorar seu desempenho nos jogos. Algumas são inseminadas artificialmente antes de abortarem dois ou três meses depois, para tirarem proveito de um perceptível aumento de hormônios.

O que complica para determinar se um atleta usou ou não doping, é que muitos trocam a urina a ser examinada pela de outra pessoa, sem resquícios dos medicamentos ou drogas. Por isso, os comitês esportivos internacionais agora também pedem DNA da urina, quando necessário.

Outros introduzem em si próprios por cateter a urina isenta de drogas de outrem. Após uma lavagem para retirar o máximo de sua própria urina dopada. A urina "pura" é bombeada para a bexiga antes da competição, de modo que o atleta consiga passar a salvo pelo teste de drogas.

O doping sanguíneo é um processo pelo qual o atleta retira parte dos glóbulos vermelhos, os quais o corpo substitui naturalmente e, então, antes da competição, ele repõe o sangue retirado para proporcionar aos músculos uma dose extra de oxigênio.

Para o doping não deixar traços, muitos atletas deixam de usar as drogas no período de competição, mas já foram "beneficiados" por seus efeitos. "Agora alguns campeonatos começam a realizar os testes ainda no período de treinamento para evitar isso".

A dificuldade em combater o doping se dá também porque praticamente todas as substâncias utilizadas são de uso médico, vendidas com receitas controladas. "Um paciente com câncer, por exemplo, usa hormônios para recuperar a força muscular". Isso significa que por trás do doping, há sempre alguém que está descumprindo a lei e vendendo esses medicamentos sem o controle médico devido.

A pioneira nas punições por uso de doping foi a Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF). Em 1928 a Associação baniu os primeiros atletas por doping.

A comissão médica do comitê olímpico internacional instituiu durante os jogos olímpicos do México (1968) a aplicação de testes anti-doping sistemáticos, decidindo que seriam excluídos dos jogos os atletas comprovadamente dopados.

Em Caracas, na Venezuela, em 1983, 15 atletas foram impedidos de participar devido aos esteróides.

A Olimpíada de 1984 é a dos vexames, pela cassação das medalhas.

No torneio de pista de campo Classe Mundial, em Zurique, na Suiça, em 1987, metade dos 28 atletas escalados para participar nas competições de força, lançamento de peso, de martelo, de dardo e disco faltaram, após tomarem conhecimento da realização obrigatória dos testes para esteróides.

Na olimpiada de 1988 foram descobertos precisamente 10 casos de doping.

Mais de 20 jogadores de futebol americano de diversas temporadas foram impedidos de jogar: 75% a 90% de todos os atletas usavam esteróides. É uma proporção epidêmica.

Em 1999 foi fundada a World Anti-Doping Agency (WADA), para o combate da prática do doping pelos atletas. Essa Agência Mundial criou um código mundial anti-doping (CMAD), que é utilizado pela maioria das Federações Internacionais e pelo Comitê Olímpico Internacional.


Atualmente, existe uma lista de medicamentos proibidos. Essas drogas são agrupadas nas seguintes classes:
Estimulantes – agem direto sobre o sistema nervoso central, fazendo o mesmo efeito da adrenalina. As substâncias são: pseudoefedrina, efedrina, anfetamina, cocaína e cafeína.
Analgésicos Narcóticos - atuam no sistema nervoso central, diminuindo a sensação de dor. As substâncias são: morfina, codeína, propoxifeno, petidina.
Agentes anabólicos – agem aumentando o tamanho dos músculos.
Diuréticos – atua aumentando a produção e a excreção, causando a perda de peso. São usados também para o mascaramento de doping. As substâncias são: triantereno, hidroclorotiazínicos, furosemide.
Betabloqueadores - agem diminuindo a pressão arterial e ajudam a manter estáveis as mãos do atleta. É usado em competições como o tiro. As substâncias são: propranolol e atenol.
Hormônios peptídeos e análogos - aumentam o volume e a potência dos músculos. As substâncias são: Hormônio do crescimento, eritropoetina, corticotropina.

Essas substâncias são consideradas dopantes, de forma qualitativa e não quantitativa, ou seja, não se considera a quantidade, mas sim o que aparece, mesmo porque os métodos laboratoriais de detecção não chegam a um resultado 100% conclusivo para se determinar a razão do uso do medicamento-tratamento ou dopagem.

Dentre os variados sintomas estão: a elevação da pressão arterial, a freqüência cardíaca e o medo do atleta diminuem, e há a aceleração do metabolismo das células. Efeitos colaterais não faltam: tonturas, dores de cabeça, insônia, mal estar, cansaço fácil e, principalmente a dependência da droga, que quase sempre evolui para drogas mais potentes e mais perigosas. Muitas vezes, os efeitos são mais psicológicos do que fisiológicos.


Entretanto, os atletas no desespero de melhora rápida da massa e da força, e na incessante luta por melhorar seus recordes, acabam por usar doses elevadas, algumas vezes com exagero sem sentido. Em certos casos, as doses são tão altas que os músculos acabam ficando refratários a qualquer hipertrofia.

O Controle Antidoping é feito da seguinte forma, o atleta pode ser chamado para o controle em qualquer momento e também qualquer lugar, tanto antes como depois da competição.

O atleta é informado por uma equipe, que passará pelo exame, e pode se hidratar e descansar dentro de um posto da estação de Controle de Doping.

Então o atleta se identifica, e escolhe qual embalagem irá coletar a urina, selecionada a embalagem o atleta é acompanhado por um oficial da equipe de controle de doping, do mesmo sexo, lava as mãos e realiza o exame com a presença do oficial.

Depois volta, até a sala de processamento e escolhe outros potes, o atleta divide a urina em dois potes, o pote A contendo 2/3 de urina e pote B contendo 1/3 de urina, o atleta fecha os potes e termina a sua participação no exame.

Os potes são organizados em uma caixa de isopor para serem enviados para o laboratório, o atleta verifica junto com o fiscal o formulário e assina.

Os Métodos de Identificação são:
Cromatografia - é uma técnica quantitativa que tem por finalidade geral a identificação de substâncias, a separação e a purificação de misturas.
Cromatografia gasosa - é um tipo comum de cromatografia usada em química orgânica para separação de compostos que podem ser vaporizados sem decomposição.
Espectrometria de massa - é um método para identificar as diferentes moléculas que compõem uma substância.
Gravimetria - consiste na análise quantitativa que permite saber a quantidade de uma substância em determinada mistura.

Como o doping é mais comum em competições importantes, geralmente internacionais, os envolvidos são esportistas de muita experiência. "Dificilmente um atleta desse nível profissional não sabe que as substâncias são ilícitas, especialmente porque a maioria delas é injetável e é preciso a concordância dele para a aplicação. Por isso, não se pode culpar somente os treinadores".

Analisando criteriosamente os mais recentes casos de doping envolvendo atletas brasileiros de alto rendimento, a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBME) vem a público externar a sua preocupação e reiterar algumas recomendações:
1 - O atleta de alto rendimento, que está sujeito a controle anti-doping durante competições ou a controle anti-doping fora de competição, deve manter sempre o máximo cuidado em relação às substâncias que ingere, pois será responsabilizado pelas que porventura venham a ser detectadas;
2 - Diversos medicamentos habitualmente utilizados para o tratamento das mais diferentes condições clínicas fazem parte da Lista de Substâncias Proibidas da Agência Mundial Anti-Doping;
3 - O médico especialista em Medicina do Exercício e do Esporte é o profissional mais indicado para orientar o atleta de alto rendimento, para evitar a ingestão involuntária de alguma substância proibida;
4 - O atleta de alto rendimento, desde que bem orientado e assessorado pelo seu treinador, pelo seu nutricionista, pelo seu fisioterapeuta e pelo especialista em Medicina do Exercício e do Esporte, entre outros profissionais que compõem a equipe multidisciplinar, não necessita de substâncias ilícitas ou outros subterfúgios obscuros para atingir o seu limite geneticamente estabelecido, em termos de desempenho;
5 - A promoção e a preservação da saúde na prática do exercício ou do esporte; e o conceito de “jogo limpo” são princípios incondicionalmente defendidos pela SBME.

Com todas essas informações, já podemos chegar à conclusão que remédio algum faz você chegar ao topo da competição, pelo contrário, o rumo ao título estará cada vez mais distante e a sua derrota estará cada vez mais perto. E vocês o que acham do doping, será que uma alimentação saudável, uma boa preparação física e um acompanhamento nutricional já não resolveriam?

Judô: Entenda o Combate


Esta postagem é um breve guia introdutório para tornar fácil a compreensão de torneios de judô e é dirigida aos iniciantes, pais e espectadores em geral.


Numa competição deve haver um ou dois placares para mostrar o ponto imediatamente, isto é necessário para auxiliar e orientar os mesários, o árbitro e os espectadores.
Apesar de haver placares modernos, eletrônicos ou não, que mostram a duração do combate, nome dos competidores e outras informações.
Na realidade, basicamente o placar deve registrar para cada competidor a quantidade de Waza-aris, de Yukos e de Shidôs. A quantidade de Ippons não é necessária pois só pode haver um Ippon e se ele ocorrer o combate termina.

A marcação da pontuação é feita de forma que se possa verificar o ganhador pela marcação de valor mais alto. Porque em Judô é sempre a pontuação mais alta que ganha, a pontuação é feita de tal forma que deve ser lida da esquerda para a direita como um número, onde a primeira casa marca o Waza-ari sendo representado como dezena e a segunda casa marca os Yukos que representam as unidades, neste momento a quantidade de Shidôs não importa, só terá importância no caso de valores iguais (empate), quando a menor quantidade de Shidôs decide o vencedor.
Na imagem acima, o placar nos mostra para os competidores "Azul" e "Branco" a quantidade de "W" (Waza-ari), de "Y" (Yuko) e de "S" (Shidô), e como exemplo, mostra a vitória do competidor azul por 10 a 1.

Em uma competição oficial de judô (Shiai) são atribuídas aos competidores cores diferentes de kimono (Judogui), a cor que ele veste é definida por sua posição na classificação da competição, que pode mudar a cada rodada, cor azul para o primeiro competidor e para o segundo competidor branco ou cru. Normalmente, é obrigatório que o competidor disponha de Kimonos nas duas cores, um Judogui reserva deve ser levado pelos treinadores para junto da área de competição. Em competições não oficiais quando os competidores estiverem com a mesma cor de kimono e de faixa (Obi) é atribuída a um deles uma faixa de cor diferente (faixa diacrítica) para ser usada além da sua, tornando-os diferente e facilitando o árbitro durante o combate.

Os competidores se dirigirão pelas laterais, ao centro da área de combate, permanecendo na zona se segurança, em seus respectivos lugares, segundo a ordem de chamada, o primeiro chamado ficará à direita do árbitro central, quando avançarão até as suas marcas de início de combate, essas marcas deverão estar a cerca de 4 metros uma da outra, onde devem fazer a saudação, simultaneamente, entre si, dar um passo à frente, com o pé esquerdo. Quando o árbitro anunciará o início do combate (Hajime). O combate começará sempre na posição de pé.

Na competição de Judô o objetivo máximo é projetar o adversário, de modo que ele caia batendo com as costas no chão, marcando um Ippon (um ponto). Uma vez que tal pontuação é obtida, o árbitro levanta o braço com a mão espalmada para a frente e anunciará "Ippon, Soremade!" e a competição termina.

sinalização de Ippon.

Um Ippon pode ser marcado por uma das seguintes formas:
A execução de uma técnica de projeção hábil que resulte num golpe perfeito. Com o oponente sendo projetado ao solo e tocando com grande parte de suas costas o tatame, com uma força ou velocidade considerável ou a Imobilização do oponente (Osaekomi), no inicio da imobilização o árbitro apontará com o seu braço estendido, palma da mão virada para baixo, de frente para os competidores e inclinando o corpo para a frente na direção deles fazendo com que comece a contagem de tempo. Se a imobilização durar 20 segundos, será declarado Ippon.

sinalização de Osaekomi

Ou ainda, aplicando uma chave de braço ou um estrangulamento eficaz, geralmente isto não se aplica para crianças de idade inferior a 15 anos.
É também declarado Ippon se houver desistência durante o combate por um dos competidores, batendo duas ou mais vezes com a mão ou pé ou disser "maitta" (desisto), ou houver a desclassificação por violar as regras (Hansoku-make), essa desclassificação ocorre quando há uma violação muito séria ou por quatro violações mais leves, chamadas Shidôs.

Como nem sempre se consegue executar uma técnica perfeita, foram criadas pontuações de menor valor, mas de igual importância numa luta: o Waza-ari e o Yuko.

O Waza-ari (meio ponto), pode ser obtido pela execução de uma técnica de projeção que não é um golpe perfeito, como por exemplo: as costas do oponente toca parcialmente o tatame, com menos força ou velocidade do que o necessário. Ocorrendo, o árbitro levantará um braço com a palma da mão virada para baixo lateralmente, à altura dos ombros, anunciará "Wazari!" e o combate continua. O Waza-ari é cumulativo e se durante o combate, um competidor ganhar dois Waza-aris (dois meio-pontos), o segundo recebe o nome de Wazari-Awasete-Ippon, o árbitro primeiro faz o gesto de Wazari e em seguida o de Ippon e a competição termina.
                              
                sinalização de Waza-ari          sinalização de Wazari-Awasete-Ippon

Esse meio-ponto também pode ser conseguido pela imobilização do oponente de 15 a menos de 20 segundos o que corresponde a um Wazari.

O Yuko é atualmente a menor pontuação do judô, o Yuko não é cumulativo e pode ser obtido pela execução de uma técnica em que o resultado não satisfez os requisitos para ser um Waza-ari, por exemplo: o oponente não toca o tatame com as costas, caindo sentado ou de lado ou pela imobilização do oponente (Osaekomi) de 10 a menos 15 segundos. O árbitro anunciará "Yuko" levantando um dos braços, com a palma da mão virada para baixo, a 45º ao lado do corpo.


sinalização de Yuko

Aqui é necessária uma pequena explicação, a imobilização (Osaekomi) só se inicia, isto é o árbitro só anuncia e começa a contagem de tempo, quando um dos competidores estiver imobilizado e estiver com as suas costas, os dois ombros ou um ombro em contato com o tatame. Caso isso deixe de ocorrer o árbitro imediatamente anuncia "Osaekomi-toketá", levantando um dos braços à frente e movendo da direita para a esquerda, com o polegar para cima rapidamente, duas ou três vezes, enquanto se inclina para os competidores, interrompendo a contagem de tempo. Valendo os valores obtidos até a interrupção para Wazari ou Yuko.


sinalização de Osaekomi-toketá

Se o tempo se esgotar sem que nenhum competidor marque um Ippon, o árbitro irá atribuir a vitória ao competidor que tiver a maior pontuação. Um competidor com um Waza-ari irá ganhar de um adversário que marcou vários Yukos.

Se ao finalizar o combate houver empate de valores (pontos obtidos por projeção ou imobilização), a decisão será decidida pelos Shidôs, ganhará quem tiver recebido menos, isto é tiver recebido menos penalizações por faltas leves, o Shidô não tem nenhum valor de equivalência, ou seja, não representa pontuação para o adversário, é uma pontuação negativa.
No combate cada competidor poderá receber até três Shidôs, caso haja um quarto Shidô ocorrerá a desclassificação imediata (Hansoku-makê).

Para atribuir um Shidô, penalização, o árbitro faz um gesto que demonstra o porque da punição, tais como: Falta de combatividade, o árbitro gira os braços com um movimento para a frente com os antebraços à altura do peito; Falso ataque, o árbitro Estende ambos os braços horizontalmente a frente, mãos fechadas, e a seguir abaixa diretamente os braços; Transitar fora da área de combate, o árbitro levantará uma das mãos à altura do ombro com o polegar para cima e a com a outra mão estendida, apontando ao longo da linha limite da zona de combate e movê-la-á da direita para a esquerda duas ou tres vezes; etc.
Após ter demonstrado o por quê aponta na direção do competidor punido com o indicador estendido e a mão fechada.
                                                             
     sinalização de não combatividade            sinalização de falso ataque       sinalização de transitar fora da área

No entanto, se o combate terminar empatado com os competidores com pontuações e quantidade de Shidôs iguais, não havendo um vencedor, o combate passará a ser decidido pelo Golden Score (ponto de ouro), isto é, continuarão a combater sem tempo definido e perderá quem receber um Shidô ou vencerá quem marcar qualquer valor.

Durante o combate há outras sinalizações usadas pelo árbitro, como por exemplo: quando anuncia "Matte!" levantando uma das mãos à altura do ombro, com o braço aproximadamente paralelo ao tatame, deverá mostrar a palma da mão (dedos voltados para cima) para o cronometrista, esta é uma sinalização que interrompe temporariamente o combate em alguns casos, tais como: Quando um ou ambos os competidores saem da área de combate; Quando um ou ambos os competidores executam um dos atos proibidos; Quando um ou ambos os competidores estão lesionados ou doentes; Quando é necessário, para um ou para ambos os competidores, que ajustem o Judôgi; Quando em Ne-waza não se verifica um progresso aparente, etc. Fazendo com que os competidores retornem às suas marcas e reiniciem o combate (Hajime)


sinalização de Matte.

No caso em que o árbitro deseje parar temporariamente o combate sem que os competidores alterem as suas posições, seja para se dirigir a um ou a ambos ou para atribuir uma penalidade sem que o competidor que não é penalizado perca a sua posição vantajosa, ou ainda se, durante o Ne-waza um competidor mostrar sinais de lesão, o árbitro deverá inclinar-se para a frente e tocar nos dois competidores com a palma das mãos com firmeza e anunciar "Sono-mama!" (não se mexam!). Para recomeçar o combate fará o mesmo gesto e anunciará "yoshi!" (continuar!).
Sono-mama só poderá ser aplicado em Ne-waza. Sempre que esta situação ocorra, antes de reiniciar o combate, o árbitro deverá ter o cuidado de verificar se não existe mudança de posição ou pegadas de qualquer dos competidores. Se for necessário colocará os competidores na posição que mantinham antes de ser anunciado o Sono-mama e depois anunciará Yoshi.

                                       
sinalização de ajuste do Judogui                     sinalização de Kachi

Terminado o combate retornarão aos respectivos lugares, o árbitro indicará aos competidores para recompor o Judogui, cruzando com a mão a esquerda sobre a direita, palmas das mãos voltadas para dentro à altura do cinto e após o árbitro apontará o resultado indicando o vencedor do combate (kachi) levantando uma mão, palma para dentro acima da altura do ombro, em direção ao vencedor.

Os competidores darão um passo atrás, com o pé direito, tornarão a se saudar e deixarão a área de competição.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Lesões no Judô - Parte 4 - Durante o Combate


Baseado em diversos manuais de arbitragem

Como o judô é um esporte de contato, não é recomendada a realização de qualquer competição sem a presença de um médico responsável, com materiais de primeiros socorros, habilitado a prestar os primeiros atendimentos caso seja necessário.
Por serem as situações de lesões em combate raras mas não impossíveis de ocorrer. Vamos descobrir o que acontece e quais os procedimentos adotados quando ocorrer uma lesão em um competidor durante o combate ou outra situação semelhante de abandono do combate, exijindo cuidados médicos ou não.

Só se permite um médico por competidor na área de competição. E não é permitido ao técnico adentrar na área de competição.
Se ocorrer um acidente devido a uma causa externa (força maior), o combate poderá ser anulado ou adiado.

Há duas situações distintas, uma chamada "Fusen Gashi" e outra chamada "Kiken Gashi".

“Fusen Gashi”, é a declaração de vitória concedida a qualquer competidor cujo oponente não se apresente para o combate.
Num torneio quando um competidor sofre uma lesão e ainda tem outros combates pela frente, mas não comparece ao próximo combate, por não ter condições de prosseguir neste momento, será declarada a vitória do competidor que compareceu por “Fusen Gashi” (corresponde ao W.O. ou Walkover, em inglês), isto é, o competidor que não estiver em sua posição inicial após 3 chamadas, com intervalos de 1 minuto entre elas, perderá o combate. Caso essa derrota não o tenha eliminado do evento e a lesão tenha deixado de impedi-lo, ele poderá prosseguir normalmente.


"Kiken Gashi", é a declaração de vitória a qualquer competidor cujo oponente desistiu durante o combate, por qualquer motivo, o competidor que perder o combate por kiken-gachi, se essa derrota não o eliminar do evento e não havendo nenhum outro fator impeditivo superveniente, poderá continuar a competir no evento.

A desistência durante o combate poderá ser por decisão do árbitro, do próprio competidor ou do médico.
A decisão do combate, onde um competidor não possa continuar em razão de lesão, mal súbito ou acidente durante o mesmo, será concedida pelo árbitro de acordo com as seguintes condições:
Quando a causa da lesão for atribuída ao competidor lesionado, este perderá o combate.
Quando a causa da lesão for atribuída ao competidor não lesionado, este perderá o combate.
Quando for impossível atribuir, a causa da lesão, a qualquer dos competidores, perderá o combate o competidor que não puder continuar.

São exemplos de situações de Kiken-Gashi:
Se um competidor que usa lente de contato e durante o combate perder sua lente, não conseguindo recuperá-la imediatamente e informar ao árbitro a sua impossibilidade de prosseguir no combate sem a lente de contato. O árbitro deverá dar a vitória ao seu oponente.

O próprio competidor pode solicitar ao árbitro o atendimento médico mas isto implica em perder o combate, neste caso, o combate será interrompido, com o árbitro anunciando "Soremade" e declarará o término do combate por “Kiken Gashi”.

Geralmente quando um competidor adoece durante o combate e não pode continuar, o mesmo perderá o combate.
Se um competidor sofrer qualquer tipo de vômito ou golfada durante o combate. O árbitro deverá dar a vitória ao seu oponente.

No caso de lesões mais fortes, tais como:
Se ocorrer que um competidor bata a cabeça com força suficiente para causar desmaio (concussão de grau 3) ou um forte impacto na coluna vertebral ou sempre que o árbitro tiver dúvidas razoáveis da existência de uma lesão grave, o árbitro chamará o médico para que este examine o competidor o mais rápido possível. Para chamar o médico: o árbitro virar-se-á para a Mesa Médica ou local destinado à permanência do médico, acenará com o braço (palma da mão para cima), da direção do local médico para o competidor lesionado.

Se o médico, após examinar o competidor lesionado, atestar que o desmaio foi realmente causado pelo impacto na cabeça ou ocorreu uma lesão considerável e o competidor não pode continuar no combate, o árbitro encerrará o combate e declarará o oponente vencedor por kiken-gachi, o competidor lesionado perderá o combate e não lhe será permitido continuar a competir no mesmo evento.
Caso o atleta competindo na classe juvenil desmaie em razão de estrangulamento, a ele, também, não será permitido competir mais no mesmo evento.

Quando o médico for chamado, somente o árbitro poderá se aproximar do competidor lesionado para assegurar-se que a assistência fornecida pelo médico esteja de acordo com as regras.

O árbitro deve estar atento para casos de fingimento de cãibra (ou cãimbra) ou "falta de ar". Caso o médico informe que o competidor estava apenas cansado, que não tinha nada, o árbitro deverá aplicar ao competidor a regra da não-combatividade.

O médico da equipe também pode solicitar o atendimento para o seu competidor, mas neste caso o combate terminará, e o oponente vencerá por kiken-gachi.
No caso de um médico, responsável por um competidor durante seu combate, perceba claramente, especialmente em casos de técnicas de estrangulamento, que a saúde de seu competidor corre um sério perigo, pode ir até a borda do tatame e pedir ao árbitro que pare o combate imediatamente. Tal intervenção significará consequentemente a perda do combate.

Quando houver sangramento, o árbitro chamará o médico para que atenda ao competidor a fim de estancar o sangue. Por medida de segurança, caso haja ferida, esta deverá ser completamente coberta mediante esparadrapos, fita adesiva, ligaduras, bandagens, etc.
No caso de sangramento nasal que comumente ocorre por pancada acidental, o médico poderá utilizar tampão nasal ou produtos hemostáticos.
A mesma ferida sangrando, poderá ser atendida pelo médico em duas ocasiões. Quando a mesma ferida sangrar pela terceira vez, o árbitro deverá parar o combate a fim de proteger a integridade dos competidores. Neste caso, o competidor ferido será declarado perdedor por “Kiken Gashi”.
Em caso de sangramento em regiões diferentes, se chamará o médico quantas vezes forem necessárias.
Em qualquer caso onde não seja possível deter ou estancar o sangue, o competidor ferido será declarado perdedor por “Kiken Gashi”.


No caso de lesões menores, como por exemplo:
Unha quebrada ou virada, o médico é autorizado a auxiliar no corte da unha do competidor.
O médico também pode ajudar na recuperação de uma pancada nos órgãos genitais, auxiliando com exercícios de flexão.
Em casos, por exemplo, de uma luxação no dedo, o árbitro pára a luta (mediante “Mate” ou “Sono-Mama”) e permitirá ao competidor reduzir a luxação, ação que deverá ser imediata e o combate deverá ser reiniciado rapidamente.
Será permitido ao competidor fazer a redução da luxação em duas ocasiões. Havendo uma terceira vez, será considerado que não está em condições de seguir competindo, com o árbitro terminando a luta e declarando-o perdedor por “Kiken Gashi”.

Nota: Com a exceção das situações supramencionadas, caso o médico administre qualquer tipo de tratamento o oponente vencerá por kiken-gachi.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Lesões no Judô - Parte 3 - Orelha de Couve-Flor


Baseado no artigo "Orelha de Couve-Flor" publicado em https://jiujitsunoboken.wordpress.com


Duras, enrugadas, com formato que lembra uma couve-flor... Se alguém bater o olho e vir uma orelha assim na rua, já reconhece que o dono é lutador.

Muitas pessoas perguntam por que os lutadores ficam com as orelhas deformadas e se existe uma maneira de “consertar” ou mesmo evitar que isso aconteça.

Conhecido na medicina como hematoma auricular (pericondrite), tem o nome popular de orelha de couve-flor e trata-se de um hematoma causado no pericôndrio (uma camada de tecido conjuntivo que fica entre a pele e a cartilagem da orelha), gerando uma inflamação. Esta inflamação, por sua vez, costuma causar obstrução sanguínea fazendo com que ocorra uma reação fibrosa severa, formando uma nova cartilagem.

A pericondrite é provocada pelo trauma constante das lutas, ou seja, pelos atritos e esmagaduras sofridos durante os treinos e combates. A infecção pode levar à falta de vascularização nas orelhas que, por sua vez, pode provocar a morte do tecido. Essa necrose provoca uma forte reação fibrosa, resultando na formação de nova cartilagem para preencher o espaço lesionado.

Mas não se preocupe, se você é praticante casual, sua orelha não vai se deformar de um dia para o outro. Estatísticas dizem que a orelha tende a ficar deformada a partir de 1 ano de treinos diários, então não vai ser em treinos leves duas ou três vezes por semana que deformarão suas orelhas.

Tem alguns atletas que gostam e procuram acelerar o processo esfregando o kimono na orelha ou apertando ela com alicate para que as pessoas vejam pelas orelhas que são “lutadores”.

Para evitar que essa lesão ocorra use protetor de orelha. São bem fáceis de encontrar e costumam ser eficientes. O problema é que nem todos se adaptam ao uso do mesmo.

Caso aconteça esse tipo de lesão podemos tomar algumas medidas para que sejam minimizados os efeitos:

1 - Assim que machucar a orelha, enquanto não conseguir chegar onde possa tomar a medida número dois, aplique gelo imediatamente, você deve tentar reduzir a inflamação na orelha aplicando uma compressa de gelo na área afetada. Aplique gelo em sessões de 15 minutos com intervalos de 15 minutos entre as sessões até que o inchaço diminua.
Importante: Embrulhe o gelo em uma toalha ou em um pano semelhante antes de aplicar na orelha. Não aplique gelo diretamente na pele por um período prolongado, pois pode queimar sua pele ou causar outras complicações devido à temperatura extrema.
Use um lenço na cabeça para comprimir a orelha. Enrole a área afetada apertada para manter a pressão na lesão. A pressão pode parar o sangramento interno mais rapidamente, portanto, reduzindo a gravidade da deformação. Assim que puder enrole gaze elástica ao redor da orelha. Coloque o material na frente e atrás da orelha para aplicar um nível moderado de pressão.
Não enrole a gaze de forma muito apertada, pois pode causar dor de cabeça. Você também deve evitar enrolar de forma que a gaze bloqueie a sua visão ou a outra orelha.

2 – Drene o sangue o mais rápido possível, pois quanto menos tempo ele ficar dentro da orelha, mais chances você tem dela continuar intacta.
Embora tecnicamente você possa drenar uma orelha de couve-flor branda sem ir ao médico, fazer isso sem um treinamento profissional pode aumentar o risco de infecção e complicações mais tarde. Entenda o risco, você só deve tentar se o trauma for brando com inchaço moderado e se a pele não estiver aberta.
Se você puder ir ao médico dentro de 48 horas, você deve considerar seriamente essa opção sem tentar drenar a orelha sozinho.
Na maioria dos casos, o médico vai tratar a orelha de couve-flor usando uma agulha para retirar o sangue e o fluido. Depois disso, ele aplicará algo para comprimir o local para impedir que mais sangue se acumule na orelha machucada, se já houver um corte na orelha, o médico pode também drenar o sangue através desse corte.
Aplicar pressão com um curativo apertado também ajuda a pele ferida a se reconectar com a cartilagem debaixo dela, o medico provavelmente aplicará gaze na frente e atrás da orelha antes de embrulhar com um curativo estéril. Preste atenção à pressão e à técnica usada na aplicação do curativo para que você possa reaplicar na sua orelha afetada quando for preciso durante o processo de cura.
O médico pode optar por um outro procedimento bem semelhante à drenagem e à compressão, mas em vez de usar um material de compressão para aplicar pressão na orelha, o médico colocará uma tala especial na parte de dentro para manter a pressão constante na ferida, o sangue na orelha será drenado pelo corte ou pela seringa. A colocação da tala pode levar forma de sutura, que será colocada na orelha de forma que segure uma gaze especial, a tala pode ser de pediplast ou de silicone e será moldada para a orelha.
Se a tala for usada, a orelha precisará ser verificada pelo médico novamente em sete dias. A sutura se mantém por 14 dias, a não ser que haja alguma vermelhidão ou sensibilidade. Uma tala moldada poderá ficar por mais tempo.
Veja se serão necessárias uma incisão e uma remoção de coágulo, em casos graves, quando a orelha de couve-flor já começou a endurecer, você pode precisar consultar um cirurgião especializado. Esse cirurgião pode escolher fazer uma incisão na sua orelha e remover fisicamente qualquer coágulo que já tenha se formado. Qualquer líquido restante na sua orelha também será drenado.
Esse tipo de procedimento só pode ser feito por um cirurgião plástico ou por um otorrinolaringologista licenciado (cirurgião da orelha, nariz e garganta).

Cuidados Pós-drenagem:
Mantenha a orelha seca. A orelha afetada deve ficar seca no primeiro dia depois do procedimento de drenagem. Não tome banho ou nade nas primeiras 24 horas. Evite chuva, use um guarda-chuva ou uma capa para impedir que a orelha se molhe.
Mantenha o curativo por, no mínimo, 24 horas. Qualquer curativo aplicado por você ou pelo médico depois do procedimento da drenagem deve permanecer no local no primeiro dia para permitir que a ferida se cure sem exposição a bactérias. Embora o curativo possa ser tecnicamente removido depois do primeiro dia, é aconselhável mantê-lo de 3 a 7 dias.
Aplique pomada antibacteriana. A pomada não precisa ser prescrita, mas a pomada deve ser aplicada no local da ferida três vezes ao dia até que ela cure completamente e cicatrize. O seu medico também pode prescrever um antibiótico oral ou tópico para ajudar a prevenir contra infecções, principalmente se ele tiver feito uma incisão ou se a pele foi aberta durante a lesão inicial.
Aplique gelo periodicamente. O inchaço vai continuar a ocorrer por cerca de três semanas após o procedimento. Aplique uma compressa de gelo na orelha por 10 a 15 minutos, duas ou três vezes ao dia durante esse período. Se você ainda estiver praticando o judô, certifique-se de aplicar gelo imediatamente após o treino.
Se você recebeu a lesão inicial na orelha enquanto praticava boxe, artes marciais ou outro esporte, você deve deixar o seu corpo se curar por, no mínimo, 24 horas antes de voltar a treinar. Se o médico inseriu talas na sua orelha, você deve colocar uma fita no local para impedir que elas caiam ou sejam danificadas durante o treino.
Aplique pressão na orelha durante o treino usando uma fita. Fita atlética também pode ser usada, mas ela tende a perder a qualidade da aderência quando entra em contato com suor, o que faz a fita adesiva de vedação uma opção melhor.
Para o resto da temporada do seu esporte, você deve utilizar um protetor e adicionar pressão ou uma almofada no acessório da cabeça. Corte uma espuma atlética em formato de rosca e prenda-a na parte de dentro do capacete ou outro acessório da cabeça, diretamente nas duas orelhas. Peça ao seu treinador para verificar o tamanho certo do seu acessório para se certificar de que ele fica na sua cabeça adequadamente.

Embora esteja deformada e pareça muito uma couve-flor, isto é, a lesão já se consolidou, já formou a reação fibrosa. É possível fazer uma cirurgia plástica para corrigir o problema e fazer uma orelha nova, mas é preciso ter cuidado com os procedimentos pós-operatórios. O paciente fica impossibilitado de fazer atividades físicas por dois meses, o que é inviável no caso de um lutador.

O procedimento é complicado e pode durar até cinco horas. Na operação, são retirados todos os fragmentos de cartilagem se ela estiver muito danificada, que é o que quase sempre acontece, aproveita-se toda a pele. Normalmente substitui-se a cartilagem interna por um arcabouço com cartilagem retirada do tórax.

Com uma parte da cartilagem retirada do tórax faz-se uma escultura para a nova orelha tomando como referência a orelha oposta. Se o problema for nas duas orelhas, cabe ao cirurgião ter uma veia artística para fazer o desenho e coloca-se a cartilagem por dentro da pele.

Lesões no Judô - Parte 2 - Da Cintura Para Baixo




As lesões musculares são freqüentes no Judô por se tratar de um esporte de contato em que é necessário o uso de grande força por parte de seus praticantes, levando a sobrecarga muscular ou por trauma direto.

As regiões constantemente afetadas pelas lesões musculares causadas por traumas diretos (pancadas) são o quadríceps da coxa e intercostais e as regiões normalmente lesionadas por trauma indireto são o posterior da coxa e paravertebrais. Ao contrário da parte superior do corpo onde é mais comum a contratura, na parte inferior do corpo é muito mais comum o estiramento ou a distensão muscular. A Distensão ou estiramento é quando há o alongamento das fibras musculares além do seu comprimento normal.

O tratamento das lesões musculares depende da gravidade, da extensão da lesão e da sua localização. O estiramento muscular vai desde o grau mínimo com pequeno ou nenhum edema até a ruptura completa do músculo com edema e hemorragia intensos. O tratamento é predominantemente clínico. Em uma fase inicial (1ª semana) devemos realizar o controle de sintomas como dor e edema com meios físicos como gelo e TENS (estimulação elétrica nervosa transcutânea). O uso do Ultrassom é recomendável no modo pulsado. Na 2ª e 3ª semanas podemos utilizar Ultrassom continuo a fim de auxiliar no processo de cicatrização. O ganho de flexibilidade deve ser realizado conforme a tolerância do paciente quanto a dor. O ganho de força muscular deve ser crescente, iniciando com exercícios isométricos, também levando em consideração a dor do paciente. A 4ª e 5ª semanas devem ser utilizadas para aumento do ganho de força e flexibilidade, além dos treinos sensoriomotores a fim de realizar o retorno gradativo do paciente ao esporte.

A nível dos membros inferiores, o joelho é uma das maiores articulações do corpo humano e também uma das que mais sofre lesões e a maior incidência são as entorses que ocorrem durante os treinos. Essa articulação é formada pela extremidade distal do fêmur, extremidade proximal da tíbia, patela, ligamentos, meniscos e tendões de músculos que o cruzam. O joelho pode ser lesionado de várias formas por ser muito vulnerável ao trauma direto (pancadas) ou indireto (entorse), além de ser lesionado principalmente pelo excesso de uso ou uso inadequado (regiões condrais e tendíneas são as mais acometidas), as lesões mais vulgares são, a bursite pré-rotuliana, a fratura e a luxação da rótula, a tendinose do rotuliano, a doença da cartilagem da rótula, a síndrome da fáscia lata, a ruptura meniscal e a do ligamento cruzado anterior.



A entorse (torção) do tornozelo é um movimento anormal dos ossos que provoca lesão do ligamento. É menos grave que a luxação e quando ocorre a região vai ficar inchada e avermelhada, a melhor maneira de reduzir o inchaço é com gelo.

A primeira atitude a ser tomada após uma torção de tornozelo é colocar compressas de gelo durante dez minutos com intervalos de dez minutos. É importante respeitar este intervalo para proteger a pele e as articulações. É recomendado envolver o gelo em algum tecido para evitar danos à pele. Compressas quentes são péssimas, pois pioram o inchaço.

Alguns exercícios podem deixar o pé mais "inteligente" e prevenido contra as torções. Os pés precisam de estímulo. Uma pessoa sedentária, que não tem o costume de andar em terrenos acidentados, terá mais chances de torcer o pé do que alguém que está acostumado a pisar na areia ou praticar esporte.

Os exercícios de alongamento são importantes porque garantem a elasticidade dos músculos, tendões e ligamentos, de forma que sua resposta se torna mais sincronizada e segura. Quando ocorre torção, as estruturas alongadas e saudáveis estão mais capacitadas para se adaptar às condições extremas. Por isso, tem maiores chances de evitar lesões do que as estruturas "fora de forma".

Abaixo, listamos alguns dos exercícios recomendados:
Bate o pé - sentado, o movimento é de levantar e abaixar a ponta do pé como se estivesse batendo a parte da frente do pé. Este exercício trabalha principalmente o músculo tibial anterior, que fica na canela e é um dos responsáveis pela formação do arco plantar e pelo movimento de elevação da parte anterior do pé.
Fortalecimento de eversores - sentado ao lado da parede com uma bola, o pé fará um movimento como se estivesse “dando tchau". O objetivo é empurrar a bola contra a parede com a parte lateral do pé. Este exercício fortalece os músculos eversores do tornozelo, gerando maior estabilidade e tentando evitar a torção.
Andar na linha - caminhar em cima de uma linha com um pé na frente do outro. O objetivo deste exercício é melhorar o equilíbrio.
Andar com a ponta do pé para cima - caminhar com a ponta do pé para cima em linha reta. O objetivo deste exercício é melhorar o equilíbrio associado à contração isométrica do músculo tibial anterior.
Andar no colchão - caminhar em um colchão espesso, pode ser o de uma cama. O objetivo deste exercício é caminhar em um solo instável para gerar mais estabilidade para o tornozelo e melhorar o equilíbrio.

As fraturas na tibia, as fraturas dos metatársicos e dos dedos do pé, são as lesões agudas que comprometem com demasiada frequência os atletas do judô. A tenovaginite do músculo tibial anterior, do Aquiles e dos isquio-tibiais, em conjunto com as fraturas de fadiga do pé e da tíbia, são as lesões de sobrecarga mais presentes. A recuperação de tendinites e torções é feita adotando o repouso com aplicação de compressas e fisioterapia com maior frequência, já o período de recuperação dura em média de duas a oito semanas, que é um período longo para atletas competidores.

Isto nos leva a outra constatação, o não cumprimento ou cumprimento parcial da prescrição médica de reabilitação para a maioria dos atletas, o que, normalmente, pode ser um fator determinante para a reincidência, o famoso "mal curado".

Para prevenir as lesões é muito importante que o praticante de judô, quer tenha um envolvimento de lazer quer competitivo, faça sempre no início de cada época, um exame físico e clínico e que respeite as recomendações propostas pelo médico especialista em medicina do desporto.

Sendo certo serem as lesões de sobrecarga frequentes e numerosas no judô, também é certo as mesmas poderem ser evitadas e até resolvidas com algumas mudanças técnicas nas rotinas do treino e dos combates. A prevenção em geral destas lesões deve fundamentar-se sempre na adequada adaptação do atleta à sua modalidade. Este é sempre o primeiro procedimento a ter em conta, não só para se conseguir um bom desempenho, mas também para se prevenirem as lesões mais frequentes. sendo determinante uma cuidada aprendizagem e um treino adequadamente supervisionado pelo instrutor. Além disso, um programa de aquecimento e bem assim de arrefecimento, antes e depois da prática da atividade física, respectivamente, deverá ser sempre respeitado.

Sempre que surgir um sinal de alarme, sinalizador de uma eventual lesão de sobrecarga, a suspensão imediata da atividade deverá ser a norma e a avaliação por um especialista a regra. É ainda muito importante o atleta aprender a conhecer o seu corpo, de modo a não ter a tentação de ultrapassar as suas capacidades morfofuncionais.

Quanto à prevenção das lesões agudas e tendo em conta o seu aparecimento súbito e fortuito, deve fazer-se respeitando: as normas gerais e as limitações pontuais da modalidade durante os combates ou durante os treinos; o fair-play com os outros atletas; um regular programa de estiramento musculo-tendinoso em associação com um treino proprioceptivo global dos membros inferiores. (clique aqui e veja o que é treino proprioceptivo).

Como não custa repetir, aí vai, para prevenir a maioria das lesões, só há um jeito: treinar muito as quedas (ukemis) e alongamento antes e depois da atividade. O alongamento é obrigatório antes de iniciar qualquer sessão de exercícios. O tempo mínimo de prática deverá ser de 10 até 15 minutos. O alongamento permite um aquecimento da musculatura, através de um maior aporte de sangue para os músculos, preparando o sistema musculoesquelético para o exercício a ser realizado. O alongamento realizado de forma correta e sistemática, diminui a dor, tonifica os músculos, aumentando também a sua resistência. É preciso alongar todos os grupos musculares e não apenas aqueles que serão mais exigidos durante a sessão do exercício.

Lesões no Judô - Parte 1 - Da Cintura Para Cima




É consensual que o judô proporciona uma excelente forma de exercício aeróbico e também de desenvolvimento do equilíbrio físico e mental e de melhoria da agilidade e da coordenação motora. Por isso, é muito praticado em todo o mundo, por todas as gerações e por todos os estratos sociais.

O judô abrange uma gama de técnicas permitidas em competições. São elas: Projeções, imobilizações, chaves, torções e estrangulamentos.
Todas são fundamentadas em princípios biomecânicos e podem causar sérios traumas aos adversários quando aplicadas com toda sua magnitude. Somente as imobilizações constituem um grupo que não têm como objetivo levar situações de perigo ao adversário e nem provocar lesões e que devido a esse fato não identificamos possíveis traumatismos decorrentes de suas aplicações. O objetivo das imobilizações é impedir os movimentos mais ofensivos do oponente, segurando-o em situações de submissão.

Antes de descrevermos os traumas associados às técnicas do Judô temos que relatar um tipo de lesão bastante comum à prática da luta livre e judô. Ela não está associada a nenhuma técnica em particular, mas sim as próprias características de constante contato corporal das modalidades, a lesão denominada como hematoma auricular. Quase 40% dos lutadores comunicam ter algum tipo de deformidade auricular permanente. Nesse caso de traumatismo auricular, o sangue acumula-se entre o pericôndrio e a cartilagem. Nova cartilagem se forma a partir do firme envoltório pericondrial, levando à deformidade da aurícula (a chamada "orelha de couve flor").

As lesões no Judô, por se tratar de um esporte de contato físico, são mais frequentemente traumáticas relacionadas a quedas ou imprevistos durante a luta, por isso seus praticantes devem sempre treinar ou competir com muita concentração, a fim de não perder a atenção para que não seja surpreendido, evitando assim um maior número de lesões.

Combater, agarrar ou golpear ou até o simples roçar do Kimono pode dar origem a pequenas lesões como equimoses, escoriações, lacerações, contusões ou feridas. Situações de maior gravidade como a fratura dos ossos do nariz, dos ossos da face, do crânio, ou ainda lesões nos olhos, na boca e nos dentes, são raras porém não impossiveis.

Ao comparar lutas com exercícios livres, as lesões no judô, na parte superior do corpo, ocorrem com maior frequência durante lutas competitivas. As principais lesões acontecem com atletas principiantes ou atletas de alto nível que tentam impedir uma queda.

As lesões mais comuns em competições são em primeiro lugar as escoriações localizadas principalmente em região da face, seguida pelas lesões musculares acometendo normalmente grandes grupos musculares. Em menor número, são as entorses que acontecem comumente na região dos cotovelos, das mãos e em dedos principalmente. E finalmente as luxações em articulação acrômio-clavicular, seguida pelas interfalangeanas. Fraturas em falanges, metacarpo, rádio, ulna, clavícula e costelas são pouco frequentes.

As técnicas de defesa no judô usualmente causam mais lesões que as técnicas de ataque.

No pescoço, pequenas lesões como equimoses e escoriações, são as mais frequentes. A aplicação de técnicas de estrangulamento que visam interromper o fluxo de ar para os pulmões e/ou sanguíneo para o cérebro. Apresentam um tipo de lesão ao lutador que não são encontradas em nenhuma outra manifestação desportiva. Elas proporcionam traumas que são unicamente consequentes das técnicas das lutas.

Por definição, estrangulamento é a asfixia mecânica onde ocorre uma constrição do pescoço, causando embaraço à livre entrada de ar no aparelho respiratório feito por meio de um laço acionado pela força muscular da própria vítima, ou de um estranho. No caso do Judô desportivo o laço pode ser feito com auxílio do Kimono.
Possíveis lesões: Equimoses de pequenas dimensões na face, nas conjuntivas, pescoço e face anterior do tórax; Infiltração hemorrágica em tela subcutânea e musculatura subjacente ao sulco; Rupturas musculares e Fraturas e luxações das vértebras cervicais; Morte, pelo impedimento da penetração do ar nas vias aéreas; por morte circulatória devido à compressão dos grandes vasos do pescoço que conduzem para o cérebro; por morte nervosa do mecanismo reflexo (inibição vagal).

Golpes em que são realizadas projeções do adversário acima da cabeça podem levar a um trauma direto da cabeça, que pode gerar graves lesões cervicais como o Ippon-seoi-nage realizado com os dois joelhos no solo.

A concussão cerebral é uma lesão traumática do cérebro, que pela energia aplicada lhe pode alterar o status mental ou causar-lhe outros sintomas de natureza neurológica. Os sintomas mais frequentes são a dor de cabeça, o enjoo, a náusea, a perturbação do equilíbrio, a dificuldade de concentração e os problemas de memória. Estes sintomas podem manter-se por alguns minutos, dias, semanas ou mesmo meses, em alguns casos. Todo o atleta que sofra uma concussão, independentemente da sua magnitude, deve ser obrigatoriamente submetido a uma primeira avaliação no local onde sofreu a lesão e posteriormente e em tempo útil, a uma observação clínica por médico qualificado para o efeito.

Atualmente algumas regras foram alteradas durante as competições a fim de diminuir o risco de lesões. Alguns golpes são proibidos de ser aplicado durante a competição levando o atleta que as utiliza a desclassificação como, por exemplo, o soto-maki-komi, responsável por uma alta incidência de luxação acrômio-clavicular, uma vez que o adversário pode sofrer um trauma direto com o solo.

O tratamento no momento da lesão é semelhante em todos os casos: aplicação de gelo local, imobilização da área afetada, seguida da procura de em serviço médico, onde possa ser realizada uma avaliação mais minuciosa do quadro em que o paciente se encontra, podendo assim traçar condutas para cada caso.

A utilização do gelo é recomendável na presença de dor ou edema, independente do grau da lesão ou da fase de reabilitação em que o paciente se encontra.

Ataques a estruturas articulares que visam suas imobilizações e extensões além das respectivas amplitudes de movimento. A técnica mais utilizada é a que hiperextende as articulações do cotovelo conhecidas como juji-gatame (arm-lock), ude-garami. Essa técnica pode levar a uma diminuição da amplitude de movimento e dor, pois o movimento feito de forma violenta, ou com repetição contínua, pode causar uma cicatrização da cápsula dentro da articulação do cotovelo e lesão com cicatrização muscular na sua porção anterior. e as torções que atacam a coluna vertebral ("Cervical").
De maneira geral pode ocasionar traumas do tipo: Estiramentos de primeiro a terceiro grau, Entorse de primeiro a terceiro grau, Subluxação articular, Luxação articular, Fraturas articulares, Defeitos osteocondrais (DOCS) e Tetraplegia (somente para "Cervical").
As lesões cervicais também podem causar danos neurológicos, viscerais e de grandes vasos. Danos neurológicos podem ser identificados e terem sido causados por secção, contusão, compressão e isquemia medular. Na coluna lombar as lesões que com mais frequência limitam o atleta, centram-se nos discos intervertebrais e nas articulações inter-apofisárias da região lombar. Para a prevenção das lesões de sobrecarga em particular na coluna lombar, devem os atletas apoiar-se num programa de treino de carácter neuromuscular com bastante regularidade. Definitivamente, a prevenção destas lesões deve apoiar-se ainda no bom senso do atleta e do treinador ou preparador físico, ao longo do desenvolvimento do treino. A pressão destes, no sentido do treino excessivo terá que ser limitada.

O ombro é de longe a área anatômica mais envolvida por lesões, dentre elas as mais frequentes são as luxações que é o termo empregado quando há perda de contato entre os ossos que compõem uma articulação. No caso do ombro as principais lesões são: a luxação gleno-umeral, luxação da articulação composta pelo úmero (osso do braço) e pela Glenóide (parte da escápula) e a luxação acromioclavicular, luxação entre a clavícula e o acrômio: A luxação acromioclavicular ocorre por trauma direto na parte de trás do ombro (escápula), comumente por queda.



Essas Luxações apresentam diferentes tipos de tratamento dependendo de sua gravidade. O Raio X é o exame mais indicado para o conhecimento anatômico da articulação, após a lesão. O uso de tipóia é recomendável a fim de manter o membro lesado em repouso.

Para lesões menos graves onde ocorre entorse das articulações o tratamento é conservador utilizando o repouso de 1 a 6 semanas, conforme o caso, a fim de agilizar o processo de retorno ao esporte, porém lesões em que ocorram perda total do contato entre clavícula e o acrômio é feito repouso e imobilização por várias semanas e retorno ao esporte após 3 meses. Em alguns casos o tratamento cirúrgico é o mais recomendável. A fisioterapia tem como principal objetivo nesse tipo de lesão a diminuição da queixa de dor, utilizando gelo ou eletroanalgesia, além de acelerar o processo de cicatrização com o auxílio de aparelhos de calor superficial e profundo.

As lesões musculares são freqüentes no Judô por se tratar de um esporte de contato em que é necessário o uso de grande força por parte de seus praticantes, levando a sobrecarga muscular ou por trauma direto. Na parte superior do corpo é mais comum a contratura do qua distensão muscular. A contratura é quando o músculo fica mais curto e enrijecido, o que causa dor e restrição dos movimentos. Os músculos na parte superior das costas são os mais afetados, dá aquele torcicolo, sabe? Enquanto as distensões ou estiramentos são mais comuns nos membros inferiores.

A mão deve ser considerada como um instrumento de trabalho para os praticantes do Judô, por isso, todos os cuidados devem ser realizados em casos de lesão nessa estrutura.

Nas mãos os dedos sofrem pequenas lacerações, entorses e luxações interfalângicas. Com a ocorrência de lesão, deve-se realizar a imobilização da região afetada e realizar a procura de um serviço médico especializado a fim de realizar testes e exames específicos para definir a gravidade e localizar as estruturas lesadas. Algumas lesões ligamentares podem ter indicação cirúrgica dependendo da queixa referida pelo paciente podendo ser instabilidade, dor ou perda de força. Quando definido o tratamento conservador podemos utilizar o gelo em imersão, Ultra-som em imersão de água e mobilizações com movimentos passivos e acessórios visando a manutenção da ADM (amplitude do movimento). O tempo médio de cicatrização de lesões ligamentares é de 3 a 4 semanas.

Para prevenir a maioria das lesões, só há um jeito: alongamento antes e depois da atividade. O alongamento é obrigatório antes de iniciar qualquer sessão de exercícios. O tempo mínimo de prática deverá ser de 10 até 15 minutos. O alongamento permite um aquecimento da musculatura, através de um maior aporte de sangue para os músculos, preparando o sistema musculoesquelético para o exercício a ser realizado.

O alongamento realizado de forma correta e sistemática, diminui a dor, tonifica os músculos, aumentando também a sua resistência. É preciso alongar todos os grupos musculares e não apenas aqueles que serão mais exigidos durante a sessão do exercício.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Cumprimentos no Judo




A prática do judô é regida por cortesia, respeito e amabilidade. A saudação é o expoente máximo dessas virtudes sociais. Através dela expressamos um respeito profundo aos nossos companheiros.

Por que temos que nos curvar em cumprimento? Esta é uma pergunta muito comum entre os novos judocas. O cumprimento não tem nenhum significado religioso. É simplesmente uma forma de demonstrar respeito e humildade. O cumprimento em japonês é “rei” e o padrão Kodokan de etiqueta para o Judô é que “O Judô começa com um cumprimento e termina com um cumprimento” (“re hajimari ni, rei ni owaru“). O rei personifica o segundo princípio de Kano Shihan – Jita Kyoei, ou seja, o respeito e benefício mútuo, o respeito que cada judoca mostra ao outro. É respeito pelo seu parceiro de treinamento e respeito por qualquer adversário, não importa qual o nível de habilidade. Ele demonstra apreço e humildade de um judoca para outro judoca que está lhe permitindo ter alguém para praticar.

É um sinal de respeito que faz parte da etiqueta do Judô permitindo a todos nós praticar e melhorar nossas habilidades de forma segura e de ensinar e transmitir conhecimento de uma forma respeitosa. A adesão de cada dojo para esta etiqueta formal do cumprimento varia muito, na costa leste [dos EUA]. Alguns fazem o cumprimento em pé, alguns se cumprimentam ajoelhado, enquanto outros não se curvam em nada. Alguns dojos exigem que se cumprimente quando se entra e sai do dojo e outros não. Na Costa Oeste [dos EUA], onde há uma forte herança japonesa, a maioria dos dojos adere às regras rígidas de etiqueta do judô e cumprimentam da maneira formal, incluindo o cumprimento, ao entrar e sair da área de treino.

A adesão ao cumprimento formal define o tom de respeito do dojo. Quando a tradição do cumprimento é relaxada, então a atitude e disciplina do dojo segue o exemplo. É recomendável que o cumprimento na etiqueta apropriada seja parte da experiência de judô em cada treino.

Como o cumprimento deve ser realizado? Começamos com a “posição de atenção” a posição chamada “Kiotsuke“, com a cabeça erguida e voltada para a frente, com as palmas das mãos voltadas para dentro, nas laterais do corpo. Além disso, há o “sentar-se em atenção”, que é a posição chamada “Seiza“.

O cumprimento tem duas posturas diferentes. O primeiro é o cumprimento de pé, chamado de “ritsu-rei” em japonês. O cumprimento em pé é iniciado a partir da posição em pé de Kiotsuke deslizando as mãos para cima do joelho ou ao lado do corpo e a cabeça inclinada para a frente em cerca de 20-30 graus. Ritsu-rei é comumente usado quando se pratica com um parceiro o tachiwaza.

O segundo cumprimento, a maneira mais educada e formal de se curvar sobre o tatame, é referido como “O cumprimento ajoelhado” ou Za-rei, que começa a partir da posição seiza kiyotsuke, a postura formal, ajoelhado. Aqui começamos ajoelhados na posição de atenção, seguimos em frente com as palmas das mãos sobre as coxas, viradas para dentro. Za-rei é feito através de, lentamente, abaixar a cabeça para frente e colocando as mãos sobre o chão, voltadas para dentro, com as palmas para baixo na frente dos joelhos. O Za-rei é comumente usado quando se pratica com um parceiro o newaza.

No início da aula, todos os alunos se alinham de frente para o sensei. A classe, em seguida, assume a posição de seiza, a posição de atenção ajoelhada. O estudante mais graduado pode então anunciar “kiyotsuke” e depois “sensei ni rei“. No final da aula todos os alunos se alinham com o aluno mais graduado anunciando “Kiyotsuke” seguido de “Mokuso“. Então o sensei bate palmas ou dá o comando de Yame e o aluno mais graduado anuncia “sensei ni rei“. Em alguns clubes, o comando “jyozan-ni-mukate” é o seguinte. Mais uma vez, todos cumprimentam no comando “rei” e, posteriormente, os alunos voltarão a se direcionar para o sensei e concluir a aula, curvando-se. Este cumprimento final é simplesmente uma forma de agradecer. Dependendo da tradição do clube, diferentes etiquetas de cumprimento são usadas.

Em competições, o cumprimento de pé é necessário no início da luta e no final. Este é formalizado nas regras da FIJ de competição.




Mas o que significa cada um dos termos ditos durante o início e final das aulas? A ordem e os termos apresentados abaixo não são necessariamente realizados igualmente por todos os dojos do mundo. De acordo com a região, cultura local, formação dos senseis, existem variações na forma como se iniciam e finalizam os treinos. Portanto, se seu dojo não executa como descrito abaixo, não tem problema, é só uma variação cultural.

Em geral os treinos em grande parte dos dojos de judô espalhados pelo mundo usam esta forma, normalmente, no início do treino, o sensei solicita a todos que alinhem, por ordem de faixa. Em seguida, o sensei ou o mais graduado no momento inicia o procedimento de saudação, conforme abaixo:

Kiotsuke ! – Significa “atenção!”. Quando o sensei diz “kiotsuke“, todos devem parar, estar em formação e esperar pela próxima fala do sensei.

Shomen ni ! – Significa “virem-se de frente para a parte principal do dojo!”, o que significa olhar para o lugar de honra (“joseki“). A parte principal do dojo (shomen) é onde se encontra a bandeira do japão ou é onde a imagem do fundador do Judo, Jigoro Kano, é exibida, ou ainda, alguma outra homenagem aos principais mestres e fundadores do judô. A mesma ordem é dada em dojos de outras artes japonesas como o Karatê, então é na área principal do dojo (shomen) em que se encontra a homenagem aos fundadores da arte.

Rei ! – Significa “cumprimentem!”. Alguns dojos realizam as saudações ajoelhados (za-rei). Outros realizam as saudações em pé (ritsu-rei).

Sensei ni ! – Significa “virem-se para o Sensei!”. Neste momento, todos viram-se de frente para o sensei principal que se encontra no dojo.

Rei ! – Novamente, uma ordem para que todos cumprimentem o sensei. Neste momento, por ser o início do treino, os alunos cumprimentam e juntos falam: “onegai shimasu”

Onegai Shimasu – É um termo às vezes difícil de traduzir literalmente para o português. Uma tradução próxima seria algo como “Por favor, permita que eu treine e aprenda com você”. É um termo que é carregado de valores como respeito, humildade e honra. Quando isso é dito no dojo pelos alunos, em direção ao sensei principal, significa que o aluno está se colocando na condição de aprendiz, que está aberto para ver, ouvir e prestar atenção em cada detalhe do que é ensinado pois ele reconhece a autoridade e experiência de quem está ensinando, e ele sabe que precisa caminhar muito para chegar neste nível.

Às vezes é possível também dizer “onegai shimasu” antes de fazer um randori ou um treino com um colega. Nesse caso, significa “estou disposto a aprender com você com muito respeito, honra e dignidade”. Alguns dizem que o termo “Oss” é uma abreviação de “onegai shimasu“, mas pela forma com que o termo “oss” é utilizado, principalmente no Brasil, isso não parece proceder.

Após o cumprimento ao sensei, a aula inicia-se de acordo com a dinâmica de cada dojo (aquecimento, alongamento, etc).

Novamente, ao final do treino, o sensei solicita que todos voltem à formação inicial, e o sensei ou o mais graduado inicia o procedimento para finalizar a aula:

Kiotsuke ! – “atenção!”.

Mokuso ! – É o comando que significa algo como “meditem!”. Mokuso” é o comando para fechar os olhos e começar uma forma de respiração e de meditação que visa a reduzir a freqüência cardíaca e limpar a mente. Muitos atletas relaxam e recordam as lições do dia e outros apenas relaxam da prática. Alguns dojos realizam o mokuso no início do treino também.

Yame ! - É o comando de voz para encerrar o Mokuso.

Kiotsuke ! – “atenção!” (novamente, para finalizar o mokuso).

Shomen ni ! – “Virem-se de frente para a área principal do dojo!”

Rei ! – “Cumprimentem!” – Novamente, pode ser za-rei ou ritsu-rei.

Sensei ni ! – “Virem-se de frente para o Sensei principal presente no dojo”

Rei ! – “Cumprimentem!”

E nesta hora, quando cumprimentam o sensei, os alunos cumprimentam e respondem “Arigatou Gozaimashita”.

Arigatou Gozaimashita – O termo “arigatou” significa um “obrigado” informal. Mais formalmente, ele pode vir acompanhado de “gozaimasu” ou “gozaimashita”. O que muda é apenas o tempo verbal. “Gozaimasu” é presente e “gozaimashita” é passado. Portanto, “arigatou gozaimashita” significa algo como “muito obrigado pelo que foi feito”. Dentro do contexto do dojo, esse termo é, assim como “onegai shimasu”, um termo carregado de valores. Significa algo como “Sensei, muito obrigado pela oportunidade que me deu de ter treinado e aprendido com você. Sou muito grato por isso.”

Terminado o cumprimento, em geral as pessoas cumprimentam umas as outras, e depois, começa o “Soji no jikan“, ou seja, a hora da limpeza. O momento em que todos os que usaram o dojo para treinar ajudam a varrer e limpar o dojo, para que ele esteja sempre limpo e higienizado.

Em geral, esta é a sequência de início e término de aula em dojos de artes marciais japonesas como Judô, Karatê, Aikido, Jiu-Jitsu, etc. Com algumas variações culturais, mas o procedimento geral se mantém, independente do lugar do mundo em que você se encontre.

Vocês sabem por que quando temos mais de um sensei no dojo, a saudação é feita com as palavras “Sensei Kata ni“?

Quando se diz “Shomen ni”, basicamente está se dizendo: “ao shomen” (parte frontal do dojo). Mas está implicito no comando que é para todos virarem-se em direção à parte frontal do dojo, para em seguida, vir o comando “rei”, para o cumprimento.

Então, também temos os seguintes comandos que podem ser utilizados durante o treino:

Sensei ni (ao professor) ou Senpai ni (ao mais velho). E, quando precisamos nos referir no plural, entra a palavra kata:

Sensei kata ni (aos professores) ou Senpai kata ni (aos mais velhos), ou seja, neste contexto é basicamente o plural.

Mas não se pode sair aplicando “kata” a todas as palavras para se tornar plural. Kata também possui diversos significados, como direção, um lado, um, etc. Exemplo: Kata-ha jime: estrangulamento com uma asa.

Não confundir “kata” com “kata”. Esse outro “kata” significa ombro: kata-guruma, giro sobre os ombros. Kata gatame, imobilização de um ombro.

Ah, e claro, para confundir mais um pouco:

Não confundir “kata” e “kata” com “kata”.

Este último significa “forma”: nage no kata – formas de projeção.

Parece confuso (e é) mas a lingua portuguesa também é cheia de armadilhas assim.