domingo, 27 de setembro de 2015

Será verdade? As leis de Murphy no judô.





A Lei de Murphy. O criador dessa lei foi o capitão da Força Aérea americana, Edward Murphy, e também foi a primeira vítima conhecida de sua própria lei. Ele era um dos engenheiros envolvidos nos testes sobre os efeitos da desaceleração rápida em piloto de aeronaves.

Para poder fazer essa medição, construiu um equipamento que registrava os batimentos cardíacos e a respiração dos pilotos. O aparelho foi instalado por um técnico, mas simplesmente ocorreu uma pane, com isso Murphy foi chamado para consertar o equipamento, descobriu que a instalação estava toda errada, daí formulou a sua lei que dizia: “Se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará”.

A Lei de Murphy não prova nada, não explica nada. Simplesmente expressa uma máxima: que as coisas vão dar errado. Mas nós esquecemos de que há outras forças em ação quando falamos da Lei de Murphy. Supostamente, foi o escritor Rudyard Kipling quem disse que não interessa quantas vezes você derruba uma fatia de pão no chão, pois ela sempre cai com a manteiga para baixo. Kipling, autor de "O Livro da Selva" entre outros, fez uma observação que a maioria de nós sabe: a vida é difícil, quase ao ponto de ser engraçada.

Mas quanto à fatia de pão com manteiga, devemos levar em conta o fato de que um lado está mais pesado que o outro. Significa que no seu caminho até o chão, o lado mais pesado vai virar para baixo graças à gravidade, e não vai virar para cima de volta justamente por causa da gravidade. Afinal o lado da manteiga é mais pesado do que o lado sem manteiga. Então Kipling estava certo - uma fatia de pão com manteiga vai sempre cair com a manteiga para baixo.

Abaixo estão listados os dez princípios científicos estudados que se aplicam às artes marciais, principalmente ao judô, sob a máxima de que: "Tudo que pode dar errado, dá ou dará errado:”

1 - O fraco adversário que não foi eliminado do torneio por sorte, de repente, se transforma em Bruce Lee quando tem que lutar com você.

2 - O árbitro sempre estará olhando para o outro lado quando você aplicar os seus golpes perfeitos.

3 - Você terá problemas com o cadarço de suas calças de judô quando houver visitas e estiverem presentes os membros do sexo oposto.

4 - No dia que você consegue deixar o trabalho ou a escola mais cedo para chegar a tempo antes do inicio do treino para tirar uma dúvida, o Sensei vai faltar por estar doente.

5 - O Sensei só vai usá-lo durante as demonstrações de técnicas comuns de imobilização, as técnicas difíceis serão feitas com os outros.

6 - Após uma demonstração impecável, você vai tropeçar e cair quando estiver voltando para o seu lugar.

7 - Após anos de treinamento sem uma única lesão, você vai puxar um músculo da virilha na noite anterior ao seu exame de faixa.

8 – O golpe preferido e único bem aplicado pelo seu adversário é aquele em que o contragolpe foi ensinado no dia em que você faltou.


9 - Não importa quantas vezes você foi ao banheiro antes de seu exame de faixa, mas você invariavelmente estará lá quando chegar a sua vez de ser chamado.

10 - Se você tem que usar seu treinamento em auto-defesa, o pai de seu atacante será um advogado.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Judô: KIAIIIIIII !!!! (O Grito)


Baseado em "Enciclopédia das Artes Marciais” publicado por Rafhael Sampaio em "Judô no Kenkiu"



Para aqueles que nunca tiveram contato com artes marciais, muito provavelmente estranharão o fato de os praticantes emitirem constantemente gritos enérgicos no desenvolver de suas ações, sejam elas de combate ou técnicas de treinamento. No Kendo isso é bastante verdadeiro e um espectador desavisado pode se espantar com a presença constante e obrigatória do kiai durante a prática.

Atletas de várias modalidades desportivas que utilizam da potência muscular gritam durante a execução do movimento, geralmente no momento de maior força. Este grito é muito utilizado em artes marciais como karate, Shaolin kung-fu e judô.

Os atletas de arte marcial usam o grito para promover suas performances aumentando a força e a técnica. Atletas de judô, geralmente no ato de realização das técnicas gritam, este grito é conhecido no esporte como kiai, que literalmente significa “convergência de espírito” que expressa a harmonia entre o corpo e a mente.

Alguns autores sugerem de forma empírica a existência do aumento de força na execução de movimentos de explosão muscular combinados com o grito do kiai, completando que este grito torna os músculos abdominais tensos pelo esforço extra e concentra a força para o instante específico da ação de derrubar o adversário. Ainda não foram verificados na literatura estudos sistematizados que comprovem o aumento de força ou do sinal eletromiográfico durante o grito do kiai.

Fisiologicamente poderíamos defini-lo como uma contração do diafragma com a qual acompanhamos um ataque ou defesa particularmente intensa. Em virtude da mesma expulsamos violentamente o ar retido nos pulmões, produzindo nesse instante um grito breve e profundo.

Na realidade este sistema de energia extra um fato comum em várias atividades que requerem um esforço final, pois com ele se consegue juntar todos os mecanismos musculares e articulares que atuam ao uníssono a partir de um sinal, ao mesmo tempo que se consegue eliminar uma câmara de ar que formaria um colchão absorvente do nosso esforço ao ser provocada a reação do objeto pelo choque da nossa ação.

Além de aproximar-nos ao objetivo, conseguimos provocar no adversário um "choque emotivo" que se traduz num fechar momentâneo dos seus olhos, numa taquicardia e descida da pressão arterial, dificultando-lhe assim o seu desempenho.

No entanto, esta mera análise externa não nos oferece nem a essência nem o significado real do grito nas artes marciais. Etimologicamente kiai (ki = espírito, ai = união) e ki-hap (ki = energia e hap = concentração) nos indicam a conjunção que se pretende conseguir e que não se limita a um mero mecanismo físico ou a um gesto surpreendente para ofuscar o contrário.

O grito pretende libertar a energia inerente do nosso organismo e que como força vital pertencente ao universo acumulamos no tandem, para desta forma conhecida e controlada, ser projetada junto às nossas ações. Mas mesmo tendo em consideração estas premissas doutrinais não devemos pretender alcançar o significado do grito só através de uma manifestação externa e vigorosa, como a de um grito, ou mediante a conjunção de forças implacáveis.

A atitude do grito deve oferecer uma profundidade psíquica íntima e pessoal ao mesmo tempo que intransmissível, a qual se inicia ao vencermos a nós mesmos, pois somos ao mesmo tempo o mais fiel aliado e o pior inimigo, para depois projetar-nos vencendo o contrário antes mesmo do grito, através do poder silencioso do próprio domínio. Conseguir este silêncio interno e poderoso será a causa de uma liberação (grito) intensa e oportuna, sendo o desenvolvimento e cultivo de ambos a base de início do caminho.

Há estudos que comprovam que determinada técnica de kiai potencializa a força de um golpe, agindo aí de forma motivadora para despertar e descarregar toda agressividade necessária para abater um oponente. .No entanto, existem técnicas respiratórias específicas para emitir o kiai de forma considerada adequada. O uso de respiração abdominal se faz necessário para prolongar o kiai, sendo que é desaconselhável apenas gritar usando a força das cordas vocais. É isso que os Sensei querem dizer com o “kiai tem que vir da barriga, de dentro”. Na verdade, a contração do diafragma, na altura do tanden (região abdominal 3 ou 4 dedos abaixo do umbigo), acompanhada da expiração e emissão do som é o princípio básico da técnica.

A devida preparação mental também é importante, pois gritar por gritar qualquer um faz, mas demonstrar força, presença e sentimento combativo frente a um adversário é o fator decisivo para um bom kiai.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Judô: Shime Waza - Muito cuidado é pouco!


O judô apresenta muitas técnicas que podem ser agrupadas em Nage-waza (técnicas de arremesso) e Katame-waza (técnicas de domínio no solo).

As técnicas nage-waza (técnicas de arremesso) são compostas por dois subgrupos: tachi-waza (técnicas de projeção em pé) e sutemi-waza (técnicas de sacrifício).

A tachi-waza envolve técnicas de perna (ashi-waza), técnicas de braço (te-waza) e técnicas de quadril (koshi-waza) e a sutemi-waza envolve as técnicas de sacrifício laterais (yoko-sutemi-waza) e técnicas de sacrifício frontais (mae-sutemi-waza).

As técnicas katame-waza (técnicas de controle completo por meio da aplicação de golpes/técnicas sobre as articulações ou sistema circulatório do corpo), normalmente utilizadas no combate no solo, são compostas por técnicas de imobilização (ossaekomi-waza ou ossae-waza), técnicas de estrangulamento (shime-waza) e técnicas de chave articular ou chaves de luxação (kansetsu-waza).

Mas aqui só vamos tratar de Shime waza que é o nome do grupo de técnicas de judô e jiu-jitsu tradicional que engloba as técnicas de estrangulamento.
O shime waza do judô tem origem no foco das técnicas de katame waza (técnicas de domínio de solo) da escola kitō-ryū, uma das escolas de jujutsu estudadas pelo fundador do judô, Sensei Jigoro Kano.
Os estrangulamentos podem também visar pontos específicos, relacionados ao fluxo do ki (energia).

Demonstração da técnica hadaka kime.

O shime waza é uma técnica muito especial e que exige muitos cuidados na sua aplicação. Kano a explica da seguinte forma: "Você usa as suas mãos, braços ou pernas contra o pescoço de seu adversário aplicando uma pressão".

No Judô há 3 formas básicas de se aplicar o estrangulamento:

1. Compressão das artérias restringindo o fluxo de sangue e de oxigênio para o cérebro;
2. Compressão da traqueia parando ou restringindo o ar para os pulmões;
3. Compressão do peito e dos pulmões impedindo o adversário de inalar.

O primeiro método, restringindo o fluxo sanguíneo, é o mais eficiente sendo até seis vezes mais rápido do que os outros. O triângulo formado em volta do pescoço pressiona a carótida superior, artéria carótida comum e ramos, veia jugular interna, nervo Vago e ramos e também a artéria laríngea superior.

Imagens abaixo, representando a parte interna do pescoço e mostrando o local exato de onde a pressão é mais forte.

   
Para a realização do Shime Waza é necessário que se aplique uma pressão no pescoço do adversário através da gola do judogui ou diretamente com o antebraço fazendo com que seja obstruído o fluxo sanguíneo da carótida comum. A obstrução completa de sangue que flui para o cérebro ou a asfixia ocasionada pelo fechamento total da traquéia pode resultar em danos terríveis ao corpo e até mesmo à morte.

1. A inconsciência ocorre aproximadamente de 8 a 14 segundos da aplicação do estrangulamento;
2. Pode ocorrer convulsões parecidas com epilepsia.
3. Taquicardia e hipertensão causada pela estimulação do nervo Vago.

O Katsu (ressuscitamento):

Se após a aplicação de um shime Waza houver inconsciência é necessário que se aplique as técnicas de Katsu, ou seja, técnicas de ressuscitamento. Normalmente a pessoa desperta após uns 20 ou 30 segundos.

Primeiro se deve analisar se a vítima está ou não respirando e se tem pulso.
Manobras:
Massagem direta no triângulo Carotídeo Superior (para estimular o seio carotídeo);
Bater levemente na sola do pé e na testa;
Massagem no peito como se empurrasse o ar e o sangue em direção a sua cabeça;
Sente a vítima e coloque a patela diretamente na sua espinha dorsal;
Ajoelhe-se do lado da vítima e ponha sua mão no abdome em cima do umbigo causando pressão no plexo solar.
Se a vítima não tiver pulso é necessário fazer massagem cardíaca.

Segurança

Estrangulamento é uma técnica que deve ser ensinada e supervisionada por um professor qualificado. No ensinamento ou aplicação em crianças deve se saber das diferenças fisiológicas envolvidas em relação aos corpos.
Evitar períodos desnecessários de inconsciência, sinalizando para o adversário a desistência, soltar o adversário imediatamente após sua desistência.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

O Judô no Brasil


As primeiras referências que encontramos quanto à introdução do Judô no Brasil, datam de muitos anos após a criação desta arte-esporte no Japão, pelo mestre Jigoro Kano.

A história do judô no Brasil é tão antiga quanto a presença japonesa em nosso território. A arte marcial desembarcou por aqui junto com os primeiros imigrantes nipônicos vindos no navio Kasato Maru, que ancorou no Porto de Santos, litoral paulista, em 18 de junho 1908. Com os recém-chegados, o judô subiu a serra e foi parar nas fazendas de café do interior do Estado de São Paulo, onde muitos dos imigrantes trabalharam como lavradores. Nas fazendas, os japoneses formavam suas colônias e dentro delas, restritamente, cultivavam inúmeros hábitos típicos de sua terra natal; entre os quais, a prática do judô. Assim como os outros hábitos, o cultivo do judô dentro da colônia japonesa servia para que matassem a saudade da Terra do Sol Nascente. Mas nesse primeiro momento não havia a intenção de compartilhar a arte marcial com os brasileiros.

Com referência ao judô, entretanto não há registros de nomes, datas ou locais. Mas foi no início dos anos vinte que o judô chegou ao Brasil, impressionando os esportistas pela facilidade com que se venciam os desafios feitos aos nossos lutadores, há ainda quem cite um certo professor Miura que teria ensinado judô em nossa pátria por volta de 1903.

A multiplicidade de datas pela forma como foi introduzido o judô em nosso país é difícil de explicar, pois de um lado há uma corrente formada pelos pioneiros do Kasato Maru e subseqüentes, que se dedicando a outros misteres, principalmente a agricultura, faziam do judô um derivativo, uma atividade social, uma forma de manter laços e apagar a saudade da pátria longínqua. Poderia se dizer que praticavam um judô localizado, restrito a pequenos grupos e sem fins lucrativos. O primeiro registro com referência a esse grupo iriam para Tatsuo Okoshi, que chegou ao Brasil em 1924, seguindo-se Katsutoshi Naito, Sobei Tani, Ryuzo Ogawa e outros mais.

Por outro lado, o verdadeiro impulso foi no inicio da década de vinte, através de outra corrente onde estavam os "lutadores", isto é, aqueles que lançando e aceitando desafios, lutando publicamente, além de buscarem a implantação do judô entre nós, faziam disso uma forma de subsistência ou complementação financeira. Entre este colocaríamos Eisei Mitsuyo Maeda (Conde Koma) e Soishiro (Shinjiro) Satake, alunos de Jigoro Kano, Takagi Saigo, Geo Omori, Yasuichi Ono. O início do judô no Brasil ocorreu sem instituições organizadoras. Apenas na década de 1920 e início dos anos 1930 chegaram ao Brasil os imigrantes que conseguiram organizar as práticas do judô e kendô no país.

A primazia pode realmente estar com os japoneses do Kasato Maru, entretanto a forma mais válida e que melhores resultados trouxeram na época foi à atuação dos lutadores, que atingiam com seus espetáculos um número bem maior e de forma mais positiva os possíveis interessados. Com o passar do tempo essa situação inverteu-se, já não mais havendo os espetáculos como eram proporcionados naqueles tempos. Assim se uns chegaram primeiro, os outros atuaram de forma mais objetiva e eficiente para a implantação do judô naquela época.

Foi em 1914 que chegou ao Brasil Eisei Mitsuyo Maeda, tendo ele a seu crédito o primeiro registro nos anais da história do judô brasileiro, aceitando desafios e ganhando todos, promovendo assim esse esporte. Radicou-se finalmente em Belém do Pará, onde montou sua escola com algum sucesso.
Maeda nasceu em 18 de novembro de 1878, no povoado de Funazawa, cidade de Hirosaki, provincia de Aomori, (bem ao norte da ilha de Honshu) e não era de origem nobre. Frequentou a escola Kenritsu Itiu (atualmente Hirokou — uma escola de Hirosaki). Quando criança era conhecido como Hideyo. Quando adolescente, praticou sumô, mas sentia que faltava o ideal para prosseguir nesse esporte. Por este motivo e devido ao interesse gerado pelas notícias sobre o sucesso do judô, principalmente em competições entre judô e jiu-jitsu no qual na maioria das vezes o judô ganhava que estavam ocorrendo naquela época, ele então mudou para esse esporte. Em 1894, aos dezessete anos de idade, seus pais lhe enviaram a Tóquio para se matricular na Universidade de Waseda, onde começou no ano seguinte, a praticar o judô do Kodokan (numa tradução adaptada Instituto de Estudos do Judô).

Ao chegar no Kodokan, Maeda, com 1,64 m de altura e 64 kg, foi confundido com um garoto de entrega, devido a sua origem, tamanho e maneira que com se comportava. Então, o fundador do judô, Jigoro Kano prontamente lhe enviou à Tsunejiro Tomita (4 º dan), que era o menor dos professores do Kodokan. Essa atitude foi uma medida tomada para mostrar que, no judô, o tamanho não era importante. O sensei Tomita foi o primeiro judoca do Kodokan e era um amigo próximo de Jigoro Kano. Segundo a Koyassu Massao (9 º dan): "Entre os quatro do Kodokan, foi Tomita que recebeu a maior quantidade dos ensinamentos do sensei Jigoro Kano ... isso por que Tomita não foi um tão bem sucedido lutador como Saigo, Yamashita e Yokoyama, mas, foi excepcionalmente aplicado nos estudos, e foi também fluente em língua inglesa ...

Embora um dos mais fracos do Kodokan, Tomita era capaz de derrotar o grande campeão de jiu-jitsu desse tempo, Hansuke Nakamura, do estilo tenjin shinyō-ryū.

Juntamente com Soishiro Satake, Maeda foi um dos que encabeçaram a segunda geração do Kodokan, que substituiu a primeira até o início do século XX. Satake, com 1,75 m e 80 kg, era inigualável no sumô amador, mas admitiu que ele próprio não foi capaz de igualar a Maeda no judô. Satake, mais tarde, viajou a América do Sul com Maeda e se estabeleceram em Manaus, Amazonas, enquanto Maeda continuou viajando. Satake se tornaria o fundador, em 1914, da primeira academia historicamente registrada no Brasil. Ele e Maeda são considerados os pioneiros do judô no Brasil.

Naquela época, havia poucos graduados no Kodokan. Maeda e Satake foram os primeiros professores graduados na Universidade de Waseda, ambos sandan (3º dan), juntamente com Matsuhiro Ritaro (nidan ou 2º dan) e seis outros shodans(1º dan). Kyuzo Mifune, matriculado no Kodokan em 1903, atraiu a atenção de Maeda, que comentou: "Você é forte e competente, portanto, certamente vai deixar a sua marca no Kodokan..." No entanto, Mifune teve aulas com Sakujiro Yokoyama. Mais tarde, Mifune disse a Maeda que suas palavras foram fundamentais e de um grande incentivo para ele, e que ele tinha Maeda como a maior admiração, embora Yokoyama fosse seu sensei (instrutor).

De acordo com Mifune, em 1904, Maeda perdeu para Yoshitake Yoshio, depois de derrotar três adversários em sucessão, mas em uma sequência tsukinami shiai derrotou oito adversários em seguida e recebeu a categoria de 4º dan (yondan). Ainda em 1904, Mestre Jigoro Kano aconselhou Maeda a viajar para os Estados Unidos a fim de mostrar aos americanos as habilidades das artes marciais japonesas. Antes de partir, recebeu o quarto grau das mãos de seu mestre. Tomita, Maeda e Satake partiram de Yokohama, em 16 de novembro de 1904, e chegaram a Nova York no dia 8 de dezembro de 1904. Quando Maeda deixou o Japão, o Judô era ainda conhecido como “Kano Ju-Jutsu" ou ainda, mais genericamente apenas “Ju-Jutsu”.


Yasuichi Ono, Soishiro Satake, Tokugoro Ito e Mitsuyo Maeda em 1912

Maeda viajou para diversos locais realizando lutas e demonstrações, entre eles: a Espanha, Rússia, Alemanha, Itália e Inglaterra, México, Cuba, América Central e a América do Sul em 1913 e 1914.

Mifune, afirmou que Maeda foi um dos maiores promotores do judô, não através de ensinamentos, mas através de seus combates, muitos destes, com competidores de outras disciplinas.7 Maeda tratava alunos experientes e inexperientes, da mesma forma, tratando-os como se fosse um combate real. Ele argumentou que esse comportamento era uma medida de respeito para com seus alunos, mas foi muitas vezes incompreendido e assustou muitos jovens, que o abandonavam em favor de outros professores.

De acordo com uma cópia do passaporte de Maeda fornecido por Gotta Tsutsumi, presidente da Associação Paramazônica Nipako de Belém, Maeda chegou ao Brasil, vindo da Argentina, pela cidade de Porto Alegre, estado do Rio Grande do Sul, em 14 de novembro de 1914, porém a história contada no site da CBJJ que foi na cidade de Santos São Paulo onde ele desembarcou primeiro ao chegar no Brasil. Foi na própria Porto Alegre que fizeram, então, sua primeira demonstração de judô. Depois disso, Maeda e seus companheiros se apresentaram ao longo do país: passando por Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, São Luiz, Belém. Em 18 de dezembro de 1915 em Manaus. Em 20 de dezembro de 1915, chegaram a Belém, onde se apresentaram no Theatro Politheama. Na ocasião da primeira apresentação em Belém, o jornal da cidade "O Tempo", anunciou o evento, afirmando que "Conde Koma" iria mostrar as principais técnicas do "jiu-jitsu" exceto aqueles proibidos. Maeda também demonstrou técnicas de auto-defesa. Depois disso, o grupo começou a aceitar desafios da multidão, e a pedido de todos, houve uma luta "sensacional" de "jiu-jitsu" entre Shimitsu, campeão da Argentina, e Laku, militar peruano e professor.

Em 22 de dezembro de 1915, de acordo com o jornal "O Tempo", Maeda enfrentou Satake, numa "sensacional luta". No mesmo dia, Nagib Assef, um campeão australiano de origem turca de luta greco-romana, desafiou Maeda, que não quis lutar na ocasião. Em 24 de dezembro de 1915, Maeda derrotou em segundos o pugilista Barbadiano Adolpho Corbiniano, que se tornou um dos seus discípulos. Em 3 de janeiro de 1916, no Theatro Politheama, Maeda finalmente lutou contra Nagib Assef, que foi jogado por Conde Koma, para fora do palco. Em 8 de janeiro de 1916, Maeda, Okura e Shimitsu embarcaram no SS Antony, que partiu para Liverpool. Ito Tokugoro foi para Los Angeles. Satake e Laku foram para Manaus, onde ensinariam jiu-jitsu. Após 15 anos juntos, Maeda e Satake haviam finalmente se separado. Desta última viagem, pouco se sabe. Maeda viajou da Inglaterra para Portugal, depois foi para Espanha e, em seguida, para França, voltando para o Brasil em 1917 sozinho. De volta ao Brasil, Maeda fixou-se em Belém do Pará, onde casou com May Iris. Depois adotou Celeste e Clívia, suas únicas filhas.


Maeda, May Iris e uma das filhas

Em 1917 Carlos Gracie, 14 anos, filho de Gastão Gracie, assistiu a uma demonstração dada por Maeda, no Teatro da Paz, e decidiu aprender judo (conhecido na época como "kano jiu-jitsu"). Maeda aceitou Carlos como um estudante. Carlos passou, então, a ser um grande expoente da arte e, finalmente, com o seu irmão mais novo, Hélio Gracie, tornou-se o fundador do gracie jiu-jitsu, ou modernamente chamado de "brazilian jiu-jitsu" ou, "jiu-jitsu brasileiro". Entre estes alunos, estava também Luiz França que, mais tarde seria mestre de Oswaldo Fadda. Ambos seriam os responsáveis pelo surgimento de outro ramo do jiu-jitsu no Brasil.

Maeda era popular no Brasil, e reconhecido como um grande lutador, mas ele lutou apenas esporadicamente após o seu retorno. Entre os ano de 1918-1919, Maeda aceitou um desafio do famoso capoeirista brasileiro conhecido como "Pé de Bola". Maeda, permitiu até que Pé de Bola usasse uma faca na luta. O capoeirista tinha 1,90 m de altura e pesava 100 kg. Mas, mesmo armado, Maeda venceu a luta facilmente usando o judô. Em 1921, Maeda fundou sua primeira academia judô no Brasil no Clube do Remo, bairro da cidade velha, e sua construção foi num galpão de 4m x 4m. Mais tarde, a escola foi transferida para a sede do Corpo de Bombeiros, e depois para a sede da Igreja de Nossa Senhora de Aparecida. Desde 1991, a Academia situa-se no SESI, a saber, é dirigida pelo sensei Alfredo Mendes Coimbra, da terceira geração de descendentes do Conde Koma.

Em 18 de setembro de 1921, Maeda, Satake, e Okura foram brevemente para Nova York. Eles estavam a bordo do navio a vapor Booth Line SS Polycarp. Todos os três homens foram listados em suas profissões como professores de "juitso". Depois de deixar Nova York, os três homens foram para o Caribe, onde permaneceram de setembro a dezembro de 1921. Em algum ponto nesta viagem, Maeda foi acompanhado por sua esposa. Em Havana, Satake e Maeda participaram de alguns torneios. Seus adversários incluíram Paul Alvarez, que lutou como "Español Icognito". Alvarez derrotou Satake e Yako Okura, antes de ser derrotado por Maeda. Maeda também derrotou um boxeador cubano chamado Jose Ibarra, e um lutador francês chamado Fournier.

Na década de 20 Maeda se envolveu na ajuda a imigrantes japoneses perto de Tomé-Açu, quando teve início o processo da imigração japonesa, participou ativamente do projeto servindo como intérprete e mediador do interesse japonês e do governo do estado. Continuou também a ensinar o judô, principalmente para os filhos dos imigrantes japoneses. Em dezembro de 1928 quando foi fundada em Belém a Companhia Nipônica de Plantações do Brasil S/A, fez parte da sua diretoria assumindo o cargo de conselheiro fiscal. Que foi parte de uma grande extensão da Floresta Amazônica reservada para o estabelecimento de japoneses pelo governo brasileiro. No inicio as lavouras cultivadas pelos japoneses não eram populares entre os brasileiros, na época, a colônia de imigrantes japoneses foi vista pelos antinipônicos como estratégia do Império do Japão em utilizar seus imigrantes instalados em "verdadeiros latifúndios" para promover, no futuro, o domínio político e militar sobre o Brasil.

Em 1929, o Kodokan lhe promoveu ao sexto dan. Em 11 de março de 1930, naturalizou-se brasileiro com o nome de Otávio Mitsuyo Maeda. E em 27 de novembro de 1941, o Kodokan lhe promoveu ao sétimo dan. Mas Maeda nunca soube desta promoção, porque faleceu em Belém, em 28 de novembro de 1941, aos 63 anos. A causa da morte foi doença renal, sendo sepultado no cemitério Santa Isabel. Em maio de 1956, um memorial para Maeda foi erguido em Hirosaki, Japão. Cerimônia de inauguração contou com a presença de Risei Kano e Kaichiro Samura.

Ainda em 1924 ou 1925 chega Takagi Saigo, instalando-se em São Paulo e como não obteve bons resultados, prontamente voltou ao Japão.

Nessa mesma época chegou também Tatsuo Okoshi, membro do Kodokan e kodansha (nono dan, faixa vermelha, distinção máxima do esporte), que teve participação bem maior no desenvolvimento do judô brasileiro. Foi o fundador e primeiro presidente no Brasil da Associação dos Faixas Pretas do Kodokan e em 1958, também ajudaria a fundar e seria o primeiro diretor técnico da Federação Paulista de Judô (FPJ), a primeira federação estadual do País.

Mas Okoshi teve muita ajuda. E um dos seus aliados na difusão do esporte foi a chegada, em 1928, foi de Katsuoshi Naito, 7º dan, que se radicou em Suzano, São Paulo. Sua participação na organização e consolidação do nosso judô foi marcante. Ocupou pela primeira vez a função de diretor do departamento de judô da Federação Paulista de Pugilismo, então mentora oficial do nosso esporte, antes da fundação da Federação de Judô. Por estar numa cidade do interior, Naito era a principal figura do que à época se chamava Kodokan do interior, enquanto Okoshi era o homem-forte do kodokan da capital.

Seria também em 1928 que chegou Geo Omori, lutador extraordinário, que lançando e aceitando desafios, muitos deles no antigo Circo Queirolo, em São Paulo, a exemplo de Mitsuyo Maeda, ganhava sempre e assim chamando a atenção e contribuindo à sua maneira para manter viva a tênue chama que mais tarde viria transformar-se num dos maiores esportes brasileiros.

Outro a chegar em 1928 foi Yasuichi Ono, então 3º dan, que também aceitando desafios e trabalhando com extrema dedicação pelo judô, fez jus a que seu nome fosse inscrito com todo mérito e justiça nas páginas da história do nosso esporte. Em 1932 abre a sua primeira academia, mãe de muitas outras que prosperaram e dão continuidade ao trabalho do grande mestre, hoje 9º dan.

Somente nas décadas de 1930 e 1940 alguns professores se dedicaram à divulgação e à prática do judô, com a corrente migratória japonesa que se instalava em São Paulo, muitos outros mestres surgiram iniciando a prática do judô nas colônias interioranas de São Paulo, na Cidade do Rio de Janeiro, na Baixada Fluminense e em Itajaí.

Grandes mestres se destacaram, mas, persistiam alguns mantendo a antiga denominação de ju-jutsu, originando discussões, dissociando uma denominação da outra, obrigando aqueles que se empenhavam na divulgação do judô a um exaustivo trabalho de doutrinação chegando, muitas vezes, ao extremo de aceitar desafios, para confronto entre seus participantes. Ainda na década de 1930, mais precisamente em 1931 chega Sobei Tani, 6º dan, estabelecendo-se com sua academia em Jaraguá, São Paulo, de onde saíram grandes campeões como os irmãos Shiozawa, Koki Tani e outros. Outros mais foram chegando e localizando-se no interior, levando para diversas regiões onde a imigração japonesa era mais intensa, o esporte que só mais tarde iria frutificar e tornar-se popular. Chegava ainda ao Brasil em 1934 o mestre Ryuzo Ogawa, 8º dan, fundando a academia Ogawa (Budokan), com o único objetivo de aprimorar a cultura física, moral e espiritual, através do esporte de quimono (keikogi), obedecendo aos princípios morais e filosóficos pregados pelo mestre Jigoro Kano. Não se poderá deixar de reconhecer que o grande passo para o crescimento do judô no Brasil foi iniciado com o mestre Ogawa, em 1938, quando o mesmo juntamente com um grupo de idealistas oriundos do longínquo Japão, começaram um trabalho de amplos ideais, que visava projetar este nosso esporte na preferência dos brasileiros, separando-o definitivamente do ju-jutsu. Esse trabalho foi à conquista final para a confirmação do judô no Brasil, sobrepondo-se ao ju-jutsu e expandindo-se rapidamente para o interior, onde em algumas regiões, embora muito discretamente já era praticado. Com a mesma intensidade e rapidez investiu também para outros estados, alastrando-se praticamente por todo Brasil.

Na década de 1940 consolida-se o prestígio do judô em todo o Brasil, esclarecidas as dúvidas quanto às suas origens do antigo ju-jutsu, propagando-se a sua prática no Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, dentre outros estados, fundando-se novas academias e crescendo o número de seus praticantes.

Assim a mercê do esforço e dedicação de japoneses e brasileiros, o judô progride a passos largos. Em São Paulo, no ano de 1951 foi realizado o seu primeiro campeonato oficial. Em 1954 o Rio de Janeiro também realiza o seu. Ainda em 1954, realiza-se o primeiro Campeonato Brasileiro, tendo como sua maior expressão o judoca Massayoshi Kawakami, campeão nas categorias 3º dan e absoluto. Em 1956, o Brasil participa pela primeira vez de uma competição no exterior, mais precisamente do II Campeonato Pan-Americano, realizado em Cuba, ficando em honroso segundo lugar. Formavam a equipe os judocas Massayoshi Kawakami, Sunji Hinata, Augusto Cordeiro, Luiz Alberto Mendonça, Hikari Kurachi e Milton Rossi.

Continuando com mais força nos anos 50 o já vigoroso crescimento da década de 40, necessário se faz à criação de um órgão mentor para dirigir, coordenar as atividades judoísticas em franco desenvolvimento. Para essa coordenação funda São Paulo a sua federação em 17 de abril de 1958, e o Rio de Janeiro em 09 de agosto de 1962. Dirigia na época o judô no Brasil a Confederação Brasileira de Pugilismo. Dia a dia acentuava-se a necessidade de um órgão nascido nos próprios meios judoísticos, dedicando-se exclusivamente ao judô, que o representasse a nível nacional e internacional. Assim em 18 de março de 1969 foi fundada a Confederação Brasileira de Judô, tendo como seu primeiro presidente Paschoal Segreto Sobrinho.

Em 22 de fevereiro de 1972, foi a Confederação Brasileira de Judô reconhecida oficialmente, sendo então o seu presidente até o início de 1979, Augusto de Oliveira Cordeiro.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Judô: Kimono – Parte 1 - História e Características


Quem já viu ou participa de uma competição ou treino de judô, certamente sabe que o kimono é a vestimenta "oficial" no tatame para todo o atleta de judô.
Por definição Kimono em japonês significa literalmente “coisa de vestir”. Fora do Japão essa expressão designa genericamente uma variada gama de peças e que no conjunto formam um visual considerado típico ou tradicional japonês, mas também é sinônimo da peça principal. No Japão, a peça principal que nós chamamos de kimono é chamada de kosode.
Os Kimonos, como conhecemos hoje, surgiram durante o período Heian (794-1192). Desde o período Nara (710-794), até então, os japoneses usaram basicamente conjuntos para separar as peças de cima e as de baixo (calças ou saias), ou peças únicas. Mas no período Heian, uma nova técnica de confecção do kimono foi desenvolvida. Conhecido como o método de corte em linha reta, envolveu o corte de peças de tecido em linhas retas e a costura em uma peça única. Com esta técnica, os fabricantes de kimono não precisavam se preocupar com a forma do corpo dos diferentes usuários.
O método de corte em linha reta ofereceu muitas vantagens aos kimonos. Eles eram fáceis de pregar e muito adequados para qualquer temperatura: poderiam ser usados em camadas para aquecer no inverno, e poderiam ser feitos em tecidos leves, tornando-se confortáveis para o verão. Essas vantagens ajudaram os Kimonos a fazer parte do cotidiano dos japoneses.
Com o passar do tempo, conforme o hábito de usar kimonos em camadas virou moda, os japoneses começaram a prestar atenção no modo como Kimonos de diferentes cores ficariam unidos e desenvolveram uma grande sensibilidade para cores. Basicamente, as combinações de cores representam tanto as cores da estação quanto as classes políticas às quais cada um pertencia. Foi durante esse tempo, que o que conhecemos como “combinação de cores tradicional japonesa” foi criada.
Durante os períodos Kamakura (1192 - 1338) e Muromachi (1338 - 1573), tanto homens como mulheres usaram kimonos brilhantemente coloridos. Os guerreiros vestiam-se com cores que representavam seus líderes e, algumas vezes, o campo de batalha era tão ostentoso quanto um desfile de moda.
Durante o período Edo (1600 - 1868), o clã do guerreiro Tokugawa reinou sobre o Japão. O país estava dividido entre os domínios, liderado pelos senhores feudais. Os samurais de cada domínio eram identificados pelas cores e modelos de seus "uniformes", que eram constituídos por: um kimono, uma peça sem mangas conhecida como kamishimo, usada sobre o kimono, e um hakama, uma calça parecida com uma saia dividida. O kamishimo era feito de linho, engomado para definir melhor os ombros.
Com tantas roupas para samurais precisando ser feitas, os fabricantes de kimono foram aperfeiçoando sua destreza e sua fabricação transformou-se em uma forma de arte. Os kimonos tornaram-se cada vez mais valiosos e os pais começaram a guardá-los para seus filhos, como uma herança de família.
Durante o período Meiji (1868 - 1912), o Japão foi fortemente influenciado por culturas estrangeiras. O governo encorajou as pessoas a adotarem os hábitos e o estilo de se vestir do Oeste Americano. O governo oficial e os militares foram obrigados por lei a usarem esse estilo de roupa para as funções oficiais (essa lei não tem mais efeito atualmente). Para os cidadãos comuns, era uma exigência usar kimono nas ocasiões formais com peças decoradas que trouxessem o escudo da família, para identificar sua procedência. Nos dias de hoje, os japoneses raramente usam kimonos no dia-a-dia, reservando-os para ocasiões como casamentos, funerais, cerimoniais, ou outros eventos especiais, como festivais de verão.
O kimono que é utilizado para a prática de artes marciais em japonês se chama “Dogi” que significa “vestimenta utilizada no caminho escolhido”. Por isso que a maioria das artes marciais tem os seus kimonos com ‘dogi’ ou ‘gi’ no final. Karate-gi, aikido-gi e seguindo essa sequência, o kimono de judô é chamado de judogi, a contração de “judo + dogi”, o que traduzindo livremente seria algo como “uniforme utilizado para a prática do caminho suave”.

O uso do kimono para prática de artes marciais que o adotam como vestimenta é expressamente importante para a boa apresentação da arte. Claro que não podemos esquecer de que os kimonos de hoje em dia são confeccionados exatamente para tal prática, portanto já testado e aprovado para facilitar a mobilidade do praticante durante os exercícios específicos. Pode-se encontrar diferentes tipos de tecidos e materiais utilizados para confeccionar os quimonos: Poliéster, algodão, diferentes tipos de lona, microfibra, enfim, uma imensa variedade que permite ao próprio praticante escolher qual a melhor opção e em que tipo de material ele melhor se adapta. Quatro peças formam o uniforme de judô ou judogui do judoca: Uwagui ou wagui (casaco ou paletó), Shitabaki (calça), Obi (faixa) e ainda o Zori (sandália japonesa ou chinelo) que é de extrema importância para o atleta, pois também é de responsabilidade do atleta manter a higiene do tatame e não entrar com os pés sujos. Evitando que nas técnicas de chão se ‘esfregue a cara’ em sujeira e que o judogui permaneça limpo, além disso, embora não pareça, pode ser extremamente perigoso, pois o tatame estando sujo se alguém se machucar terá seu ferimento exposto à bactérias o que pode levar a uma infecção.


VOU COMPRAR UM KIMONO, O QUE DEVO OBSERVAR?

MATERIAL
Na hora da escolha do seu kimono ou do seu filho (a) lembre-se sempre de que o material deve ser confortável como qualquer outra roupa, além de atentar-se para o tamanho, pois geralmente os kimonos possuem um percentual de encolhimento entre 3% e 5% do tamanho total. Lembre-se também que é um investimento que você estará fazendo, portanto tenha calma pesquisando e, caso necessário, pedindo ajuda a um profissional da área ou seu professor. Pesquise e escolha o kimono de acordo com suas condições e gosto.

TAMANHO
Uma grande dúvida na hora de comprar o kimono de judô é saber o tamanho correto. Como o kimono não tem somente os tamanhos mais utilizados para roupas – P, M, G e GG – foi preciso criar uma tabela de tamanhos para que pudesse ser mais fácil a identificação do tamanho de cada judoca. Essa numeração também é diferente para homens, mulheres e crianças, e para você não se perder mais, basta utilizar essa tabela abaixo, fazendo, se necessário, os devidos ajustes:
INFANTIL
Idade Até 3 anosde 3 até 5 anos de 5 até 7 anos de 7 até 9 anos de 9 até 11 anos de 11 até 13 anos
Tamanho
M00
M0
M1
M2
M3
JR
MASCULINO
AlturaAté 1,70mde 1,70 até 1,80m de 1,80 até 1,90m de 1,90 até 2,00m
PesoAté 65kgde 65 até 80kg de 80 até 95kg de 95 até 110kg
Tamanho
A1
A2
A3
A4
FEMININO
AlturaAté 1,50mde 1,50 até 1,60mde 1,60 até 1,70msw 1,70 até 1,80mde 1,80 até 1,90mde 1,90 até 2,00m
PesoAté 45kgde 45 até 55kg de 55 até 65kg de 65 até 80kgde 80 até 95kgde 95 até 110kg
Tamanho
F1(infantil)
F2(infantil)
F3(adulto)
F4(adulto)
F5(adulto)
F6(adulto)


CARACTERÍSTICAS
Antigamente encontravam-se somente tecidos de lona e mais pesados, tradicionalmente usavam-se esses tipos de kimonos que além de apresentarem maior durabilidade, moldavam-se melhor à definição das bases. Porém, com o passar do tempo, kimonos grossos e pesados foram cedendo lugar aos kimonos mais leves e que permitissem maior facilidade na movimentação dos membros superiores e inferiores.

COR
Apesar dos fornecedores de artes marciais venderem muitos modelos de kimono, as regras oficiais da IFJ dizem que cores devem ser brancas ou azuis. Os kimonos de judo tradicionais são brancos. Porém, para treinamento (dia a dia) é mais vantajoso o uso do kimono azul pois o branco fica logo sujo exigindo lavagens frequentes.


MANUTENÇÃO DO KIMONO

A boa manutenção do kimono também poderá aumentar a durabilidade dele. Um kimono de boa qualidade pode durar de cinco a sete anos em bom estado de uso quando bem cuidado. Aqui estão algumas informações úteis para aumentar a durabilidade do seu:
Pendure seu kimono depois de cada treino.
Jamais deixe ele embolado ou dentro de sua bolsa.
Vire o kimono do avesso na hora de lavar.
Não use alvejante nem detergente com alvejante.
Lave seu kimono antes que ele começe a cheirar mal. Sempre lave-o em água fria. Isto ajudará a tirar manchas de sangue, suor e materiais tingidos. (Água quente irá fixar essas sujeiras no kimono).
Se precisar usar secadora, use em ciclo baixo, tenha sempre em mente que a máquina de secar poderá aumentar o encolhimento do seu kimono. Secar o kimono naturalmente irá aumentar a vida útil dele.

Judô: Kimono - Parte 2 - Normas para Competições



O grande dia chegou, você treinou e agora está em busca da sua medalha. Mas saiba que além das regras do tatame, o seu kimono também precisa seguir algumas regrinhas básicas, no caso das competições brasileiras, os competidores deverão seguir as normas da Confederação Brasileira de Judô e usar um judogui obedecendo as seguintes condições:
:
NORMAS GERAIS PARA CONTROLE DE JUDOGUI - NGCJ

Este documento baseado no JUDOGUI REQUERIMENTS AND JUDOGUI CONTROL PROCEDURE da Federação Internacional de Judô – FIJ, visa estabelecer o padrão nacional para a utilização dos judoguis em competições realizadas pela Confederação Brasileira de Judô - CBJ.

EQUIPAMENTOS - Serão considerados equipamentos para competição de JUDÔ:
Wagui (parte de cima do Judogui)
Shitabaki (calça)
Obi (Faixa)
Patch de identificação do estado

EVENTOS - Onde as regras serão observadas:
Campeonatos Brasileiros Regionais
Campeonatos Brasileiros - Fase Final
Seletivas Nacionais
Troféu Brasil Interclubes
Grand Prix Nacional de Clubes

RESPONSABILIDADE - O controle do equipamento será de responsabilidade do técnico e do atleta.
Se durante a realização do combate a equipe de arbitragem constatar alguma irregularidade o atleta será desclassificado daquela luta por HANSOKUMAKE.
No credenciamento o representante técnico do atleta ou da delegação assinará o termo que comprove estarem, o Judogui (Wagui, Shitabaki) e obi, em conformidade com as normas deste regulamento.

PATCH - É a identificação visual que deverá ser fixada no Judogui de forma padronizada (ver item X).
Cada competição terá seu patch específico que poderá ser enviado às federações antecipadamente (caso 1), ou fixado durante o credenciamento da competição (caso 2).
CASO 1 – Envio antecipado à Federação:
A responsabilidade da fixação do patch será do atleta que deverá se apresentar para competir com o equipamento completo.
CASO 2 – Fixação no evento:
Neste caso a fixação dos patchs será feita no local da competição e os participantes deverão tomar os seguintes cuidados:
Todos os Waguis deverão ser entregues ao mesmo tempo, devidamente identificados com o nome do atleta;
Devem estar limpos, secos e não pode conter nenhum tipo de mancha, inclusive na parte interna e não podem estar rasgados e conter qualquer tipo de identificação (patch) de eventos anteriores;
Obs.: Caso o atleta no momento do combate, não se apresente com o patch da competição, o mesmo será automaticamente desclassificado desta luta.

COMPETIÇÃO: O Wagui e o Shitabaki devem ser da mesma marca (tipo), da mesma cor (todo azul e/ou todo branco), sendo também da mesma tonalidade (não será permitido uso do Wagui novo com Shitabaki desgastado e/ou desbotado, assim como o contrário)
Os Judoguis devem estar limpos, secos e não pode conter nenhum tipo de mancha, inclusive na parte interna;
Os Judoguis não podem estar rasgados;
O uso da identificação (patch) é obrigatório, caso o atleta entre sem será automaticamente desclassificado;
As dimensões do judogui devem estar em conformidade com o presente regulamento;
O controle de medidas será feito com o atleta já equipado com suas proteções e as exigências de medidas devem ser respeitadas. Obs.: Durante o combate, no caso de o judogui rasgar ou ser manchado de sangue, a sua troca será autorizada.

APLICAÇÕES NO JUDOGUI:
PUBLICIDADE E/OU PATROCÍNIO (ver figura 1) - A aplicação de publicidade somente será permitida no Wagui e não serão aceitas aquelas que fizerem menção política, religiosa ou de qualquer outra modalidade esportiva que não o judô, como também aquelas que fizerem a promoção de tabaco, bebidas alcoólicas ou qualquer substância de uso proibido.
Existem 04 locais possíveis para fixação de publicidade e/ou patrocínio e somente serão permitidas no máximo 04 marcas diferentes;
02 sobre os ombros a partir do colarinho podendo ter no máximo 25 cm x 05 cm.
02 nos braços situadas a 25 cm a partir do colarinho (gola) medindo no máximo 10 cm x 10 cm

EMBLEMA (ver figura 2) - Será permitida a aplicação dos emblemas segundo o seguinte critério:
Se Campeonato Brasileiro Regional, Campeonato Brasileiro Fase Final e Seletiva Nacional - No lado Esquerdo do Wagui, na altura do peito com no máximo 100 cm² (10 cm x 10 cm) a logomarca da Federação Estaduale do lado Direito do Wagui, na altura do peito com no máximo 100 cm² (10 cm x 10 cm) o patrocinador ou logo do clube
Se Troféu Brasil Interclube e Grand Prix Nacional de Clubes - No lado Esquerdo do Wagui, na altura do peito com no máximo 100 cm² (10 cm x 10 cm) a logomarca do clube e no lado direito do Wagui, na altura do peito com no máximo 100 cm² (10 cm x 10 cm) o patrocinador ou a Logomarca da Federação Estadual.

NOME (ver figura 3) - Somente será permitido bordar o nome do atleta nos seguintes locais:
Na parte inferior do Wagui
Na parte superior do Shitabaki
Em uma das pontas da obi
As letras do nome não podem ultrapassar 04 cm de altura e 20 cm de largura quando na horizontal e 20 cm de altura e 04 cm de largura quando na vertical.

PATCH (ver figura 4) - Será permitida a aplicação de 02 (dois) tipos de patch:
Patch com nome (ver figura 4.1) - Esse patch é opcional e é destinado somente ao nome do atleta e sua fixação deve ser feita de forma centralizada, nas costas do Wagui a 03 cm do colarinho. Este patch será confeccionado pelo próprio atleta e poderá ser branco com as letras azuis ou azul com a letras brancas e terá as dimensões de 10 cm x 30 cm.
Obs.: Neste patch somente será permitido o nome e/ou sobrenome do atleta (sem apelidos)
Patch da competição (ver figura 4.2) - Deverá ser aplicado logo abaixo do patch do nome, caso o atleta não tenha o patch do nome o patch da competição deve ser fixado a 13 cm do colarinho e suas dimensões deverão ser de 20 cm x 30 cm.

MEDIDAS - As medidas da Wagui, Shitabaki e Obi deverão estar em conformidade com este regulamento, e serão aferidas com o SOKUTEIKI (ver figura 5), medidor padrão da FIJ.
o Wagui (ver figura 6 e 7):
Deve cobrir completamente as nádegas e deverá ter pelo menos 10 cm entre a extremidade inferior e o joelho.
A verificação das mangas deverá ser feita com os braços em linha reta e os punhos fechados e o Sokuteiki deverá deslizar completamente para dentro da manga sem dificuldade.
A distância entre o final da manga e o punho deve ter no máximo 05 cm.
As lapelas do Wagui devem ter uma distância na altura do umbigo maior ou igual a 20 cm quando cruzadas.
A espessura do colarinho e da lapela dever ser menor ou igual a 01 cm.
A largura do colarinho e da lapela deve ter as medidas entre 04 e 05 cm.
  
O Shitabaki (ver figura 8):
A distância entre a barra da Shitabaki e o maléolo exterior (tornozelo) deve ser menor ou igual a 05 cm.
Deve existir uma distância entre 10 cm e 15 cm do joelho até a Shitabaki.
A Obi (ver figura 9):
A largura deve estar entre 04 cm e 05 cm.
A distância entre o nó e a ponta da obi deve medir entre 20 cm e 30 cm.
O nó deve estar amarrado da forma correta e deve estar firme.
A obi não pode ser feita nem de material rígido, nem escorregadio.
CAMISA (feminino) - O kimono geralmente é mantido fechado pela faixa na cintura, e durante as lutas da competição, é frequentemente puxada para fora e aberto. Para judocas mulheres, isso apresenta um problema de exposição. A IFR dirige-se especificamente a isso em suas regras oficiais, declarando que "as competidoras devem usar, por baixo do wagui, uma camiseta de cor branca longa o suficiente para ser usada dentro das calças e de mangas curtas ou usar um collant de mangas curtas branco".

NORMAS DA FEDERAÇAÕ INTERNACIONAL DE JUDÔ

no caso das competições internacionais, os competidores deverão seguir as normas definidas pela FIJ ou IJF (Internacional Judo Federation). Conheça abaixo as 11 regras que todo judoca precisa saber na hora de preparar seu kimono de judô para uma competição:
O Judogui não deve estar molhado, e nem mostrar manchas particulares em qualquer parte.
O uwagui (paletó) e a shitabaki (calça) devem ser da mesma marca e mesma cor. Cores trocadas não são permitidas.
O nome do atleta no cartão de inscrição deve ser o mesmo do backnumber do kimono;
Para competições organizadas pela FIJ, o selo de “IFJ Approved” no casaco, calça e faixa do judogui são verificados pela sua autenticidade com um dispositivo de lâmpada UV ótica.
O logo do fabricante do judogui aprovado como “IJF Offical Supplier” deve aparecer no paletó, calça e faixa. O logotipo do fabricante deve ser idêntico na jaqueta e na calça do kimono.
O backnumber do atleta deve ser inteiramente costurado nas costas, com o nome do competidor (segundo o seu cartão de inscrição) e a propaganda da competição (a propaganda pode ser diferente de acordo com a cor do kimono – branco ou azul – e o protocolo da competição).
O emblema nacional do atleta deve estar no lado esquerdo do paletó (uwagui) na altura do peito, e também costurado.
O patrocínio do atleta deve seguir as normas espaciais definidas pela IJF.
O judogui completo – uwagui, shitabaki e obi – deve estar de acordo com a regulamentação vigente e acessível para que os técnicos chequem o espaço dos punhos e a largura das calças.
Proteções como joelheiras, ombreiras e caneleiras são todas avaliadas e são proibidas de conter qualquer parte, por menor que seja, de metal ou qualquer material rígido. O controle do tamanho do judogui é realizado com as proteções inclusas.
Cabelos longos devem estar presos.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Judô: Sistema de Graduações - As Faixas Coloridas


A faixa simboliza o ciclo de aprendizagem de um praticante nas diferentes etapas de sua carreira e cada cor tem sua própria energia, vibração e atuação. Percebe-se que cada estilo possui a sua própria seqüência de cores de faixas que nem sempre coincidem umas com as outras. Mesmo assim, algumas evidências científicas sugerem que a luz das diversas cores, que entram pelos olhos, podem afetar diretamente o centro das emoções, possuindo assim, queiramos ou não, um significado. O que se observa mais facilmente é que a cor da faixa vai escurecendo com os anos de dedicação e de prática, até chegar à faixa preta, a qual representa a maioridade técnica do praticante.

É claro que a finalidade prática e primordial da faixa é ajustar o judogui para evitar a sua folga excessiva e permitir uma melhor movimentação, mas não se cre que as suas cores tenham sido escolhidas aleatoriamente ou de forma tão inconsciente.

Nas antigas escolas de jujutsu (koryu), os alunos eram normalmente graduados através de certificados escritos por seus professores garantindo que eles possuiam um certo nível de aprendizado. Entretando, cada escola possuia sua própria forma de nivelar seus alunos, e isso era, para Jigoro Kano, uma desvantagem.

O Judô, assim como a grande maioria das artes marciais modernas, utiliza-se de um sistema de faixas coloridas para determinar a graduação de seus alunos. Esse sistema de graduação, utilizados pelas artes marciais em todo o mundo, foi originalmente criado por Jigoro Kano, o fundador do Judô, sendo depois aperfeiçoado com o passar do tempo.

Em 1883, o Sensei Jigoro Kano fez sua primeira divisão em seus alunos, dividindo-os em Mudanshas (não-graduados) e Yodanshas (graduados). Os mudanshas tem sua graduação divididas em Kyus (nível de habilidade). Os yodanshas tem sua graduação dividida em Dans (grau). Os primeiros judokas que receberam de suas mãos o 1° Dan de faixa preta foram Tsunejiro Tomita e Shiro Saigoem.

Yoshiaki Yamashita foi o primeiro a ser promovido a 10° Dan por Jigoro Kano em 1935. Entre os 10 primeiros que obtiveram o 10° Dan, praticaram em média 58 anos para alcançar essa graduação. Para a graduação superior dos seus alunos o Prof. Jigoro Kano sempre teve a preocupação com a conduta moral, intelectual e a eficiência da técnica em combate, pois seus primeiros graduados tiveram a missão de difundir o Judô pelo mundo. Jigoro Kano se preocupava com a Educação por meio da prática do Judô e propagou ao mundo a importância desse aspecto na orientação dos praticantes.

Jigoro Kano Shihan não possuia dans, pois como fundador do Judô, ele era quem graduava sendo que não se atribuiu nenhum grau. Conta-se que Jigoro Kano defendia que aquele que conseguisse um grau mais elevado ao décimo dan, retornaria à faixa branca, terminando assim o ciclo completo do Judô.

O sistema de faixas coloridas para os diversos kyus foi criado posteriormente na Europa, e daí exportado para o restante do mundo e das artes marciais, pois inicialmente no Japão, a faixa branca era utilizada por todos os níveis de kyus, sendo que algumas escolas utilizavam a faixa marrom para os kyus mais elevados ficando a preta para os yodanshas.

As promoções no judô baseiam-se em exames que incidem sobre requisitos tais como: duração de tempo de treino, idade, caráter moral, execução das técnicas especificadas nos regulamentos e comportamento em competições. Os praticantes de judô se classificam em dois grandes grupos: aluno (Kyu) e mestre (Dan), subdivididos, respectivamente, em oito e dez graduações, e identificados por faixas coloridas (Obi) que usam na cintura. Para os kyu a ordem de graduação é decrescente.

No Brasil, no caso de promoção de graduação de kyu, até a faixa marrom são outorgadas pela instituiçao, associação, agremiação, etc., diferente da promoção das graduações de dan que até o 3º dan são realizadas pela banca examinadora da Liga ou Federação de Judô Estadual e as outras graduações superiores são realizadas pela Comissão Nacional de Graus.

Até 2011 as graduações do Judô que eram utilizadas no Brasil, para os alunos, seguiam a seguinte ordem:
Zero Kyu – Faixa Branca (Iniciante)
7º Kyu - Faixa Cinza – Somente para crianças
6º Kyu – Faixa Azul
5º Kyu – Faixa Amarela
4º Kyu – Faixa Laranja
3º Kyu – Faixa Verde
2º Kyu – Faixa Roxa
1º Kyu – Faixa Marrom
Algumas instituições utilizavam também uma faixa bordô ou vinho como incentivo para as crianças que ainda não tinham idade para receber a faixa cinza mas que já tinham algum tempo de faixa branca.

Após a faixa marrom, o praticante se torna um graduado, um yodansha, ganhando a faixa preta e o primeiro grau, se tornando um Shodan (portador do primeiro grau). A graduação em dans se dá da seguinte maneira:
1º dan – Faixa Preta
2º dan – Faixa Preta
3º dan – Faixa Preta
4º dan – Faixa Preta
5º dan – Faixa Preta
6º dan – Faixa Coral (vermelha e branca)
7º dan – Faixa Coral (vermelha e branca)
8º dan – Faixa Coral (vermelha e branca)
9º dan – Faixa Vermelha
10º dan – Faixa Vermelha

O mais alto grau concedido é a extremamente rara faixa vermelha Judan (10º Dan) que até ao ano de 1965 foi concedida apenas a sete homens. Oficialmente, 15 pessoas conquistaram o 10º dan pela Kodokan, até os dias de hoje. Os três mais recentes foram promovidos em 2006. Por outras instituições, como a Federação Internacional de Judô, há outros que conquistaram o último dan. Keiko Fukuda (9º dan Kodokan) foi a primeira mulher a ser promovida a 10º dan de Judô pela USA Judô e USJF.

O Judô prevê ainda um décimo primeiro dan (Juichidan), que também usaria uma faixa vermelha, e ainda um décimo segundo dan (Junidan) que usaria uma raríssima faixa branca, duas vezes mais larga que a faixa comum, simbolizando o auge da pureza, cores essas tanto vermelha como branca que simbolizam a flor de cerejeira, símbolo do Judô. Esta última apenas foi concedida ao mestre inventor do judo, e a quem todos os judocas estão gratos, o mestre Jigoro Kano.

Há aproximadamente 5 anos atrás, iniciou-se no Japão o movimento de conscientização da necessidade de se voltar às origens do Judô, com objetivo de resgatar os valores históricos e culturais como também dos processos pedagógicos de ensino do Judô inseridos no contexto da formação do cidadão íntegro através da sua prática.
A Federação Internacional de Judô, órgão máximo na gestão do judo mundial, consciente da sua responsabilidade, passou a tomar medidas para o resgate da essência do judô e, a mais importante, foi a alteração na regra de competição implantada em 2010 onde a verdadeira técnica característica do judô foi priorizada, em detrimento daquela que vinha sendo adotada em total desacordo com as raízes do nosso esporte.

Diante dessa realidade, no Brasil, o Conselho Nacional de Graduação realizou um profundo estudo visando uma reformulação no Regulamento de Exame e Outorga de Faixas e Graus da Confederação brasileira de Judô com a intenção de resgatar e preservar estes valores históricos e culturais, como também os valores éticos e morais no ensino do Judô. Junto a isso, houve uma grande preocupação de que estes valores sejam transmitidos de forma pedagógica para que possam ser preservados e passados de geração a geração.
Foi então criado um regulamento que estabeleceu normas, carência e idade mínima para realização de exames de promoção, outorga e controle de faixas e graus do Judô no Brasil que devem ser seguidas pelas Federações filiadas à Confederação Brasileira de Judô.

Esse regulamento, dividiu as antigas graduações em quatro grupos. O primeiro grupo recebeu o nome de "básico" e foi subdividido em oito graduações que além das quatro iniciais recebeu mais quatro faixas, situadas entre as já existentes, são as seguintes:
00 kyu – Faixa Branca (Iniciante)
11º Kyu – Faixa branca ponta cinza
10º Kyu – Faixa Cinza
9º Kyu – Faixa Cinza ponta Azul
8º Kyu – Faixa Azul
7º Kyu – Faixa Azul ponta Amarela
6º Kyu – Faixa Amarela
5º Kyu – Faixa Amarela ponta Laranja
Nas faixas em duas cores, (citadas acima) deverá ser colocada em suas extremidades a cor da faixa seguinte, obedecendo ao limite de 20 cm a 25 cm em cada uma das extremidades.

No segundo grupo chamado "intermediário" ficaram as faixas:
4º Kyu – Faixa Laranja
3º Kyu – Faixa Verde
2º Kyu – Faixa Roxa
1º Kyu - Faixa Marrom

O terceiro grupo chamado "graduados" ficou composto pelas faixas pretas:
1º dan – Faixa Preta
2º dan – Faixa Preta
3º dan – Faixa Preta
4º dan – Faixa Preta
5º dan – Faixa Preta

O quarto e último grupo chamado de "graduação superior" foi formado pelas faixas:
6º dan – Faixa Coral (vermelha e branca)
7º dan – Faixa Coral (vermelha e branca)
8º dan – Faixa Coral (vermelha e branca)
9º dan – Faixa Vermelha
10º dan – Faixa Vermelha

O Significado das Cores nas Faixas do Judô

FAIXA BRANCA – Essa é a cor do desprendimento e da pureza. O branco reflete todas as cores. A própria cor dessa faixa indica que o seu portador ainda possui a ingenuidade e deve procurar manter a mente limpa. Entretanto, ele tem em potencial, todas as cores das demais faixas posteriores cabendo a ele através da fricção do treino árduo segir com a evolução técnica e avançar na evolução das cores. A busca nesse grau é pela purificação e transformação, diante do infinito conhecimento que tem diante de si. Essa faixa nos diz que o iniciante deve buscar a humildade e a imaginação criativa, através da limpeza e da claridade dos pensamentos. É a cor síntese do arco-íris e a mais associada ao sagrado, pois simboliza paz, pureza, perfeição e especialmente o absoluto. Ela nos diz que devemos buscar a pureza, sinceridade e a verdade; repelindo os pensamentos negativos, procurando elevá-los, para que encontremos o equilíbrio interior, segurança e desenvolvamos o instinto e a memória. O branco simboliza uma espécie de coringa, para todos os propósitos, é o substituto para qualquer cor, assim como uma tela em branco esperando para ser pintada.

FAIXA CINZA - A faixa cinza simboliza uma pequena evolução técnica em comparação a faixa branca, essa graduação é dada apenas para praticantes até cerca de 15 anos, para a classe senior essa graduação já não se faz presente.
Já pela mudança da cor branca para a cinza, identificamos que a pureza do praticante começa a ser alterada, porém ainda muito superficial. As características básicas se mantém inalteradas, pois o tempo de prática ainda é muito pequeno se comparado a todo o processo de aprendizado que o judoca terá que passar.

FAIXA AZUL - Significa o Céu, através do qual a planta cresce até tornar-se uma árvore frondosa, enquanto o treinamento do judô progride. O azul se faz intermediário entre o branco e o amarelo. O amadurecimento e a expectativa da evolução se faz presente, visto que o judoca continua dando andamento ao seu aprendizado.
A continuidade dos treinamento fará com que a evolução técnica seja natural, assim como a cor azul se faz no dia a dia da natureza.

FAIXA AMARELA - Assim como um sol que desponta todos os dias, ela significa que é um iniciante ou um recém nascido, que com o tempo irá crescendo e fortalecendo-se, até chegar à maturidade que corresponde à faixa preta. Assim como o sol nascente o conhecimento começa a aflorar para o iniciante. Agora ele pode vislumbrar um pouco da iluminação da descoberta e da realidade do que é o Judô. Entretanto, assim como o amarelo é uma cor primária, isto é, não pode ser formado pela mistura de outras cores, ele também deve manter-se puro dentro da escola de judô que escolheu ainda evitando misturar outras coisas aos conhecimentos já adquiridos. Assim como essa cor, essa graduação lhe traz a alegria, a vida, o calor, a força, a glória, o poder mental e representa o descobrimento. Ela lhe desperta novas esperanças no caminho, dando-lhe vivacidade, alegria, desprendimento e leveza. Agora ele deve procurar desinibir-se para desenvolver seu brilho, mas também diminuir a ansiedade e as preocupações, construindo sua confiança, energia e inteligência na solução dos problemas que surgirão. A cor dessa graduação mostra que o praticante deve reter conhecimentos e desenvolver a luz da sabedoria e da criatividade, e assim como o sol, ela deve trazer a luz para as situações difíceis. O Amarelo simboliza: criatividade, as idéias, o conhecimento, alegria, juventude e nobreza. Apesar do amarelo estar relacionado ao elemento terra, também é uma cor Yang e representa o descobrimento e a abertura para o conhecimento.

FAIXA LARANJA - Esta é uma cor que é a mistura do vermelho com o amarelo, representado que o conhecimento do grau anterior deve estar contido nesta graduação e trazendo as qualidades dessas duas cores. Nos diz que devemos procurar o sucesso no treino diário, agilidade, adaptabilidade, estimulação, atração e plenitude. Essa cor também simboliza aquilo que o praticante deve buscar: o encorajamento, estimulação, robustez, atração, gentileza, cordialidade e tolerância. Esta é a cor da comunicação, do calor afetivo, do equilíbrio, da segurança e da confiança. Quem chega nessa faixa deve acreditar que agora tudo é possível, pois essa cor estimula o otimismo, generosidade, entusiasmo e o encorajamento. A cor laranja mostra ao praticante que ele deve fortalecer as energias e a sua vontade de vencer.A cor laranja está situada entre o elemento fogo e o elemento terra, portanto, carrega um pouco das características dos dois elementos. Também é uma cor Yang.

FAIXA VERDE - O verde é uma cor que representa Esperança e a Fé. É a cor mais harmoniosa e calmante de todas. Ela simboliza harmonia e o equilíbrio. Essa cor, que nos chega depois das cores quentes iniciais, nos dá a impressão de que chegamos a um oásis, depois de atravessar um árduo deserto, mas devemos saber que ainda há mais deserto a vencer. Ela também representa as energias da natureza, esperança, perseverança, segurança e satisfação; fertilidade. O portador deve procurar desenvolver a sua sensibilidade para se comunicar com a natureza interna e externa a si mesmo. Significa também a harmonia em que devemos estar com ela, junto com o ar, a água e o fogo, elementos da vida que proporcionam bem-estar ao ser humano. Essa cor simboliza uma vida nova, a energia, a fertilidade, o crescimento e a saúde. Por outro lado, quando em mau aspecto, mostra um orgulho excessivo, superioridade e arrogância. O verde é ligado ao elemento madeira e a primavera.
Representa o crescimento, desenvolvimento, natureza e saúde. Também significa a etapa da juventude, estando relacionado a este estado emocional, mostrando assim, que os conhecimentos ainda não se encontram bem claros ou maduros para os praticantes; ainda lhes falta amadurecer mais e delineá-los melhor.

FAIXA ROXA OU VIOLETA - O roxo é uma mistura das cores azul e vermelho.Essa é a cor usada pelos sacerdotes católicos para refletir santidade e humildade. Ela gera sentimentos como respeito próprio, dignidade e auto-estima. Esta é uma cor metafísica. É também a cor da alquimia, das transformações e da magia. Ela é vista como a cor da energia cósmica e da inspiração espiritual. A cor violeta é excelente para purificação e cura dos níveis físico, emocional e mental. Simboliza: dignidade, devoção, piedade, sinceridade, espiritualidade, purificação e transformação. Quando em mau aspecto determina manias e fanatismo. Representa o mistério, expressa sensação de individualidade, influenciando emoções e humores, mas também simboliza a dignidade, a inspiração e justiça. Gera tensão, poder, tristeza, piedade, sentimentalidade. Tendo isso tudo em mente, a cor desta graduação nos indica que devemos encontrar novos caminhos e a elevar nossa intuição espiritual.

FAIXA MARROM - É a cor da solidificação. Representa a constância, a disciplina, a uniformidade adquirida e a observação das regras mantidas até aqui. Representa a conexão do praticante com o patrono do estilo que lhe foi passado, representado por seus mestres (Sensei). Para criar essa cor, você precisa misturar o vermelho com o preto e, portanto, ela tem alguns dos seus atributos. Também representa a autocrítica e a dependência dos mestres para chegar até aqui. Significa que se está completando o processo de amadurecimento, tanto nos conhecimentos técnicos quanto no aspecto mental. Essa faixa, pela sua cor, emana a impressão de algo maciço denso, compacto. Sugere segurança e isolamento. Representa também uma poluição que deve sempre ser limpa, através da prática fiel aos princípios do Budô. Uma pessoa que gosta de vestir-se com marrom por certo é extremamente dedicada e comprometida com seu trabalho, sua família e seus amigos. A cor marrom gera organização e constância, especialmente nas responsabilidades do cotidiano. As pessoas que gostam de usar essa cor são capazes de ir “à raiz das coisas” e lidar com questões complicadas de forma simples e direta. São pessoas “sensatas”.

FAIXA PRETA – Sho Dan – 1º Dan - É a junção de todas as cores. Enfim o corpo e a mente chegaram ao final de uma jornada e ao início de outra mais elevada. A faixa na cor preta, representa humildade, autocontrole, maturidade, serenidade, disciplina com responsabilidade, dignidade e conhecimento. É a cor do poder, induz a sensação de elegância e sobriedade.
Observe-se que na maioria das sociedades ocidentais, o preto quase sempre é a cor da morte, do luto e da penitência, mostrando assim, o estado mental, para o mundo, de quem atingiu essa graduação. Em geral, essa cor é usada por pessoas que rejeitam as regras convencionais ou são regidos por outras normas sociais, como é o caso dos padres ou dos guerreiros que seguem ao Budô. Essa cor também nos dá uma noção de tradição e responsabilidade. É a ausência de vibração da “não cor” que dá a sensação de proteção ou afastamento.

FAIXA CORAL – Rokudan, Shitchidan e Ratchidan -6º a 8º DAN - É caracterizada pelas cores branca e vermelha.

FAIXA VERMELHA -Kyodan e Judan (Jodan) – 9º e 10º DAN - A cor vermelha sugere motivação, atividade e vontade. Ela atrai vida nova e pontos de partida inéditos. Essa é a cor do fogo, da paixão do entusiasmo e dos impulsos é a cor mais quente, ativa e estimulante. Ainda é uma cor primária que não pode ser formada pela mistura de outras cores, mostrando assim, que o praticante ainda deverá manter-se puro e fiel ao estilo de que elegeu. Essa faixa, pela sua vibração, dá mais energia física, mostrando que agora, mais do que nunca é necessária força de vontade para não desistir da conquista dos seus ideais. Persistência, força física, estímulo e poder são seus traços típicos. Embora o vermelho represente agressividade, perigo, fogo, sangue, paixão, destruição, raiva, guerra, combate e conquista, também simboliza aquilo que deve ser contido pelo seu portador. Esta cor faz com que você se sinta mais vigoroso, expansivo e pronto para avançar adiante em algum sentido evidente. Ela tende a atrair o olhar das pessoas e chamar a atenção. Se você usar vermelho, isso pode indicar que tem ardor e paixão, ferocidade e força. As pessoas que gostam de ação e drama apreciam essa cor. É uma cor de uma energia muito forte e o praticante deve ter o cuidado e a persistência para não se deixar ser vencido por ela e desistir do caminho.Sendo a cor do sangue, o vermelho também está relacionado à vida e à força de uma energia vital máxima. Esta também é uma cor Yang.



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