quarta-feira, 3 de junho de 2015

Judô: Kimono – Parte 1 - História e Características


Quem já viu ou participa de uma competição ou treino de judô, certamente sabe que o kimono é a vestimenta "oficial" no tatame para todo o atleta de judô.
Por definição Kimono em japonês significa literalmente “coisa de vestir”. Fora do Japão essa expressão designa genericamente uma variada gama de peças e que no conjunto formam um visual considerado típico ou tradicional japonês, mas também é sinônimo da peça principal. No Japão, a peça principal que nós chamamos de kimono é chamada de kosode.
Os Kimonos, como conhecemos hoje, surgiram durante o período Heian (794-1192). Desde o período Nara (710-794), até então, os japoneses usaram basicamente conjuntos para separar as peças de cima e as de baixo (calças ou saias), ou peças únicas. Mas no período Heian, uma nova técnica de confecção do kimono foi desenvolvida. Conhecido como o método de corte em linha reta, envolveu o corte de peças de tecido em linhas retas e a costura em uma peça única. Com esta técnica, os fabricantes de kimono não precisavam se preocupar com a forma do corpo dos diferentes usuários.
O método de corte em linha reta ofereceu muitas vantagens aos kimonos. Eles eram fáceis de pregar e muito adequados para qualquer temperatura: poderiam ser usados em camadas para aquecer no inverno, e poderiam ser feitos em tecidos leves, tornando-se confortáveis para o verão. Essas vantagens ajudaram os Kimonos a fazer parte do cotidiano dos japoneses.
Com o passar do tempo, conforme o hábito de usar kimonos em camadas virou moda, os japoneses começaram a prestar atenção no modo como Kimonos de diferentes cores ficariam unidos e desenvolveram uma grande sensibilidade para cores. Basicamente, as combinações de cores representam tanto as cores da estação quanto as classes políticas às quais cada um pertencia. Foi durante esse tempo, que o que conhecemos como “combinação de cores tradicional japonesa” foi criada.
Durante os períodos Kamakura (1192 - 1338) e Muromachi (1338 - 1573), tanto homens como mulheres usaram kimonos brilhantemente coloridos. Os guerreiros vestiam-se com cores que representavam seus líderes e, algumas vezes, o campo de batalha era tão ostentoso quanto um desfile de moda.
Durante o período Edo (1600 - 1868), o clã do guerreiro Tokugawa reinou sobre o Japão. O país estava dividido entre os domínios, liderado pelos senhores feudais. Os samurais de cada domínio eram identificados pelas cores e modelos de seus "uniformes", que eram constituídos por: um kimono, uma peça sem mangas conhecida como kamishimo, usada sobre o kimono, e um hakama, uma calça parecida com uma saia dividida. O kamishimo era feito de linho, engomado para definir melhor os ombros.
Com tantas roupas para samurais precisando ser feitas, os fabricantes de kimono foram aperfeiçoando sua destreza e sua fabricação transformou-se em uma forma de arte. Os kimonos tornaram-se cada vez mais valiosos e os pais começaram a guardá-los para seus filhos, como uma herança de família.
Durante o período Meiji (1868 - 1912), o Japão foi fortemente influenciado por culturas estrangeiras. O governo encorajou as pessoas a adotarem os hábitos e o estilo de se vestir do Oeste Americano. O governo oficial e os militares foram obrigados por lei a usarem esse estilo de roupa para as funções oficiais (essa lei não tem mais efeito atualmente). Para os cidadãos comuns, era uma exigência usar kimono nas ocasiões formais com peças decoradas que trouxessem o escudo da família, para identificar sua procedência. Nos dias de hoje, os japoneses raramente usam kimonos no dia-a-dia, reservando-os para ocasiões como casamentos, funerais, cerimoniais, ou outros eventos especiais, como festivais de verão.
O kimono que é utilizado para a prática de artes marciais em japonês se chama “Dogi” que significa “vestimenta utilizada no caminho escolhido”. Por isso que a maioria das artes marciais tem os seus kimonos com ‘dogi’ ou ‘gi’ no final. Karate-gi, aikido-gi e seguindo essa sequência, o kimono de judô é chamado de judogi, a contração de “judo + dogi”, o que traduzindo livremente seria algo como “uniforme utilizado para a prática do caminho suave”.

O uso do kimono para prática de artes marciais que o adotam como vestimenta é expressamente importante para a boa apresentação da arte. Claro que não podemos esquecer de que os kimonos de hoje em dia são confeccionados exatamente para tal prática, portanto já testado e aprovado para facilitar a mobilidade do praticante durante os exercícios específicos. Pode-se encontrar diferentes tipos de tecidos e materiais utilizados para confeccionar os quimonos: Poliéster, algodão, diferentes tipos de lona, microfibra, enfim, uma imensa variedade que permite ao próprio praticante escolher qual a melhor opção e em que tipo de material ele melhor se adapta. Quatro peças formam o uniforme de judô ou judogui do judoca: Uwagui ou wagui (casaco ou paletó), Shitabaki (calça), Obi (faixa) e ainda o Zori (sandália japonesa ou chinelo) que é de extrema importância para o atleta, pois também é de responsabilidade do atleta manter a higiene do tatame e não entrar com os pés sujos. Evitando que nas técnicas de chão se ‘esfregue a cara’ em sujeira e que o judogui permaneça limpo, além disso, embora não pareça, pode ser extremamente perigoso, pois o tatame estando sujo se alguém se machucar terá seu ferimento exposto à bactérias o que pode levar a uma infecção.


VOU COMPRAR UM KIMONO, O QUE DEVO OBSERVAR?

MATERIAL
Na hora da escolha do seu kimono ou do seu filho (a) lembre-se sempre de que o material deve ser confortável como qualquer outra roupa, além de atentar-se para o tamanho, pois geralmente os kimonos possuem um percentual de encolhimento entre 3% e 5% do tamanho total. Lembre-se também que é um investimento que você estará fazendo, portanto tenha calma pesquisando e, caso necessário, pedindo ajuda a um profissional da área ou seu professor. Pesquise e escolha o kimono de acordo com suas condições e gosto.

TAMANHO
Uma grande dúvida na hora de comprar o kimono de judô é saber o tamanho correto. Como o kimono não tem somente os tamanhos mais utilizados para roupas – P, M, G e GG – foi preciso criar uma tabela de tamanhos para que pudesse ser mais fácil a identificação do tamanho de cada judoca. Essa numeração também é diferente para homens, mulheres e crianças, e para você não se perder mais, basta utilizar essa tabela abaixo, fazendo, se necessário, os devidos ajustes:
INFANTIL
Idade Até 3 anosde 3 até 5 anos de 5 até 7 anos de 7 até 9 anos de 9 até 11 anos de 11 até 13 anos
Tamanho
M00
M0
M1
M2
M3
JR
MASCULINO
AlturaAté 1,70mde 1,70 até 1,80m de 1,80 até 1,90m de 1,90 até 2,00m
PesoAté 65kgde 65 até 80kg de 80 até 95kg de 95 até 110kg
Tamanho
A1
A2
A3
A4
FEMININO
AlturaAté 1,50mde 1,50 até 1,60mde 1,60 até 1,70msw 1,70 até 1,80mde 1,80 até 1,90mde 1,90 até 2,00m
PesoAté 45kgde 45 até 55kg de 55 até 65kg de 65 até 80kgde 80 até 95kgde 95 até 110kg
Tamanho
F1(infantil)
F2(infantil)
F3(adulto)
F4(adulto)
F5(adulto)
F6(adulto)


CARACTERÍSTICAS
Antigamente encontravam-se somente tecidos de lona e mais pesados, tradicionalmente usavam-se esses tipos de kimonos que além de apresentarem maior durabilidade, moldavam-se melhor à definição das bases. Porém, com o passar do tempo, kimonos grossos e pesados foram cedendo lugar aos kimonos mais leves e que permitissem maior facilidade na movimentação dos membros superiores e inferiores.

COR
Apesar dos fornecedores de artes marciais venderem muitos modelos de kimono, as regras oficiais da IFJ dizem que cores devem ser brancas ou azuis. Os kimonos de judo tradicionais são brancos. Porém, para treinamento (dia a dia) é mais vantajoso o uso do kimono azul pois o branco fica logo sujo exigindo lavagens frequentes.


MANUTENÇÃO DO KIMONO

A boa manutenção do kimono também poderá aumentar a durabilidade dele. Um kimono de boa qualidade pode durar de cinco a sete anos em bom estado de uso quando bem cuidado. Aqui estão algumas informações úteis para aumentar a durabilidade do seu:
Pendure seu kimono depois de cada treino.
Jamais deixe ele embolado ou dentro de sua bolsa.
Vire o kimono do avesso na hora de lavar.
Não use alvejante nem detergente com alvejante.
Lave seu kimono antes que ele começe a cheirar mal. Sempre lave-o em água fria. Isto ajudará a tirar manchas de sangue, suor e materiais tingidos. (Água quente irá fixar essas sujeiras no kimono).
Se precisar usar secadora, use em ciclo baixo, tenha sempre em mente que a máquina de secar poderá aumentar o encolhimento do seu kimono. Secar o kimono naturalmente irá aumentar a vida útil dele.

Judô: Kimono - Parte 2 - Normas para Competições



O grande dia chegou, você treinou e agora está em busca da sua medalha. Mas saiba que além das regras do tatame, o seu kimono também precisa seguir algumas regrinhas básicas, no caso das competições brasileiras, os competidores deverão seguir as normas da Confederação Brasileira de Judô e usar um judogui obedecendo as seguintes condições:
:
NORMAS GERAIS PARA CONTROLE DE JUDOGUI - NGCJ

Este documento baseado no JUDOGUI REQUERIMENTS AND JUDOGUI CONTROL PROCEDURE da Federação Internacional de Judô – FIJ, visa estabelecer o padrão nacional para a utilização dos judoguis em competições realizadas pela Confederação Brasileira de Judô - CBJ.

EQUIPAMENTOS - Serão considerados equipamentos para competição de JUDÔ:
Wagui (parte de cima do Judogui)
Shitabaki (calça)
Obi (Faixa)
Patch de identificação do estado

EVENTOS - Onde as regras serão observadas:
Campeonatos Brasileiros Regionais
Campeonatos Brasileiros - Fase Final
Seletivas Nacionais
Troféu Brasil Interclubes
Grand Prix Nacional de Clubes

RESPONSABILIDADE - O controle do equipamento será de responsabilidade do técnico e do atleta.
Se durante a realização do combate a equipe de arbitragem constatar alguma irregularidade o atleta será desclassificado daquela luta por HANSOKUMAKE.
No credenciamento o representante técnico do atleta ou da delegação assinará o termo que comprove estarem, o Judogui (Wagui, Shitabaki) e obi, em conformidade com as normas deste regulamento.

PATCH - É a identificação visual que deverá ser fixada no Judogui de forma padronizada (ver item X).
Cada competição terá seu patch específico que poderá ser enviado às federações antecipadamente (caso 1), ou fixado durante o credenciamento da competição (caso 2).
CASO 1 – Envio antecipado à Federação:
A responsabilidade da fixação do patch será do atleta que deverá se apresentar para competir com o equipamento completo.
CASO 2 – Fixação no evento:
Neste caso a fixação dos patchs será feita no local da competição e os participantes deverão tomar os seguintes cuidados:
Todos os Waguis deverão ser entregues ao mesmo tempo, devidamente identificados com o nome do atleta;
Devem estar limpos, secos e não pode conter nenhum tipo de mancha, inclusive na parte interna e não podem estar rasgados e conter qualquer tipo de identificação (patch) de eventos anteriores;
Obs.: Caso o atleta no momento do combate, não se apresente com o patch da competição, o mesmo será automaticamente desclassificado desta luta.

COMPETIÇÃO: O Wagui e o Shitabaki devem ser da mesma marca (tipo), da mesma cor (todo azul e/ou todo branco), sendo também da mesma tonalidade (não será permitido uso do Wagui novo com Shitabaki desgastado e/ou desbotado, assim como o contrário)
Os Judoguis devem estar limpos, secos e não pode conter nenhum tipo de mancha, inclusive na parte interna;
Os Judoguis não podem estar rasgados;
O uso da identificação (patch) é obrigatório, caso o atleta entre sem será automaticamente desclassificado;
As dimensões do judogui devem estar em conformidade com o presente regulamento;
O controle de medidas será feito com o atleta já equipado com suas proteções e as exigências de medidas devem ser respeitadas. Obs.: Durante o combate, no caso de o judogui rasgar ou ser manchado de sangue, a sua troca será autorizada.

APLICAÇÕES NO JUDOGUI:
PUBLICIDADE E/OU PATROCÍNIO (ver figura 1) - A aplicação de publicidade somente será permitida no Wagui e não serão aceitas aquelas que fizerem menção política, religiosa ou de qualquer outra modalidade esportiva que não o judô, como também aquelas que fizerem a promoção de tabaco, bebidas alcoólicas ou qualquer substância de uso proibido.
Existem 04 locais possíveis para fixação de publicidade e/ou patrocínio e somente serão permitidas no máximo 04 marcas diferentes;
02 sobre os ombros a partir do colarinho podendo ter no máximo 25 cm x 05 cm.
02 nos braços situadas a 25 cm a partir do colarinho (gola) medindo no máximo 10 cm x 10 cm

EMBLEMA (ver figura 2) - Será permitida a aplicação dos emblemas segundo o seguinte critério:
Se Campeonato Brasileiro Regional, Campeonato Brasileiro Fase Final e Seletiva Nacional - No lado Esquerdo do Wagui, na altura do peito com no máximo 100 cm² (10 cm x 10 cm) a logomarca da Federação Estaduale do lado Direito do Wagui, na altura do peito com no máximo 100 cm² (10 cm x 10 cm) o patrocinador ou logo do clube
Se Troféu Brasil Interclube e Grand Prix Nacional de Clubes - No lado Esquerdo do Wagui, na altura do peito com no máximo 100 cm² (10 cm x 10 cm) a logomarca do clube e no lado direito do Wagui, na altura do peito com no máximo 100 cm² (10 cm x 10 cm) o patrocinador ou a Logomarca da Federação Estadual.

NOME (ver figura 3) - Somente será permitido bordar o nome do atleta nos seguintes locais:
Na parte inferior do Wagui
Na parte superior do Shitabaki
Em uma das pontas da obi
As letras do nome não podem ultrapassar 04 cm de altura e 20 cm de largura quando na horizontal e 20 cm de altura e 04 cm de largura quando na vertical.

PATCH (ver figura 4) - Será permitida a aplicação de 02 (dois) tipos de patch:
Patch com nome (ver figura 4.1) - Esse patch é opcional e é destinado somente ao nome do atleta e sua fixação deve ser feita de forma centralizada, nas costas do Wagui a 03 cm do colarinho. Este patch será confeccionado pelo próprio atleta e poderá ser branco com as letras azuis ou azul com a letras brancas e terá as dimensões de 10 cm x 30 cm.
Obs.: Neste patch somente será permitido o nome e/ou sobrenome do atleta (sem apelidos)
Patch da competição (ver figura 4.2) - Deverá ser aplicado logo abaixo do patch do nome, caso o atleta não tenha o patch do nome o patch da competição deve ser fixado a 13 cm do colarinho e suas dimensões deverão ser de 20 cm x 30 cm.

MEDIDAS - As medidas da Wagui, Shitabaki e Obi deverão estar em conformidade com este regulamento, e serão aferidas com o SOKUTEIKI (ver figura 5), medidor padrão da FIJ.
o Wagui (ver figura 6 e 7):
Deve cobrir completamente as nádegas e deverá ter pelo menos 10 cm entre a extremidade inferior e o joelho.
A verificação das mangas deverá ser feita com os braços em linha reta e os punhos fechados e o Sokuteiki deverá deslizar completamente para dentro da manga sem dificuldade.
A distância entre o final da manga e o punho deve ter no máximo 05 cm.
As lapelas do Wagui devem ter uma distância na altura do umbigo maior ou igual a 20 cm quando cruzadas.
A espessura do colarinho e da lapela dever ser menor ou igual a 01 cm.
A largura do colarinho e da lapela deve ter as medidas entre 04 e 05 cm.
  
O Shitabaki (ver figura 8):
A distância entre a barra da Shitabaki e o maléolo exterior (tornozelo) deve ser menor ou igual a 05 cm.
Deve existir uma distância entre 10 cm e 15 cm do joelho até a Shitabaki.
A Obi (ver figura 9):
A largura deve estar entre 04 cm e 05 cm.
A distância entre o nó e a ponta da obi deve medir entre 20 cm e 30 cm.
O nó deve estar amarrado da forma correta e deve estar firme.
A obi não pode ser feita nem de material rígido, nem escorregadio.
CAMISA (feminino) - O kimono geralmente é mantido fechado pela faixa na cintura, e durante as lutas da competição, é frequentemente puxada para fora e aberto. Para judocas mulheres, isso apresenta um problema de exposição. A IFR dirige-se especificamente a isso em suas regras oficiais, declarando que "as competidoras devem usar, por baixo do wagui, uma camiseta de cor branca longa o suficiente para ser usada dentro das calças e de mangas curtas ou usar um collant de mangas curtas branco".

NORMAS DA FEDERAÇAÕ INTERNACIONAL DE JUDÔ

no caso das competições internacionais, os competidores deverão seguir as normas definidas pela FIJ ou IJF (Internacional Judo Federation). Conheça abaixo as 11 regras que todo judoca precisa saber na hora de preparar seu kimono de judô para uma competição:
O Judogui não deve estar molhado, e nem mostrar manchas particulares em qualquer parte.
O uwagui (paletó) e a shitabaki (calça) devem ser da mesma marca e mesma cor. Cores trocadas não são permitidas.
O nome do atleta no cartão de inscrição deve ser o mesmo do backnumber do kimono;
Para competições organizadas pela FIJ, o selo de “IFJ Approved” no casaco, calça e faixa do judogui são verificados pela sua autenticidade com um dispositivo de lâmpada UV ótica.
O logo do fabricante do judogui aprovado como “IJF Offical Supplier” deve aparecer no paletó, calça e faixa. O logotipo do fabricante deve ser idêntico na jaqueta e na calça do kimono.
O backnumber do atleta deve ser inteiramente costurado nas costas, com o nome do competidor (segundo o seu cartão de inscrição) e a propaganda da competição (a propaganda pode ser diferente de acordo com a cor do kimono – branco ou azul – e o protocolo da competição).
O emblema nacional do atleta deve estar no lado esquerdo do paletó (uwagui) na altura do peito, e também costurado.
O patrocínio do atleta deve seguir as normas espaciais definidas pela IJF.
O judogui completo – uwagui, shitabaki e obi – deve estar de acordo com a regulamentação vigente e acessível para que os técnicos chequem o espaço dos punhos e a largura das calças.
Proteções como joelheiras, ombreiras e caneleiras são todas avaliadas e são proibidas de conter qualquer parte, por menor que seja, de metal ou qualquer material rígido. O controle do tamanho do judogui é realizado com as proteções inclusas.
Cabelos longos devem estar presos.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Judô: Sistema de Graduações - As Faixas Coloridas


A faixa simboliza o ciclo de aprendizagem de um praticante nas diferentes etapas de sua carreira e cada cor tem sua própria energia, vibração e atuação. Percebe-se que cada estilo possui a sua própria seqüência de cores de faixas que nem sempre coincidem umas com as outras. Mesmo assim, algumas evidências científicas sugerem que a luz das diversas cores, que entram pelos olhos, podem afetar diretamente o centro das emoções, possuindo assim, queiramos ou não, um significado. O que se observa mais facilmente é que a cor da faixa vai escurecendo com os anos de dedicação e de prática, até chegar à faixa preta, a qual representa a maioridade técnica do praticante.

É claro que a finalidade prática e primordial da faixa é ajustar o judogui para evitar a sua folga excessiva e permitir uma melhor movimentação, mas não se cre que as suas cores tenham sido escolhidas aleatoriamente ou de forma tão inconsciente.

Nas antigas escolas de jujutsu (koryu), os alunos eram normalmente graduados através de certificados escritos por seus professores garantindo que eles possuiam um certo nível de aprendizado. Entretando, cada escola possuia sua própria forma de nivelar seus alunos, e isso era, para Jigoro Kano, uma desvantagem.

O Judô, assim como a grande maioria das artes marciais modernas, utiliza-se de um sistema de faixas coloridas para determinar a graduação de seus alunos. Esse sistema de graduação, utilizados pelas artes marciais em todo o mundo, foi originalmente criado por Jigoro Kano, o fundador do Judô, sendo depois aperfeiçoado com o passar do tempo.

Em 1883, o Sensei Jigoro Kano fez sua primeira divisão em seus alunos, dividindo-os em Mudanshas (não-graduados) e Yodanshas (graduados). Os mudanshas tem sua graduação divididas em Kyus (nível de habilidade). Os yodanshas tem sua graduação dividida em Dans (grau). Os primeiros judokas que receberam de suas mãos o 1° Dan de faixa preta foram Tsunejiro Tomita e Shiro Saigoem.

Yoshiaki Yamashita foi o primeiro a ser promovido a 10° Dan por Jigoro Kano em 1935. Entre os 10 primeiros que obtiveram o 10° Dan, praticaram em média 58 anos para alcançar essa graduação. Para a graduação superior dos seus alunos o Prof. Jigoro Kano sempre teve a preocupação com a conduta moral, intelectual e a eficiência da técnica em combate, pois seus primeiros graduados tiveram a missão de difundir o Judô pelo mundo. Jigoro Kano se preocupava com a Educação por meio da prática do Judô e propagou ao mundo a importância desse aspecto na orientação dos praticantes.

Jigoro Kano Shihan não possuia dans, pois como fundador do Judô, ele era quem graduava sendo que não se atribuiu nenhum grau. Conta-se que Jigoro Kano defendia que aquele que conseguisse um grau mais elevado ao décimo dan, retornaria à faixa branca, terminando assim o ciclo completo do Judô.

O sistema de faixas coloridas para os diversos kyus foi criado posteriormente na Europa, e daí exportado para o restante do mundo e das artes marciais, pois inicialmente no Japão, a faixa branca era utilizada por todos os níveis de kyus, sendo que algumas escolas utilizavam a faixa marrom para os kyus mais elevados ficando a preta para os yodanshas.

As promoções no judô baseiam-se em exames que incidem sobre requisitos tais como: duração de tempo de treino, idade, caráter moral, execução das técnicas especificadas nos regulamentos e comportamento em competições. Os praticantes de judô se classificam em dois grandes grupos: aluno (Kyu) e mestre (Dan), subdivididos, respectivamente, em oito e dez graduações, e identificados por faixas coloridas (Obi) que usam na cintura. Para os kyu a ordem de graduação é decrescente.

No Brasil, no caso de promoção de graduação de kyu, até a faixa marrom são outorgadas pela instituiçao, associação, agremiação, etc., diferente da promoção das graduações de dan que até o 3º dan são realizadas pela banca examinadora da Liga ou Federação de Judô Estadual e as outras graduações superiores são realizadas pela Comissão Nacional de Graus.

Até 2011 as graduações do Judô que eram utilizadas no Brasil, para os alunos, seguiam a seguinte ordem:
Zero Kyu – Faixa Branca (Iniciante)
7º Kyu - Faixa Cinza – Somente para crianças
6º Kyu – Faixa Azul
5º Kyu – Faixa Amarela
4º Kyu – Faixa Laranja
3º Kyu – Faixa Verde
2º Kyu – Faixa Roxa
1º Kyu – Faixa Marrom
Algumas instituições utilizavam também uma faixa bordô ou vinho como incentivo para as crianças que ainda não tinham idade para receber a faixa cinza mas que já tinham algum tempo de faixa branca.

Após a faixa marrom, o praticante se torna um graduado, um yodansha, ganhando a faixa preta e o primeiro grau, se tornando um Shodan (portador do primeiro grau). A graduação em dans se dá da seguinte maneira:
1º dan – Faixa Preta
2º dan – Faixa Preta
3º dan – Faixa Preta
4º dan – Faixa Preta
5º dan – Faixa Preta
6º dan – Faixa Coral (vermelha e branca)
7º dan – Faixa Coral (vermelha e branca)
8º dan – Faixa Coral (vermelha e branca)
9º dan – Faixa Vermelha
10º dan – Faixa Vermelha

O mais alto grau concedido é a extremamente rara faixa vermelha Judan (10º Dan) que até ao ano de 1965 foi concedida apenas a sete homens. Oficialmente, 15 pessoas conquistaram o 10º dan pela Kodokan, até os dias de hoje. Os três mais recentes foram promovidos em 2006. Por outras instituições, como a Federação Internacional de Judô, há outros que conquistaram o último dan. Keiko Fukuda (9º dan Kodokan) foi a primeira mulher a ser promovida a 10º dan de Judô pela USA Judô e USJF.

O Judô prevê ainda um décimo primeiro dan (Juichidan), que também usaria uma faixa vermelha, e ainda um décimo segundo dan (Junidan) que usaria uma raríssima faixa branca, duas vezes mais larga que a faixa comum, simbolizando o auge da pureza, cores essas tanto vermelha como branca que simbolizam a flor de cerejeira, símbolo do Judô. Esta última apenas foi concedida ao mestre inventor do judo, e a quem todos os judocas estão gratos, o mestre Jigoro Kano.

Há aproximadamente 5 anos atrás, iniciou-se no Japão o movimento de conscientização da necessidade de se voltar às origens do Judô, com objetivo de resgatar os valores históricos e culturais como também dos processos pedagógicos de ensino do Judô inseridos no contexto da formação do cidadão íntegro através da sua prática.
A Federação Internacional de Judô, órgão máximo na gestão do judo mundial, consciente da sua responsabilidade, passou a tomar medidas para o resgate da essência do judô e, a mais importante, foi a alteração na regra de competição implantada em 2010 onde a verdadeira técnica característica do judô foi priorizada, em detrimento daquela que vinha sendo adotada em total desacordo com as raízes do nosso esporte.

Diante dessa realidade, no Brasil, o Conselho Nacional de Graduação realizou um profundo estudo visando uma reformulação no Regulamento de Exame e Outorga de Faixas e Graus da Confederação brasileira de Judô com a intenção de resgatar e preservar estes valores históricos e culturais, como também os valores éticos e morais no ensino do Judô. Junto a isso, houve uma grande preocupação de que estes valores sejam transmitidos de forma pedagógica para que possam ser preservados e passados de geração a geração.
Foi então criado um regulamento que estabeleceu normas, carência e idade mínima para realização de exames de promoção, outorga e controle de faixas e graus do Judô no Brasil que devem ser seguidas pelas Federações filiadas à Confederação Brasileira de Judô.

Esse regulamento, dividiu as antigas graduações em quatro grupos. O primeiro grupo recebeu o nome de "básico" e foi subdividido em oito graduações que além das quatro iniciais recebeu mais quatro faixas, situadas entre as já existentes, são as seguintes:
00 kyu – Faixa Branca (Iniciante)
11º Kyu – Faixa branca ponta cinza
10º Kyu – Faixa Cinza
9º Kyu – Faixa Cinza ponta Azul
8º Kyu – Faixa Azul
7º Kyu – Faixa Azul ponta Amarela
6º Kyu – Faixa Amarela
5º Kyu – Faixa Amarela ponta Laranja
Nas faixas em duas cores, (citadas acima) deverá ser colocada em suas extremidades a cor da faixa seguinte, obedecendo ao limite de 20 cm a 25 cm em cada uma das extremidades.

No segundo grupo chamado "intermediário" ficaram as faixas:
4º Kyu – Faixa Laranja
3º Kyu – Faixa Verde
2º Kyu – Faixa Roxa
1º Kyu - Faixa Marrom

O terceiro grupo chamado "graduados" ficou composto pelas faixas pretas:
1º dan – Faixa Preta
2º dan – Faixa Preta
3º dan – Faixa Preta
4º dan – Faixa Preta
5º dan – Faixa Preta

O quarto e último grupo chamado de "graduação superior" foi formado pelas faixas:
6º dan – Faixa Coral (vermelha e branca)
7º dan – Faixa Coral (vermelha e branca)
8º dan – Faixa Coral (vermelha e branca)
9º dan – Faixa Vermelha
10º dan – Faixa Vermelha

O Significado das Cores nas Faixas do Judô

FAIXA BRANCA – Essa é a cor do desprendimento e da pureza. O branco reflete todas as cores. A própria cor dessa faixa indica que o seu portador ainda possui a ingenuidade e deve procurar manter a mente limpa. Entretanto, ele tem em potencial, todas as cores das demais faixas posteriores cabendo a ele através da fricção do treino árduo segir com a evolução técnica e avançar na evolução das cores. A busca nesse grau é pela purificação e transformação, diante do infinito conhecimento que tem diante de si. Essa faixa nos diz que o iniciante deve buscar a humildade e a imaginação criativa, através da limpeza e da claridade dos pensamentos. É a cor síntese do arco-íris e a mais associada ao sagrado, pois simboliza paz, pureza, perfeição e especialmente o absoluto. Ela nos diz que devemos buscar a pureza, sinceridade e a verdade; repelindo os pensamentos negativos, procurando elevá-los, para que encontremos o equilíbrio interior, segurança e desenvolvamos o instinto e a memória. O branco simboliza uma espécie de coringa, para todos os propósitos, é o substituto para qualquer cor, assim como uma tela em branco esperando para ser pintada.

FAIXA CINZA - A faixa cinza simboliza uma pequena evolução técnica em comparação a faixa branca, essa graduação é dada apenas para praticantes até cerca de 15 anos, para a classe senior essa graduação já não se faz presente.
Já pela mudança da cor branca para a cinza, identificamos que a pureza do praticante começa a ser alterada, porém ainda muito superficial. As características básicas se mantém inalteradas, pois o tempo de prática ainda é muito pequeno se comparado a todo o processo de aprendizado que o judoca terá que passar.

FAIXA AZUL - Significa o Céu, através do qual a planta cresce até tornar-se uma árvore frondosa, enquanto o treinamento do judô progride. O azul se faz intermediário entre o branco e o amarelo. O amadurecimento e a expectativa da evolução se faz presente, visto que o judoca continua dando andamento ao seu aprendizado.
A continuidade dos treinamento fará com que a evolução técnica seja natural, assim como a cor azul se faz no dia a dia da natureza.

FAIXA AMARELA - Assim como um sol que desponta todos os dias, ela significa que é um iniciante ou um recém nascido, que com o tempo irá crescendo e fortalecendo-se, até chegar à maturidade que corresponde à faixa preta. Assim como o sol nascente o conhecimento começa a aflorar para o iniciante. Agora ele pode vislumbrar um pouco da iluminação da descoberta e da realidade do que é o Judô. Entretanto, assim como o amarelo é uma cor primária, isto é, não pode ser formado pela mistura de outras cores, ele também deve manter-se puro dentro da escola de judô que escolheu ainda evitando misturar outras coisas aos conhecimentos já adquiridos. Assim como essa cor, essa graduação lhe traz a alegria, a vida, o calor, a força, a glória, o poder mental e representa o descobrimento. Ela lhe desperta novas esperanças no caminho, dando-lhe vivacidade, alegria, desprendimento e leveza. Agora ele deve procurar desinibir-se para desenvolver seu brilho, mas também diminuir a ansiedade e as preocupações, construindo sua confiança, energia e inteligência na solução dos problemas que surgirão. A cor dessa graduação mostra que o praticante deve reter conhecimentos e desenvolver a luz da sabedoria e da criatividade, e assim como o sol, ela deve trazer a luz para as situações difíceis. O Amarelo simboliza: criatividade, as idéias, o conhecimento, alegria, juventude e nobreza. Apesar do amarelo estar relacionado ao elemento terra, também é uma cor Yang e representa o descobrimento e a abertura para o conhecimento.

FAIXA LARANJA - Esta é uma cor que é a mistura do vermelho com o amarelo, representado que o conhecimento do grau anterior deve estar contido nesta graduação e trazendo as qualidades dessas duas cores. Nos diz que devemos procurar o sucesso no treino diário, agilidade, adaptabilidade, estimulação, atração e plenitude. Essa cor também simboliza aquilo que o praticante deve buscar: o encorajamento, estimulação, robustez, atração, gentileza, cordialidade e tolerância. Esta é a cor da comunicação, do calor afetivo, do equilíbrio, da segurança e da confiança. Quem chega nessa faixa deve acreditar que agora tudo é possível, pois essa cor estimula o otimismo, generosidade, entusiasmo e o encorajamento. A cor laranja mostra ao praticante que ele deve fortalecer as energias e a sua vontade de vencer.A cor laranja está situada entre o elemento fogo e o elemento terra, portanto, carrega um pouco das características dos dois elementos. Também é uma cor Yang.

FAIXA VERDE - O verde é uma cor que representa Esperança e a Fé. É a cor mais harmoniosa e calmante de todas. Ela simboliza harmonia e o equilíbrio. Essa cor, que nos chega depois das cores quentes iniciais, nos dá a impressão de que chegamos a um oásis, depois de atravessar um árduo deserto, mas devemos saber que ainda há mais deserto a vencer. Ela também representa as energias da natureza, esperança, perseverança, segurança e satisfação; fertilidade. O portador deve procurar desenvolver a sua sensibilidade para se comunicar com a natureza interna e externa a si mesmo. Significa também a harmonia em que devemos estar com ela, junto com o ar, a água e o fogo, elementos da vida que proporcionam bem-estar ao ser humano. Essa cor simboliza uma vida nova, a energia, a fertilidade, o crescimento e a saúde. Por outro lado, quando em mau aspecto, mostra um orgulho excessivo, superioridade e arrogância. O verde é ligado ao elemento madeira e a primavera.
Representa o crescimento, desenvolvimento, natureza e saúde. Também significa a etapa da juventude, estando relacionado a este estado emocional, mostrando assim, que os conhecimentos ainda não se encontram bem claros ou maduros para os praticantes; ainda lhes falta amadurecer mais e delineá-los melhor.

FAIXA ROXA OU VIOLETA - O roxo é uma mistura das cores azul e vermelho.Essa é a cor usada pelos sacerdotes católicos para refletir santidade e humildade. Ela gera sentimentos como respeito próprio, dignidade e auto-estima. Esta é uma cor metafísica. É também a cor da alquimia, das transformações e da magia. Ela é vista como a cor da energia cósmica e da inspiração espiritual. A cor violeta é excelente para purificação e cura dos níveis físico, emocional e mental. Simboliza: dignidade, devoção, piedade, sinceridade, espiritualidade, purificação e transformação. Quando em mau aspecto determina manias e fanatismo. Representa o mistério, expressa sensação de individualidade, influenciando emoções e humores, mas também simboliza a dignidade, a inspiração e justiça. Gera tensão, poder, tristeza, piedade, sentimentalidade. Tendo isso tudo em mente, a cor desta graduação nos indica que devemos encontrar novos caminhos e a elevar nossa intuição espiritual.

FAIXA MARROM - É a cor da solidificação. Representa a constância, a disciplina, a uniformidade adquirida e a observação das regras mantidas até aqui. Representa a conexão do praticante com o patrono do estilo que lhe foi passado, representado por seus mestres (Sensei). Para criar essa cor, você precisa misturar o vermelho com o preto e, portanto, ela tem alguns dos seus atributos. Também representa a autocrítica e a dependência dos mestres para chegar até aqui. Significa que se está completando o processo de amadurecimento, tanto nos conhecimentos técnicos quanto no aspecto mental. Essa faixa, pela sua cor, emana a impressão de algo maciço denso, compacto. Sugere segurança e isolamento. Representa também uma poluição que deve sempre ser limpa, através da prática fiel aos princípios do Budô. Uma pessoa que gosta de vestir-se com marrom por certo é extremamente dedicada e comprometida com seu trabalho, sua família e seus amigos. A cor marrom gera organização e constância, especialmente nas responsabilidades do cotidiano. As pessoas que gostam de usar essa cor são capazes de ir “à raiz das coisas” e lidar com questões complicadas de forma simples e direta. São pessoas “sensatas”.

FAIXA PRETA – Sho Dan – 1º Dan - É a junção de todas as cores. Enfim o corpo e a mente chegaram ao final de uma jornada e ao início de outra mais elevada. A faixa na cor preta, representa humildade, autocontrole, maturidade, serenidade, disciplina com responsabilidade, dignidade e conhecimento. É a cor do poder, induz a sensação de elegância e sobriedade.
Observe-se que na maioria das sociedades ocidentais, o preto quase sempre é a cor da morte, do luto e da penitência, mostrando assim, o estado mental, para o mundo, de quem atingiu essa graduação. Em geral, essa cor é usada por pessoas que rejeitam as regras convencionais ou são regidos por outras normas sociais, como é o caso dos padres ou dos guerreiros que seguem ao Budô. Essa cor também nos dá uma noção de tradição e responsabilidade. É a ausência de vibração da “não cor” que dá a sensação de proteção ou afastamento.

FAIXA CORAL – Rokudan, Shitchidan e Ratchidan -6º a 8º DAN - É caracterizada pelas cores branca e vermelha.

FAIXA VERMELHA -Kyodan e Judan (Jodan) – 9º e 10º DAN - A cor vermelha sugere motivação, atividade e vontade. Ela atrai vida nova e pontos de partida inéditos. Essa é a cor do fogo, da paixão do entusiasmo e dos impulsos é a cor mais quente, ativa e estimulante. Ainda é uma cor primária que não pode ser formada pela mistura de outras cores, mostrando assim, que o praticante ainda deverá manter-se puro e fiel ao estilo de que elegeu. Essa faixa, pela sua vibração, dá mais energia física, mostrando que agora, mais do que nunca é necessária força de vontade para não desistir da conquista dos seus ideais. Persistência, força física, estímulo e poder são seus traços típicos. Embora o vermelho represente agressividade, perigo, fogo, sangue, paixão, destruição, raiva, guerra, combate e conquista, também simboliza aquilo que deve ser contido pelo seu portador. Esta cor faz com que você se sinta mais vigoroso, expansivo e pronto para avançar adiante em algum sentido evidente. Ela tende a atrair o olhar das pessoas e chamar a atenção. Se você usar vermelho, isso pode indicar que tem ardor e paixão, ferocidade e força. As pessoas que gostam de ação e drama apreciam essa cor. É uma cor de uma energia muito forte e o praticante deve ter o cuidado e a persistência para não se deixar ser vencido por ela e desistir do caminho.Sendo a cor do sangue, o vermelho também está relacionado à vida e à força de uma energia vital máxima. Esta também é uma cor Yang.



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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Jigoro Kano - o Fundador do Judô


Nascido em 28 de outubro 1860, em Mikage, prefeitura de Hyogo, perto da Cidade de Kobe no Japão, terceiro filho de Jirosaku Mareshiba Kano, alto funcionário da marinha imperial, intendente naval do porto de Hyogo.

Seus pais queriam que seguisse a carreira de diplomata ou político, mas Jigoro Kano preferiu o magistério, foi para Tóquio em 1870 após a morte da mãe, no ano da proibição do porte de espada para os samurais.

Com 14 anos (de acordo com a tradição japonesa seria aos 15) entrou para a Escola de Línguas Estrangeiras que fazia parte do Kasei Gakko para estudar o idioma inglês, então indispensável para o progresso em qualquer sentido e que, possibilitou mais tarde tornar-se professor e tradutor dessa língua e ainda montar sua própria escola em Tóquio, a Kobukan (escola de inglês).

Aos 16 anos decidiu fortificar o corpo, praticando ginástica, remo e basebol. Tornou-se um dos primeiros japoneses a praticar basebol, introduzido um ano antes por dois professores americanos, mas estes esportes eram demasiados violentos para sua débil constituição. Embora de personalidade marcante, possuía físico franzino, medindo 1,50 metros de estatura e pesando uns escassos 48 kg, o que dificultava o seu ingresso na maioria dos esportes. Na convivência entre estudantes era frequentemente alvo de chacota, situação que o perturbava bastante. No entanto, a sua morfologia não lhe permitia impor-se pela força, razão pela qual decidiu fortalecer o corpo através do ju-jutsu, que era conhecido por permitir que um indivíduo pouco robusto conseguisse vencer um adversário mais forte. Quem lhe ensinou os primeiros passos foi o professor Teinosuke Yagi.

Porém, em Tóquio era difícil encontrar uma escola onde pudesse aprender ju-jutsu, porque a Kobusho, escola das artes marciais tinha desaparecido com a restauração Meiji.

Em 1877, após meses de pesquisa paciente, finalmente encontrou um antigo mestre da Kobusho, Hachinosuke Fukuda, proprietário da “Escola do Coração de Salgueiro”, do estilo Tenshin-Shinyo-Ryu, que já não tinha alunos, onde começa a praticar.

Ainda em 1877 Ingressa na Universidade Imperial de Tóquio.

Em 1878 Kano funda o primeiro clube de basebol do Japão, o Kasei Baseball Club.

Em 1879, Jigoro Kano torna-se vice-presidente da escola e Fukuda morre com a idade de 82 anos. Kano herda seus arquivos e toma conta da escola, continuando o seu treinamento com o mestre Masamoto Isso, um sexagenário que possuía os segredos duma escola igualmente derivada do estilo Teshin Shinyo Ryu. Infelizmente Masatomo Isso morreu logo e Kano novamente encontrou-se sem professor.

Contudo Kano continuou a treinar intensamente, mas um bom professor lhe era indispensável.

Em 1881 licenciou-se em letras e ainda nesse ano, procurou o mestre Tsunetoshi Likugo, um especialista em projeções que lhe ensinou a técnica da escola Kito Ryu, mas que dava pouca importância aos katas, com exceção do Koshiki No Kata. Como Kano até então só praticara sempre as lutas corpo a corpo, sempre usando roupas normais, a escola de Kito ensinou-lhe o combate com armadura. Pouco a pouco, Kano fez a síntese das diversas escolas criando um sistema próprio de disciplina, continuando, no entanto a treinar com o mestre Likugo até 1885.

Obstinado na sua vontade e postura, treinou com afinco e aperfeiçoou-se de forma exemplar, tornando-se um excelente combatente, ágil e eficaz, adquiriu grande confiança nele próprio. Apaixonado pelo ju-jutsu questionou os melhores especialistas, estudou antigas obras e devorou todos os manuscritos deixados pelos seus antigos mestres.

Pouco a pouco este ju-jutsuca fez a síntese das diversas escolas. Este estudo completo, teórico e prático, convenceu-o da sua originalidade, da sua habilidade e da sua eficácia excepcional, mas também lhe evidenciou a necessidade de codificar e racionalizar os métodos de ensino discordantes e muitas vezes perigosos para a integridade física. Kano, educador por vocação e convicção, com base no ju-jutsu, elaborou um sistema de educação física e formação do carácter através da disciplina com vista a fazer frente ao relaxamento dos costumes face ao desaparecimento quase completo da tradição cavalheiresca, provocada pela abertura da sociedade japonesa ao ocidente. Assim, fez a síntese das melhores técnicas de ju-jutsu, escolhendo os golpes mais eficazes e racionais e eliminando as práticas perigosas e incompatíveis com o fim elevado que visava, possibilitando uma prática segura e racional. Jigoro Kano aperfeiçoou a forma de cair, desenvolveu as técnicas de amortecimento de quedas (ukemis) e criou uma vestimenta especial de treino (judogui), pois o antigo traje dos ju-jutsucas denominado hakamá era pesado, desconfortável e por vezes causava feridas. Dedicou-se particularmente aos métodos de projeção, aperfeiçoando vários da sua autoria.

A nova arte do mestre tinha duas formas distintas, uma abrangia as técnicas de queda, imobilizações, chaves e estrangulamentos. Essa forma evoluiu para o esporte e a outra parte consistia nas técnicas de golpear com as mãos e os pés, em combinações com agarramentos e chaves para imobilização, inclusive ataques em pontos vitais (atemi-waza). Essa forma evoluiu para a defesa pessoal (goshin-jutsu).

O ano de 1882, em que completou 22 anos de idade, foi marcante para Jigoro Kano. Terminou os seus estudos de ciências estéticas e morais e fundou a escola preparatória Kano Juku com o objetivo principal de desenvolver o caráter dos que nela vivem. Cria também uma escola para o ensino do inglês.

Em Fevereiro de 1882 fundou o Kodokan ((Instituto do Caminho da Fraternidade ou Instituto do Grande Princípio), Tendo se estabelecido, em Maio desse ano, num espaço alugado no segundo andar de um templo budista Eishoji de Kita Inaritcho, bairro de Shimoya em Tóquio, onde havia doze jos (jo medida de superfície, módulo de tatame). O primeiro aluno inscreveu-se em 05 de junho de 1882, chamava-se Tomita Tsunejiro. Depois vieram Higushi, Arima, Nakajima, Matsuoka, Amano Kai e o famoso Shiro Saigo (Sugata Sashiro). As idades oscilavam entre 15 e 18 anos. Kano albergou e ocupou-se deles como se fosse um pai. Foi um período difícil, mas apaixonante, o jovem professor não tinha dinheiro e o shiai-jo media 20m², mas a escola progrediu e em breve tornou-se célebre.

Vivendo nas dependências do templo com uma velha criada e com 9 alunos, dedicou-se pacientemente a elaborar um novo método de Educação Física. Ainda em Agosto, Kano tornou-se professor de política e economia na Gakushuuin, então escola privada para os Nobres. Durante o primeiro ano foram apenas 9 os alunos, estudantes amigos de Jigoro Kano, que seguiram o seu curso que era criticado e escarnecido pelos praticantes de ju-jutsu.

Em 1883 o Kodokan passou para o armazém dum editor, com uma área de 40 m2.

Em 1884 Kano foi adido ao Palácio Imperial. Neste ano apresentou a primeira forma do nage-no-kata, com 10 movimentos, embora o modificasse várias vezes mais tarde. Após 2 anos da fundação do Kodokan, Kano tinha 16 alunos, a sua fama aumentava continuamente e o dojo aumentava para 80 m2. Por essa altura multiplicavam-se os encontros entre escolas de ju-jutsu, que muitas vezes serviam de verdadeiros concursos em que os vencedores se tornavam professores da polícia.

No ano seguinte, 1885, obteve a 7ª categoria imperial.

Em 1886 obteve a 6ª categoria imperial e foi nomeado vice-reitor do Colégio dos Nobres. Nessa época, já tinha mais de 100 alunos. Este ano foi decisivo para Kano e para o judo, uma vez que se realizou um encontro histórico organizado pelo chefe da polícia de Tóquio em razão da escolha anual dos instrutores da Academia de Polícia Japonesa. Uma disputa entre várias escolas de lutas do Japão principalmente entre os principais rivais do Kodokan, os ju-jutsucas da escola Totsuka e os melhores alunos de Kano. Com a esmagadora vitória dos pupilos de Kano, nomeadamente através de Saigo e Yoko-Yama. O evento serviu para comprovar a eficiência e o valor da arte marcial criada por Jigoro Kano, consagrou definitivamente a superioridade do novo judo sobre o antigo ju-jutsu e serviu para ampliar rapidamente a fama do judô pelo país e fazer com que a modalidade fosse aceita pelos japoneses.

Somente um formidável ju-jutsuca chamado Tanabé conseguia vencer regularmente os alunos de Kano. Especialista no combate de solo atirava os seus adversários ao solo onde, aproveitando-se das suas posições, os conseguia estrangular.

Kano rapidamente tirou uma lição: precisava aperfeiçoar a luta no solo e todos os judocas deveriam conhecer a luta tanto em pé como no solo. Foi entre 1886 e 1889, no dojo de Fujimi-Cho, em Tóquio, que a supremacia do judo Kodokan se iria estabelecer, sobretudo depois do grande torneio entre judocas e combatentes selecionados pela escola Yoshin-ryu-ju-jutsu, que foram completamente derrotados. Foi nesta altura também que se realizaram verdadeiras fusões de velhas técnicas sob o impulso de Kano que modificou certas técnicas, à luz das suas primeiras experiências e com a ajuda dos seus primeiros alunos. O Judo iria deixar de ser um esporte de moda exclusiva do Kodokan, cujos principais rivais foram o Butokukai de Kyoto e o Kosen, que eram especialistas no combate no solo e aí obtinham supremacia.

Em 1888 foi nomeado reitor do Colégio dos Nobres.

Em 1889, após a sua primeira viagem pela Europa, como adido ao ministério da Casa Imperial casou-se, vindo a ter oito filhos.

Em Abril de 1891 foi nomeado conselheiro do Ministro da Educação Nacional. Ainda nesse ano foi nomeado “Principal” do colégio Kumamoto.

Em Setembro de 1893 foi nomeado diretor da Escola Normal Superior e, depois, secretário do Ministro da Educação Nacional.

O Kodokan continuou a crescer de ano para ano e foram criados novos centros de ensino.

Em 1894 foi fundado o Conselho do Kodokan que funciona como órgão consultivo.

Em 1895 obtém a 5ª categoria imperial, criou a sociedade Zoshi-kai, fundou os institutos Zenyo Seiki e Zenichi para a cultura dos jovens e editou a revista Kokusiai. Ainda em 1895 fundou uma instituição político/militar o Butokokai, destinada a promover o Budo e elevar o moral do povo Japonês.

Com a ajuda de Yoko-Yama, Yamashita, Nagaoka e Iitsuka, organizou uma pedagogia do judo, o Gokio, classificando as técnicas de projeção em cinco grupos, de forma a facilitar o processo de aprendizagem.

Em pouco tempo o judo passou a fazer parte dos esportes escolares obrigatórios.

Em 1898 foi diretor da Educação Primária, no ministério da Educação Nacional.

Ainda em 1898, em uma de suas conferências, Jigoro Kano, assim se pronunciou: "Eu estudei ju-jutsu não somente porque o achei interessante, mas também, porque compreendi que seria o meio mais eficaz para a educação do físico e do espírito. Porém, era necessário aprimorar o velho ju-jutsu, para torná-lo acessível a todos, modificar seus objetivos que não eram voltados para a educação física ou para a moral, nem muito menos para a cultura intelectual. Por outro lado, como as escolas de ju-jutsu apesar de suas qualidades tinham muitos defeitos - concluí que era necessário reformular o ju-jutsu mesmo como arte de combate. Quando comecei a ensinar o ju-jutsu estava caindo em descrédito. Alguns mestres desta arte ganhavam a vida organizando espetáculos entre seus alunos, por meio de lutas, cobrando daqueles que quisessem assistir. Outros se prestavam a ser artistas da luta junto com profissionais de sumô. Tais práticas degradantes prostituíam uma arte marcial e isso me era repugnante. Eis a razão de ter evitado o termo ju-jutsu e adotado o do judô. E para distinguí-lo da academia Tenshin Ryu, que também empregava o termo judô, denominei a minha escola de Judô Kodokan, apesar de soar um pouco longo."

Em 1899, tornou-se presidente da comissão do Centro de Estudos das Artes Militares, Butokukai.

. No início do século, Kano, o pai do judo e da Educação Física ecléctica, tornou-se o Director da Escola de Formação de Professores, criou um departamento de educação física e começou a utilizar vários esportes como conteúdos da disciplina. Devido a estas atividades que divulgaram o esporte e a educação física, tanto dentro como fora da escola, Kano tornou-se progressivamente conceituado e adquiriu prestigio aos olhos da sociedade.

Em 1900 foi criada a Associação dos Faixas pretas Yudan-Shakai.

Em 1902 e 1905 Kano foi enviado à China pelo Ministro Nacional.

Em Outubro de 1905, obteve a 4ª categoria imperial.

Em 1907 fundou no Butokukai os três primeiros kata do judo.

Em Maio de 1909 modificou os estatutos do Kodokan, transformando-o numa sociedade pública (Fundação). Foi nesta época que os kata, estabelecidos pelo Butokukai, passaram a ser ensinados no Kodokan e formaram os primeiros fundamentos do judo: o nage-no-kata, o kime-no-kata e o katame-no-kata que vieram juntar-se ao ju-no-kata e ao itsusu-no-kata, elaborados em 1887. Em Julho de 1909, após uma semana de negociações entre 17 membros do Butokukai e 4 do Kodokan, o Butokokai aceitou os Kata do Kodokan. Ainda em 1909, o Japão recebeu um convite para participar no Comitê Olímpico Internacional pelo Barão Pierre de Coubertin, o pai dos Jogos Olímpicos da era moderna. Jigoro Kano foi escolhido como o representante do Japão, tornando-se o primeiro japonês a pertencer àquele organismo.

Em 1911 o Kodokan mudou para outras instalações com 370 m2 e foi criado um departamento de ensino. Nesse ano, Kano, fundou a Federação Japonesa de Atletismo, sendo o seu primeiro presidente. Com a evolução do panorama desportivo, em muito devido à obstinação de Kano, foi decidida e aprovada a participação do Japão nos seus primeiros Jogos, os 5º Jogos Olímpicos, realizado em Estocolmo, na Suécia, no ano seguinte, 1912. A partir deste momento originou-se um crescimento e desenvolvimento de toda a variedade de esportes, decorrente da divulgação promovida. Kano continuou o seu trabalho como membro do COI e, devido às suas funções, viajou muitas vezes através do mundo participando em encontros em prol da realização dos Jogos Olímpicos.

Em 1912 e 1913 foi enviado em missão cultural à Europa e à América. Durante os Jogos Olímpicos de Estocolmo. Em 1912, explicou o seu método a Pierre de Coubertain.

Fundou em 1915 a revista do Kodokan. Recebe no mesmo ano, do rei da Suécia, a medalha dos 7º Jogos Olímpicos.

Em 1919 o Kodokan foi reconhecido oficialmente como instituição de âmbito desportivo, enquanto Jigoro Kano desenvolvia o aspecto cultural e científico do judo, criando comitês de estudo especializados, dedicando-se particularmente à formação de professores para dotar o judo com quadros de valor.

Em 1920, Kano consagra-se inteiramente ao judo. Em Julho assiste aos Jogos Olímpicos de Antuérpia, visitando depois a Europa. Visita o Budokwai de Londres, aberto por Koizumi em 1918, ficando a supervisionar a evolução do clube. Foi nesse ano,1920, que o Gokyo foi completamente revisto por uma dúzia dos melhores mestres, permanecendo inalterado até aos dias de hoje.

Em 1921 demitiu-se da presidência da Federação Desportiva do Japão.

Em 1922 passou a ter lugar na Câmara Alta do Japão. É organizou o colégio dos faixas pretas do Kodokan.

Em 1924 foi nomeado professor honorário da Escola Normal Superior de Tóquio.

Em 1928 participou da assembleia-geral dos Jogos Olímpicos e nos próprios Jogos.

Em 1932, deslocou-se aos Estados Unidos para assistir aos Jogos Olímpicos. Tornou-se conselheiro do Gabinete de Educação Física do Japão. Participou duas vezes do Conselho dos Jogos Olímpicos que lançou os convites para os jogos japoneses, em 1932 e 1934.

Entretanto, o Kodokan continuou a crescer regularmente e, em 1934, instalou-se num local propositalmente construído, com um dojô de 2000 m2. Neste mesmo ano, Kano organizou o primeiro campeonato de judo do Japão que alcançou um grande êxito e consagrou o judo como um moderno esporte de combate.

Em 1936 assistiu aos Jogos Olímpicos de Berlim. Após uma estada de Kano em Paris, em Setembro desse sno, Feldenkrais e outros cientistas estabeleceram o Jiu-Jitsu Club da France, tendo Kano aceitado uma posição honorária no clube.

Kano que aplicou todas as suas energias na internacionalização dos desportos no Japão, em 1938, foi o momento de colher os frutos do seu trabalho, altura em que foi decidido formalmente realizar em Tóquio, os 12º Jogos Olímpicos.

No entanto, Jigoro Kano, a 4 de Maio de 1938, com 78 anos, morreu vítima de pneumonia a bordo do navio S. S. Hikawa Maru. Regressava para casa vindo do Cairo, onde havia presidido a Assembleia-geral do Comitê Internacional dos Jogos Olímpicos que tinha aceito a sua proposta de realização dos 12º Jogos Olímpicos em Tóquio, em 1940. Não houve para ele tempo de assistir a Universidade do Judô, mas tinha certeza da sua perpetuação. "Quando eu morrer, o Judô Kodokan não morrerá comigo, porque muitas coisas virão a ser desenvolvidas se os princípios de minha arte continuarem sendo estudados". Recebeu o titulo póstumo de 2º Grau Imperial. Na data da morte de Jigoro Kano, em 1938, havia cerca de 120.000 judocas recenseados no Japão, dos quais cerca de 85.000 a 90.000 eram faixas pretas,

Jigoro Kano nos legou vários manuscritos, nos quais em geral assinava com pseudônimos, dentre estes, um muito usado por ele era "Ki Itsu Sai" que quer dizer, tudo é unidade. Kano também era poliglota, pois falava quatro línguas além do japonês: francês, alemão, inglês e espanhol.

domingo, 19 de abril de 2015

A história do Judô


O significado em japonês, “ju” é suave e “dô” é caminho: CAMINHO SUAVE.

O JUDÔ teve sua origem quando o Professor Jigoro Kano procurou sistematizar as técnicas de uma arte marcial japonesa, conhecida como “Jujitsu” e fundamentar sua prática em princípios filosóficos bem definidos, a fim de torná-la um meio eficaz para o aprimoramento do físico, do intelecto e do caráter , num processo de aperfeiçoamento do ser humano.

Nesse contexto, invariavelmente surge a questão: Porque chamar de judô ao invés de Jujitsu como já era conhecida a arte marcial?

Para poder entender a razão e a dimensão pretendida por essa mudança, deve-se buscar e interpretação no processo histórico que envolve o cultivo do “Budo ” nas antigas formas de artes marciais do Japão. Segundo T.Watariabe (1967): “Budo é uma palavra característica do povo japonês e sua origem se encontra nas formas de autoproteção que permitiram a sobrevivência dos indivíduos e a perpetuação da espécie humana através do tempo”.

Essas formas de autoproteção, que constituíram as artes marciais, nasceram da qualidade de vida que o povo japonês impôs a si próprio, diante da necessidade que tinham de se defender. Daí, então, surgiram os indivíduos com grande habilidade e treinamento nas artes marciais, formando uma casta de guerreiros conhecidos como “samurais”, a serviço dos senhores feudais.

Durante o período medieval japonês, do século XIV ao XVIII, aproximadamente, as artes marciais tiveram grande; importância por seu uso militarista, apresentando evidente progresso técnico, destacando-se os grandes talentos em todas as formas de luta pela preservação da vida, utilizando-se de armas como sabres, lanças e outros instrumentos, bem com métodos de combates com as mãos nuas. Ao mesmo tempo em que aprimorava o físico para adquirir destreza na arte marcial, o “samurai” desenvolvia formas de dominar seus próprios impulsos e controlar sua vontade, em alto grau, para poder enfrentar as adversidades corajosamente “até a morte”. Essa filosofia de vida era a alma das artes marciais e entendiam, os samurais, que ela só poderia ser atingida através de árduo treinamento para desenvolver o espírito de luta – “Budo” – através da busca da serenidade, da simplicidade e do fortalecimento do caráter, qualidades próprias da doutrina ZEN. Um código de honra, ética e moral, o “Bushido”, conhecido como via do guerreiro, foi elaborado com forte influência do Budismo, alicerçando-se na preservação do caráter máximo, tal como honra, determinação, integridade, espírito de fé, imparcialidade, lealdade e obediência; preconizando uma forma de viver pela conduta de cavalheirismo, respeito, bondade, desprezo pela dor e sofrimento.

Como uma das formas de arte marcial surgiu o Jujitsu, luta corporal sem uso de armas, não tendo porém, registro preciso de sua origem. Algumas citações encontradas no “Nihon Shoki”, que é uma crônica antiga do Japão, fazem referência ao início do Sumô que teria alguma relação com o Jujitsu naqueles tempos. Houve, então, evolução desses dois tipos de lutas corporais, em que o Sumô estabeleceu-se à base do uso da força e do peso, sendo orientado no sentido do espetáculo e o Jujitsu na base da habilidade, da astúcia e da ética, foi consagrado como combate real.

A prática do Jujitsu levou à criação de inúmeras escolas, cujas características eram a especialização dos professores em determinadas técnicas, adotando estilos próprios e secretos, cujos princípios de ensinamento se apoiavam no conhecimento axioma empregado pelos “samurais”. “Na suavidade está a força”( Ju = suavidade; Jitsu = arte ou prática). Dentre essas escolas, duas delas foram especialmente estudadas pelo Professor Jigoro Kano, “Kito-Ruy”e “Tenshinshinyo-Ryu”.

A abertura dos portos japoneses em 1865, provocou intensas transformações do ponto de vista político-social, marcando a era “Meiji”, quando foi abolido o sistema feudal, com rejeição da cultura e das instituições antiquadas, introduzindo-se os conhecimentos dos países ocidentais, ocorrendo acentuado declínio das artes marciais, em completo desuso no país. O Jujitsu não foi exceção, pois as escolas ficaram privadas das subvenções dos clãs e, ainda a modernização das forças armadas levaram essa arte marcial a ser considerada parte do passado e em total decadência.

Jigoro Kano, um jovem de físico franzino, graduado em filosofia pela Universidade Imperial de Tóquio, tendo conhecimento do Jujitsu, observou que suas técnicas poderiam ter valor educativo na preparação dos jovens, no sentido de oferecer ao indivíduo oportunidade de aprimoramento do seu autodomínio para superar a própria limitação. Assim, passou a ter como meta transformar, aquela tradicional arte marcial num esporte que pudesse trazer benefícios para o homem, ao invés de utilizá-la como arma de defesa pessoal simplesmente.

Aprofundou seus estudos, pesquisando e analisando as técnicas conhecidas; o Professor Kano organizou-as de forma a constituir um sistema adequado aos métodos educacionais, como uma disciplina de educação Física, evitando as ações que pudessem ser lesivas ou prejudiciais à sua prática por qualquer leigo. Com esse intuito, em 1882 fundou sua própria escola e, para distinguir, de maneira evidente, das formas que identificavam o antigo Jujitsu, denominou de JUDÔ KODOKAN, destinada à formação e preparação integral do homem através das atividades físicas de luta corporal e do aperfeiçoamento moral, sustentada pelos princípios filosóficos e exaltação do caráter, que era a essência do espírito marcial dos samurais, o “Budo”.

Jigoro kano transformou a arte marcial do antigo Jujitsu no “caminho da suavidade” em que através do treinamento dos métodos de ataque e defesa pode–se adquirir qualidades mais favoráveis à vida do homem, sob três aspectos: condicionamento físico, espírito de luta e atitude moral autêntica.

A primeira qualidade, condições física, é obtida pela prática do esporte que exige esforço físico extenuante, de forma ordenada e metódica para proporcionar um corpo forte e saudável. Pois todas as funções corporais tornam-se melhor adaptada pela atividade que promove aumento de força muscular geral, da resistência, da coordenação, da agilidade e do equilíbrio. Devido ao treinamento rigoroso, também, o indivíduo tende a tomar mais cuidado com a sua saúde, prevenindo doenças e condicionando a reagir reflexivamente para evitar acidentes.

A segunda qualidade, espírito de luta, significa que pela prática das técnicas do Judô e pela incorporação dos princípios filosóficos durante os treinamentos, o indivíduo se torna mentalmente, condicionado a proteger seu próprio corpo em circunstâncias difíceis, defendendo-se quando ameaçado perigosamente. Com o treinamento, adquire autoconfiança e autocontrole, não para fugir do perigo, mas para adotar medidas e iniciativas em qualquer situação. Em outras palavras, o Judô é uma arte para a autoproteção total.

Por último, a atitude moral autêntica é concebida através do rigor do treinamento, que induz a humildade social, a perseverança, a tolerância, a cooperação, a generosidade, o respeito, a coragem, a compostura e a cortesia. As experiências obtidas durante o treinamento, por tentativa e erro e pela aplicação das regras de luta, impõem mudanças de atitudes, elevando o poder mental da imaginação, redobrando a atenção e a observação e firmando a determinação. Quanto falhas do conhecimento social e de moralidade constituem-se em problemas, um método de ensinar a cortesia entre as pessoas e melhorar a atitude social torna-se importante e, por isso, o Judô, desempenha papel relevante nesse contexto, como instrumento de formar e lapidar os verdadeiros caracteres morais do ser humano.
(Fonte: www.fpj.com.br)

sábado, 18 de abril de 2015

Judô e Fundamentos


O Judô

O Judô foi fundado em 1882 no Japão pelo professor Jigoro Kano, que conhecia a pedagogia moderna e os ideais físicos.
O Judô tem sua origem no Jiu-Jitsu, antiga técnica japonesa de combate praticada por Kano, o professor Kano devotou a sua vida a educação e a popularização do Judô, que hoje faz parte dos Jogos Olímpicos (o único esporte Olímpico que tem origem Asiática).
O significado de Judô é JU=Suave e DO=Caminho.

Fundamentos

PREPARAÇÃO / AQUECIMENTO (TAISÔ)

Deve-se tomar cuidado para não entrar “frio” em um treino ou competição, pois as chances de sofrer um estiramento, uma torção ou mesmo um súbito é grande.
É indispensável uma preparação na qual vá gradativamente se aquecendo e preparando o corpo para uma carga de esforço maior e mais prolongada.

ROLAMENTOS E QUEDAS (UKEMI)

Quando estava na preparação para o lançamento de seu estilo de luta, Jigoro Kano deu uma especial atenção à integridade física do atleta, já que os outros estilos de luta mostravam-se negligentes nessa área e incentivavam golpes perigosos.
Na impossibilidade de eliminar as quedas, consequência natural dos golpes de arremesso, o mestre aperfeiçoou técnicas que praticamente anulam as possibilidades de acidente.
A prática do UKEMI proporciona um excelente senso de equilíbrio e proteção, mesmo uma queda fora do tatame terá seus efeitos sensivelmente diminuídos ou até anulados. Quando fazemos o ukemi, devemos oferecer a maior área possível para o impacto (as costas) e fazer o batimento de mãos e braços para emitir uma contra onda de choque, a fim de atenuar a batida das costas contra o tatame. Quanto às quedas com rolamento, o ideal é tornar o corpo uma bola e aproveitar o impulso para rolar, diminuindo ou eliminando o impacto.
Mesmo depois de ter recebido a ambicionada faixa preta, um grau avançado de prática e conhecimento, o praticante deve continuar a ter o Ukemi como preocupação constante.

PEGADAS (KUMI-KATA)

O Kumi-kata pode ser aplicado pela direita ou esquerda (migi ou Hidari), dependendo do braço que se distende e segura a gola do quimono (judogi) do adversário. O outro braço deve ficar por fora e segurar a parte externa da manga (sodê).
Pela pegada um adversário pode dominar neutralizar ou abortar um ataque em formação ou já iniciado, em toda a sua extensão.
Para uma boa pegada é necessário ter uma boa base e força nos braços, nos pulsos, nas mãos e nos dedos. A base é o posicionamento dos pés, pernas e tronco, quando em posição de defesa tornam-se um bloco firme, coeso e resistente.

DESEQUILÍBRIO - POSICIONAMENTO - ARREMESSO (KUZUSHI-TSUKURI-KAKE)

O Kusushi casa-se perfeita e harmoniosamente com a máxima de Jigoro Kano: um mínimo de força para o máximo de eficiência.
Alguns estudiosos da obra do grande mestre acreditam ter sido a sua maior contribuição o fato de ter analisado, dividido e dado nome às fases de projeção, ou seja, Kusushi, Tsukuri e Kake. Isso teria possibilitado o aprimoramento das técnicas já existentes e a criação de outras que viriam enriquecer a arte.
Na aplicação de um golpe há duas possibilidades, uma é escolher a técnica e depois preparar o adversário para recebê-la, e a outra é aproveitar um eventual desequilíbrio para aplicar a técnica mais conveniente e oportuna. Em ambos os casos, a quebra de equilíbrio do adversário ou a preparação, recebe o nome de Kuzushi e pode ser direcionada pra qualquer um dos pontos cardeais ou colaterais, proporcionando oito direções possíveis.
Continuando seu esforço, o judoca se coloca em posição para o arremesso. Essa posição ideal para o lançamento do adversário, é chamada de tsukuri.
O próprio momento do arremesso, a execução final do golpe é o kake.

TREINAMENTO (GUEIKO)

- TENDOKU-RENSHIU – Sombra ou treinamento solitário, com ou sem espelho ou aparelhos em que se procura lapidar os golpes e melhorar a rapidez.
- UCHI-KOMI- Possível aos pares e também em trio. Visa o aprimoramento das técnicas, da rapidez e da força localizada. Dá-se vulgarmente o nome de “entrada”, porque faz o Kuzushi e o tsukuri, para e volta ao início, sem completar o arremesso.
- YAKO-SOKU-GEIKO – Treino aos pares, livre e bem leve, sem defesa com o movimento “solto”. Explora toda e qualquer chance de golpe. Visa principalmente condicionar os sentidos para o aproveitamento das oportunidades que se oferecem durante o combate.
- KAKARI-GEIKO- É o ataque consecutivo de esquerda e direita, com defesa leve do companheiro que apenas utiliza o Tai-sabaki. Este treinamento também é excelente para o condicionamento físico.
- RENRAKU-RENKA-WAZA- Este treinamento permite o estudo e aperfeiçoamento das técnicas que se concatenam e se completam, se combinam.
- KAESHI-WAZA – É o treinamento dos contragolpes.
- RANDORI – É o treinamento livre e completo, onde o atleta emprega todo o seu conhecimento e capacidade. É onde se testa a própria eficiência para conhecer os pontos negativos e possibilidades. Pode-se dizer que é a prova final antes do Shiai. - SHIAI- É o combate, a meta final para a qual o atleta se prepara por longos períodos. É onde em poucos minutos ou mesmo segundos todo o esforço pode ser coroado com êxito, ou momentaneamente posto por terra. No caso da derrota, o judoca deve raciocinar procurar a falha e corrigi-la, para na próxima tentativa obter a vitória almejada.

PEGADAS NAS POSIÇÕES DE DEFESA (FUSEGUI)

Dicas para as pegadas:
1 - Fique em posição de defesa semelhante à do oponente. Por exemplo: se ele estiver na posição direita, fique também na direita e vice-versa. Também é importante manter a posição oposta à do adversário.
2 - Os braços devem ficar tensos e o corpo deve estar flexível e descontraído. Os principiantes sentirão dificuldades, mas com o tempo irão se acostumando a controlar os braços.
3 - Ao mesmo tempo em que o judoca aplica as várias técnicas que conhece, ele deve mudar de posição no confronto com o oponente. O objetivo é desenvolver a variedade e versatilidade das técnicas.
4 - Ao iniciar o confronto, segure o casaco do adversário mantendo sempre o dedo mínimo e o anelar juntos. Outra recomendação: ao agarrar o casaco comece pelo dedo mínimo e anelar. Na hora de puxar, acrescente o indicador e relaxe o polegar. É recomendável deixar o polegar descansar ligeiramente no casaco do oponente para que a movimentação dos pés não seja perturbada pela tensão sobre esse dedo.
5 - Um procedimento errado que muitos judocas costumam colocar em prática é fazer a puxada segurando no colarinho do oponente. O certo é segurar pelas mangas.
6 Os veteranos sabem que o importante é antecipar e ler os movimentos do oponente, as ações e variações empregadas através da pele, da carne, do osso e do clima do momento. Esta habilidade, no entanto, só será notada com muito treinamento.

MOVIMENTOS DE ESQUIVA (TAI-SABAKI)

A perfeição e a habilidade com que o judoca aplica o golpe dependem muito dos movimentos de avanço e recuo (SHINTAI) do corpo. Se eles estiverem corretos, a posição ideal será alcançada sem esforço. O controle dos movimentos de esquiva envolvem cinco partes:
1 - Cabeça (ATAMA) - Manter a Postura da cabeça de modo que ela se apoie sobre o corpo todo e não apenas sobre o ombro.
2 - Respiração (IKI) - Ordenando a respiração, o raciocínio flui corretamente e os golpes terão a eficácia desejada. Se a respiração não estiver em ordem, é recomendável manter-se afastado do adversário, respirando profundamente e tranquilizando o espírito. Voltando ao estado normal, contraia o abdômen e concentre sua força.
3 - Tronco (DOO) - O lutador pode torcer o tronco, dobrá-lo para frente ou incliná-lo para traz a fim de escapar dos ataques do adversário. Esses movimentos podem ser usados também para o ataque.
4 - Mãos (TÊ) - Se o oponente agarra seu pulso, você pode se libertar aplicando-lhe um simples movimento de mão.
5 - Pés (ASHI) - Realizado conjuntamente com os movimentos do resto do corpo. Os pés se movimentam para frente, viram no ar, golpeiam, etc. Sempre que estiver lutando, o judoca deve utilizar os movimentos corporais conjuntamente. Só com perfeito domínio de todos os elementos os golpes atingirão a perfeição. Se algum golpe não funcionar, é porque alguma parte do corpo não está respondendo ao controle da mente.

A FORÇA

A força é necessária ao judô, mas não é o mais importante. Ela deve ser usada com método e discriminação. Se o judoca for privilegiado e tiver um corpo musculoso, deverá usar essa massa seguindo os preceitos de harmonia contidos na filosofia de Jigoro Kano. Só assim poderá transformar-se num campeão. A força bruta sozinha nunca servirá como canal, para que, de um judoca surja um grande mestre.
A força do espírito deve estar acima do uso da força física. Esta máxima do judô significa que você deve sempre conservar o espírito calmo, mas nunca demasiadamente relaxado, a ponto de perder a noção do que está ocorrendo à sua volta no TATAME. Significa também que dar preferência à força bruta tira a liberdade do corpo e restringe o progresso das pessoas nas técnicas.

OS SEGREDOS DA FORÇA

1 - Se o adversário empurrar puxe-o, se puxar empurre-o.
Suponhamos que o oponente tenha uma força igual a seis e você uma força igual a quatro. Se um estiver se esforçando para puxar o outro, em direções opostas, é lógico que o quatro perderá para o seis, mas se o mais fraco puxar em vez de tentar compensar a força do adversário estará somando quatro com seis e poderá derrubá-lo facilmente.
Tenha cuidado: Não tente puxar o oponente depois que ele o empurrou, pois será tarde demais. Do mesmo modo, não tente empurrá-lo quando ele ainda não o puxou, ou você ficará completamente vulnerável.

2 - Mantenha sempre o equilíbrio.
Como aplicar a força contra seu oponente com três variantes:
a) Empurrar, depois relaxar e em seguida puxá-lo.
b) Puxar, depois relaxar e então empurrar. O empurrão deve acontecer sem precipitação, no momento que ele revidar a puxada.
c) Arremessar o oponente é o modo mais eficaz de derrubar o adversário quando a proximidade é tanta que não se pode puxar ou empurrar.
Todo o corpo deve ser usado para revirar o oponente e desequilibrá-lo, levantando-o do chão. Nesta ação usa-se a força dos dois braços e o impulso das pernas, joelhos e quadris. Você não deve colocar-se numa posição que o oponente não possa derrubá-lo, mas manter-se nesta posição desde o começo.

3 - Desequilibre o oponente com mínimo esforço.
Para concentrar a força em determinada parte do corpo, é necessário primeiro relaxar com a consciência alerta, sem afrouxar.
A regra vital do desequilíbrio (KUZUSHI), ou seja, a ação que deixa o oponente numa postura fácil de derrubá-lo ou arremessá-lo: a chave é desequilibrar ou quebrar a postura do oponente. Daí pode-se derrubá-lo com o mínimo esforço.
Você pode deixá-lo numa posição instável deslocando o peso do corpo para fora da base de sustentação. Se ele tentar manter o equilíbrio enrijecendo o corpo, ficará em condições desvantajosas e não poderá recuar nem avançar.

WAZA é baseado nos princípios fundamentais do Judô, “O máximo de eficiência no uso da mente e do corpo”.

As teorias do KUZUSHI, TSUKURI e do KAKE são expressões dos princípios do ponto de vista do Waza. O Tsukuri é construído a partir do Kuzushi, que significa destruir a postura de equilíbrio do seu oponente, e “estando você equilibrado” torna seu ataque mais eficiente. O Tsukuri consiste na preparação do golpe para a sua aplicação, o Kake.
O Kuzushi, Tsukuri e o Kake são os princípios técnicos do Judô, você pode aprender o princípio que pode ser aplicado a todas as fases da vida humana.

O ATAQUE (TORI)

Preparar-se para o ataque significa preparar o próprio corpo e o do oponente para o golpe que virá.
Os principais pontos incluídos nas ações corporais preparatórias são:
1 - Não permitir que o oponente perceba claramente as ações que você está realizando.
2 - Desequilibrar o adversário com pequenos movimentos, forçando-o a fazer grandes movimentos. Esse é o princípio da força centrífuga: você se coloca no centro da ação e, com o mínimo de esforços, obriga o adversário se mexer à sua volta.

AS MELHORES OPORTUNIDADES

É preciso escolher a oportunidade certa para cada tipo de ação preparatória.
Aqui estão as melhores chances para o ataque ao adversário:
1 - Ele está para vir à frente.
2 - Ele está para recuar.
3 - Ele vai desviar-se para direita ou para esquerda.
4 - Ele vai aplicar-lhe um golpe.
5 - O corpo dele está tenso e ele está tentando preparar uma ação.
6 - Ele se movimenta de modo apressado e impaciente.
7 - Ele aplicou um golpe.
8 - Ele tentou aplicar um golpe que falhou.
9 - Ele tentou aplicar um golpe e está agora procurando recobrar a posição.
10 - No exato momento no que ele recobrou a posição inicial.
Lembre-se de um ponto importante: depois de realizar os movimentos preparatórios e ter levantado o oponente no ar, execute um movimento de arremesso, assim o golpe surtirá o efeito desejado.

O ATAQUE É A MELHOR DEFESA

O importante é você não ficar na defensiva. Se o oponente não pode atacar é porque está ocupado em se defender, isto significa que você está levando vantagem atacando. O ataque é uma defesa e a defesa deve ser um ataque.

Disciplina e hierarquia no judô


Para a formação do judoca (aluno) ou de qualquer praticante de arte marcial é necessária uma rígida disciplina e o absoluto respeito à hierarquia. Esses são os pontos fundamentais do JUDÔ e a eles fazem referencias expressas os regulamentos. Não devemos esquecer que o JUDÔ além de ser praticado em conjunto é um esporte de luta e somente poderá ser um bom lutador quem for disciplinado.

O judoca deve sempre:
Manter silêncio;
Sentar-se corretamente: Agura (sentado com as pernas cruzadas) ou Zarei (sentado sobre os joelhos);
Cumprimentar ao entrar e sair do DOJO;
Pedir autorização do professor para sair do DOJO;
Respeitar o professor e os colegas;
Ajoelhar em ordem quando da chegada do professor;
Estar atento às instruções do professor;
Conservar o DOJO sempre limpo e em ordem.
Obs.: Pontualidade é um hábito que deve ser seguido rigorosamente nas aulas, assim como nos eventos ou competições.

O DOJO ou DOJÔ (pronuncia-se Dô-Jô) é o local onde se treinam artes marciais japonesas. Muito mais do que uma simples área, o DOJO deve ser respeitado como se fosse a casa dos praticantes.
Por isso, é comum ver o praticante fazendo uma reverência antes de adentrar, tal como se faz nos lares japoneses. Antigamente no Japão, havia uma tradição que consistia em desafiar uma academia (no caso o dojo). Caso a academia perdesse, o visitante poderia levar a placa na qual estava escrito o nome do DOJO como recompensa. O DOJO é uma área onde os praticantes confrontam-se para treinar ou para exibir as suas técnicas que formam uma área retangular de medidas satisfatórias para a prática do JUDÔ, este por sua vez é composto pela junção de várias peças chamadas TATAMES. Essas peças anteriormente feitas de palha de arroz, esteira e coberta de lona são agora mais modernas e fabricadas de placas de material sintético que possibilitam uma melhor prática do JUDÔ.

O TATAME antigo possuia como medida o comprimento de 1,80m por 0,90m de largura e de 5 a 10cm de espessura, os atuais sintéticos vão de 1 x 1m até 2,20 x 1,10 m e de 10 a 40 mm de espessura e são bem mais leves. Há ainda DOJOS feitos de peça única, isto é, um só TATAME na medida do DOJO,

O judoca deverá, tanto na entrada quanto na saída do DOJO prestar reverência, pois este é um local considerado sagrado de acordo com as tradições, deverá também, prestar reverência ao SHIHAN, SENSEI ou ao portador de mais alto grau de faixa que estiver presente. Este fará sua saudação de pé ou ajoelhado de acordo com as disposições deste.

A reverência ou saudação é a forma de mostrar o respeito entre os praticantes do JUDÔ, seus professores e mestres, cada esporte tem sua forma de saudação, ou seja reverenciar seu mestre, professor e local onde são praticados. Existem duas formas de saudações:
RITSU-REI – Saudação de pé – nesta forma de saudação o Judoca deverá ficar de pé na posição inicialmente de sentido (SKEI), depois cumprimentar abaixando a cabeça e inclinando o tronco para a frente.
ZA-REI – saudação de joelhos - nesta forma de saudação o Judoca deverá ficar de joelhos, depois cumprimentar inclinando suavemente a cabeça e o tronco para a frente.

O comando do início ou término da aula será evidentemente daquele que maior grau possua, porém no caso de dois alunos de mesma graduação, ela caberá ao mais antigo, a não ser que haja determinação especial por parte do SENSEI.

O judoca deve entrar no DOJO devidamente composto, isto é, com seu JUDOGI (uniforme de JUDÔ) limpo, seco e sem odor desagradável, apresentando o sadio aspecto de um verdadeiro desportista. A higiene pessoal é uma das qualidades que o judoca deve possuir em elevado nível, assim sendo, quando um judoca se apresenta para uma aula ou competição deve estar de banho tomado, com as unhas dos pés e das mãos aparadas e/ou cortadas curtas, bem como com os cabelos cortados e/ou presos (amarrados com elásticos) de modo a evitar incomodar seu colega. Deve tomar o cuidado para não portar celular dentro do JUDOGI, bem como evitar o uso de aparelhos odontológicos, pulseiras, anéis, brincos, colares, relógios, etc., a fim de resguardar a sua integridade física e a dos seus colegas.

O JUDOGI - uniforme do JUDÔ - Consiste numa vestimenta ampla, branca, quase branca ou azul, de algodão ou outro material semelhante, em boas condições (sem remendos nem rasgões), composta de três peças: Wagui, Shitabaki e Obi.
WAGUI ou BAGUI – é a parte superior do JUDOGI que deverá ter comprimento suficiente para cobrir os quadris e deverá ser amarrado à cintura pela faixa. As mangas deverão suficientemente compridas para cobrir os antebraços, admitindo-se de 1 a 5 cm a partir do pulso e ter folga de 10 a 15 cm nos braços.
SHITABAKI ou ZUBON – é a parte inferior do JUDOGI que deverá ser folgada e ter comprimento suficiente para cobrir a perna, admitindo-se de 1 a 5 cm entre o tornozelo e a bainha.

OBI – é a faixa que representa seu nível de aprendizado, deverá ser amarrado com duas voltas em torno da cintura com um nó duplo e suficientemente apertado na altura da cintura para que o wagui não venha a se soltar, deixando duas pontas livres de 20 a 30 cm a partir do nó.