quarta-feira, 15 de março de 2017

Judô: A Faixa feminina


O comitê executivo da Federação Japonesa de Judô anunciou nesta data, 13 de março de 2017, nova regulamentação e aboliu a faixa preta feminina com uma listra branca usada em competições internas na terra do judô para diferenciar homens e mulheres no tatame. A partir de agora, tanto homens, quanto mulheres usarão a faixa preta normal, sem listra, nos torneios domésticos, como já acontece nas competições da Federação Internacional de Judô.

A prática de diferenciação de gênero pelo uniforme vem há muito tempo sendo criticada como uma medida sexista. A própria Federação Internacional de Judô aboliu a faixa listrada em 1999 em competições internacionais.

Antigamente as faixas femininas possuíam uma tira branca no meio da faixa no sentido longitudinal para diferençá-las das faixas masculinas, não se sabe ao certo qual a utilidade desse método, mas em algumas escolas japonesas, ainda hoje, se vê essa tradição.

    
Pesquisando um pouco sobre isso, encontrei um pouco sobre o assunto no capítulo II do livro “Mulheres no Tatame: O judô feminino no Brasil”, escrito por Gabriela Conceição de Souza e Ludmila Mourão, o qual reproduzo abaixo:

...Jigoro Kano respeitava os limites e os valores de sua cultura, que pregava ideias como: “As mulheres não são feitas para lutar, e sim, para procriar”; esta ideia também existia no Ocidente. Entretanto, Kano, como educador, questionava esses valores e se interessava em desenvolver uma arte que não tivesse cunho violento e, portanto, não pudesse pôr em risco as condições físicas das mulheres, caso essa fragilidade realmente existisse, ou sobrecarregar seus corpos. Além disso, acreditava que a suavidade e a delicadeza que a cultura feminina trazia para as lutas configuravam-se como características importantes para aquilo que considerava o ideal do espirito judoístico. Partindo desse principio, Kano dá início às aulas de judô para mulheres em sua própria casa (Sugai e Tsujimoto, 2000). Por outro lado, as diferentes características do treinamento feminino e do masculino eram representadas inclusive na vestimenta própria do judô. O quimono utilizado para a prática da luta era o mesmo para ambos os sexos. Entretanto, ao longo da faixa feminina, longitudinalmente, deveria haver uma lista branca, que não existia nas faixas masculinas (Kano, 1994)...

... A primeira aluna do mestre Jigoro Kano foi Sueko Ashiya, em 1893, mas também participavam das aulas a esposa de Kano, Sumako, e algumas amigas (Sugai e Tsujimoto, 2000)...

...Somente em 1926, Jigoro Kano criou uma equipe só de mulheres na escola Koubun Gakuin, em Tóquio – a JoshiBu -, e a primeira mulher faixa preta foi Kozaki Kanoko, em 1933, cuja faixa apresentava a listra branca no meio para diferençá-la das faixas masculinas...

No Brasil não há notícia do uso da listra branca na faixa de judô, se houve já caiu em desuso há muito tempo.


Vamos falar mais um pouquinho sobre faixa de judô:

Por que não se lava a faixa do judô? Essa pergunta quando feita traz respostas das mais variadas, como pelo fato dela desbotar, superstição, etc.

Desbotar é sempre possível, dependendo da qualidade da faixa e a forma de lavagem e em termos de superstição, não se pode lavar porque a faixa demonstra todo seu conhecimento e lavando ele vai embora junto com a água (depois de mais velhos nós sabemos que isso não existe, mas para as crianças funciona bem).

Entretanto, a origem desta tradição tem uma explicação até lógica. Durante muito tempo, no Japão só existiam duas cores de faixa: branca ou preta. No intervalo entre uma e outra não havia como fazer a distinção entre alunos mais graduados e menos graduados. Ou melhor, havia, o judô nessa época era praticado no chão duro, muitas vezes na terra, sendo que, quanto mais suja a faixa, significava que o aluno treinava há mais tempo. Lavar a faixa então representaria um retrocesso.

O aluno só passava da faixa branca quando esta literalmente estava marrom de sujeira, a faixa marrom então significava que o aluno já treinou tanto, que ela ficou daquela cor.

Com o passar do tempo, foi introduzida então mais uma cor de faixa e a escolha da cor é óbvia: a marrom. Até hoje no Japão só existem essas três cores de faixa: a faixa branca japonesa que corresponde até aos quatro primeiros graus brasileiros (branco, azul, amarelo e laranja), a faixa marrom que corresponde aos nossos três graus seguintes (verde, roxo e marrom) e a preta que corresponde igualmente à nossa preta.

A origem das faixas coloridas, bem como, o significado das cores particulares, ainda é encoberta de mistérios, e pode permanecer perdida na história. Embora não tenha deixado nenhuma razão registrada para as várias cores usadas, o Dr. Kano deixou alguns indícios. De acordo com sua doutrina filosófica, não há limites para as melhorias e para o progresso que se pode ter no seu treinamento de judô. Assim, o Dr. Kano acreditou que se alguém conseguisse um estágio mais elevado do que o décimo dan, retornaria consequentemente à faixa branca, terminando desse modo o círculo completo do judô, como o ciclo da vida.

No caso desta eventualidade, deve-se salientar que o Kodokan decidiu que a faixa usada por tal pessoa deveria ser aproximadamente duas vezes mais larga que a faixa comum, para impedir que os novatos confundissem o significado. Até agora, o Dr. Kano é a única pessoa com a graduação de décimo segundo dan e com o título de Shihan.

Eventualmente, a habilidade ou o nível do judoca vieram a ser denotados pelas faixas coloridas usadas em torno da cintura com o judogi. No Japão, as faixas brancas são geralmente usadas por todas as graduações de kyu, embora algumas escolas usem também a faixa marrom para indicar os níveis mais elevados do kyu. As faixas azul, amarela, alaranjada, verde, e roxa, usadas pelos níveis intermediários do kyu tiveram origem na Europa e foram importadas para o sistema dos Estados Unidos durante o início dos anos 50.

As faixas pretas são tradicionalmente usadas pelos praticantes competitivamente graduados, primeiro dan (shodan) até o quinto dan (godan). Uma faixa vermelha e branca é usada pelos níveis merecidos pelo serviço prestado ao judo, sexto dan (rokudan) até o oitavo dan (hachidan), e as faixas inteiramente vermelhas são reservadas para o nono dan (kudan) e o décimo dan (judan).

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Jiu Jitsu, natural da Amazônia


A Origem da moderna arte marcial brasileira deve-se à trupe performática do Conde Koma e às atividades circenses dos primeiros Gracie

No primeiro round entre a tradição brasileira e a modernidade oriental, deu capoeira. Em 1909, o japonês Sada Miuako, instrutor de jiu-jitsu trazido pela Marinha, foi fulminado por um rabo de arraia desferido por um capoeirista negro chamado Cyriaco em um combate-exibição no Centro do Rio de Janeiro (reportagem do Jornal O Malho de 15/05/1909). Mas outros rounds viriam, e a nova arte marcial seria assimilada no país, ganhando características próprias. Um século depois, é conhecida no mundo todo como Brazilian Jiu-jitsu.

Os militares da Marinha, ramo mais aristocrático das Forças Armadas, em contato direto com as inovações globais do início do século XX, foram os primeiro entusiastas da prática do jiu-jitsu. A luta representava para eles um método de educação física moderna, instrumento de aperfeiçoamento eugênico da população brasileira, considerada pelos intelectuais da época como racionalmente inferior. Após sua vitória na guerra contra a Rússia em 1905, o Japão tentava quebrar o monopólio dos americanos e europeus como modelos de civilização para o mundo. A elite brasileira começou a admirar o país oriental como exemplo bem-sucedido de superação das tradições rumo à modernidade. Como a capoeira simbolizava um passado incômodo – estava associada à criminalidade e à escravidão – o jiu-jitsu poderia ser o futuro.

Após tentativas esporádicas, quase exclusivamente no âmbito militar, o jiu-jitsu foi introduzido no Brasil através da Amazônia, durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918). Chegou com uma trupe de artistas marciais treinados em um no estilo de Jiu-jitsu. Era o judô. Essa maneira diferente de lutar foi desenvolvida pela escola Kodokan, fundada em 1882, em Tóquio, por um jovem educador chamado Jigoro Kano. O criador do Judô fora influenciado pelo novo currículo das universidades japonesas, introduzido durante o processo de modernização local conhecido como Meiji (1868 – 1912). A escola de Kano era baseada em moldes pedagógicos e filosóficos que combinavam as culturas do Oriente e do Ocidente. De forma análoga, seu judô era uma fusão de movimentos de quedas e luta no solo inspiradas nos estilos tradicionais, obedecendo a uma mecânica corpórea. Seu intuito era transformar uma arte marcial de origem medieval em prática esportiva para formar cidadãos modernos.

Os membros da trupe japonesa em excursão pela Amazônia divulgavam sua cultura no Ocidente. Chegaram a Belém no final de 1915. Teatros, bares e circos eram os palcos de sua performances exóticas. O sucesso da trupe nesse final de Belle Époque tropical foi imenso. Aclamados pela imprensa local como “Hércules Nipônicos”, os japoneses desfilavam paramentados em quimonos ao longo das amplas avenidas de Belém, construídas durante o auge da borracha. Ao contrário do ocorrido anos antes no Rio de Janeiro, um dos mestres de judô venceu com facilidade, em Belém, o capoeirista local. Aos olhos da elite cosmopolita foi o triunfo da civilização sobre a barbárie.

O grupo era dirigido por Mitsuyo Mayeda, mais conhecido pelo nome de guerra, Conde Koma, discípulo do criador do Judô, Jigoro Kano, Mayeda deixou o Japão na época da Guerra Russo-Japonesa para divulgar exatamente esse estilo de luta iniciante. Nos Estados Unidos, na Europa e na América Latina, exibiu-se em espetáculos de luta livre. Na Amazônia, a trupe excursionava pelas capitais da região, apresentando-se em circos locais. Um deles com o nome pomposo de “American Circus”, tinha como sócio Gastão Gracie, membro de uma família aristocrática do Rio de Janeiro, de origem escocesa. As atividades da trupe não se limitavam aos espetáculos: incluíam o ensino de artes marciais em espaços improvisados em Belém e Manaus. Foi assim que os japoneses passaram a divulgar este estilo de jiu-jitsu moderno para jovens da burguesia dessas capitais. Carlos Gracie, filho mais velho de Gastão, foi um dos atraídos pela novidade marcial do Oriente. Ele tinha interesse em esportes de combate em virtude das atividades circenses de seu pai, que incluíam a promoção de espetáculos de luta livre.

O que os alunos brasileiros do Conde Koma não podiam imaginar eram as dificuldades pelas quais passava aquela luta em sua terra natal. Desde o início, o criador do judô, Jigoro Kano, adotara rígidos padrões morais para diferenciar sua escola das artes marciais decadentes, para fazê-la respeitável aos olhos da elite Meiji. Lutas profissionais (pagas) e outras atividades de respeitabilidade duvidosa eram desencorajadas. Em 1909, Kano foi nomeado representante do Comitê Olímpico Internacional para a Ásia. O que endureceu ainda mais sua visão puritana da prática do esporte. Refletindo esta crise, os japoneses envolvidos em lutas profissionais adotaram o termo ”jiu-jitsu” apena um termo genérico para se referir a centenas de estilos de combates corpo a corpo existentes no Japão – para se diferenciar do judô. A estratégia era uma forma de proteger a reputação da escola de Jigoro Kano – já que judô era um dos estilos de jiu-jitsu, era possível praticá-lo profissionalmente sem chamá-lo pelo nome.

O programa ensinado por Conde Koma e seus parceiros na Amazônia refletia esse momento de indefinição: eram técnicas de jiu-jitsu vagamente baseadas nos fundamentos pedagógicos e filosóficos da Kodokan, a escola de Kano. A fragilidade do status de Conde Koma se confirma pelo fato de que nunca concedeu uma faixa preta a discípulos brasileiros. O sistema de promoção em faixas – que se tornaria prática comum em todas as artes marciais – era mais uma inovação de Jigoro kano. Sem alunos graduados ou faixas pretas não haverá possibilidade da transferência integral de conhecimento e perpetuação do judô da tradição Kodokan na Amazônia.

Ao largo dessas nuances japonesas, Carlos Gracie foi treinado por um tempo relativamente curto em técnicas de jiu-jitsu que provavelmente invcorporavam a experiência do Conde Koma em lutas profissionais. Isto fazia dele um praticante de “jiu-jitsu“, e não um discípulo no sentido clássico do judô Kodokan. No começo da década de 1920, Gastão Gracie e sua família se mudaram para o Rio de Janeiro em consequência da penúria financeira e da morte do patriarca Peter (Pedro) McNichols Gracie.

Logo após os Gracie deixarem Belém, Conde Koma iniciou um processo de reabilitação junto à Kodokan. Ele se retirou das lutas profissionais e se tornou o representante de interesses japoneses na Amazônia, responsável, inclusive, pelo assentamento de seus compatriotas na região. O resultado concreto desta mudança foi o recomeço de sua promoção na hierarquia da Kodokan, que estava paralisada havia 17 anos. Em 1935, Conde Koma publicou um manual de judô em português homenageando Jigoro Kano e explicando o uso ambíguo de termos como “judô” e “jiu–jitsu”. O título "Jiudo" assinala a transição do jiu-jitsu para o judô

Enquanto isso, Carlos Gracie abria sua primeira escola de jiu-jitsu no Rio de Janeiro, em setembro de 1930. Perpetuava no Brasil, o nome genérico de uma tradição medieval japonesa. A peculiaridade do aprendizado de Carlos deixou-o livre dos dogmas da Kodokan, abrindo caminho para a aculturação do jiu-jitsu e a criação de um estilo local. Igualmente importante para o futuro do Brazilian jiu-jitsu, a modesta escola de Carlos Gracie se encontrava a poucos quarteirões do centro decisório da capital brasileira. Em novembro de 1930, as tropas gaúchas amarraram seus cavalos no obelisco do centro do Rio de Janeiro , enquanto Getúlio Vargas assumia o poder no Palácio do Catete. O discurso nacionalista da Era Vargas deu suporte fundamental ao processo de invenção de um estilo brasileiro do jiu-jitsu japonês. Além disso, o regime legitimou esta transformação ao adotar o jiu-jitsu como um dos sistemas de defesa pessoal das forças de segurança criadas pelo Estado autoritário na década de 1930. O Brazilian Jiu-jitsu nasce junto com o Brasil Moderno.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Estilos de Judô e outras Artes Marciais (Kosen Judô - Sambô - Kudô)


Kosen Judô

O Kosen Judô se refere a uma série de regras de competição do Kodokan Judô com ênfase em técnicas de solo oaseokomi-waza (técnica de imobilização), kansetsu-waza (técnica de juntas) e shime-waza (técnicas de estrangulamento).

A escola Kosen começou suas próprias competições a partir de 1914, sendo basicamente as regras do Dai Nippon Butokukai e da Kodokan antes de serem mudadas. Nas artes marciais japonesas essas técnicas são conhecidas como ne-waza.

O Kosen Judô, acabou por florescer na região de Kyoto em 1940 e continua até hoje no mesmo formato.

Algumas pessoas chamam hoje o Kosen Judô de um estilo de Judô nascido do treino para as competições Kosen. Conhecendo a história, parece ser inadequado chamar o Kosen Judô de um estilo de Judô. O que há é o mesmo Judô sendo treinado com o mesmo conjunto de técnicas existentes, porém dando uma ênfase maior nas técnicas de ne-waza. No Japão, várias escolas até hoje mantém esse foco no Judô, e ainda existem competições que seguem as regras Kosen. Talvez seja possível chamar o Kosen de um estilo de Judô, mas não como um estilo diferente, mas apenas um estilo que dá enfase diferente nas mesmas técnicas existentes.

Muitas pessoas acreditam que o Judô é uma luta que possui apenas golpes de projeção. Essa falsa crença é alimentada pelo conhecimento popular do Judô esportivo, do Judô olímpico e mesmo as vezes disseminado por praticantes que pouco conhecem o Judô.

A verdade é que o Judô possui, além de golpes de projeção, técnicas de defesa pessoal (goshin jutsu), tecnicas de chute e soco (atemi-waza) e um vasto número de técnicas de chão (ne-waza).

As principais técnicas de luta no solo (ne-waza) foram introduzidas no Judô em 1890, quando um mestre da escola Fusen-Ryu desafiou os alunos da Kodokan e venceu praticamente todos os desafios. Jigoro Kano o chamou para compor a Kodokan, tendo assim absorvido as técnicas de solo de uma escola especialista nessa área.

Em 1914, Jigoro Kano realizou um torneio entre universidades e escolas do Japão, tendo como principal entidade organizadora a Universidade de Kyoto. Esse torneio ficou conhecido como Kosen Takai (Competição Interescolar). As regras dessa competição eram bastante simples: existia apenas o Ippon (a vitória) pelo golpe perfeito, imobilização ou submissão, e o empate. Essa regra ficou conhecida como a Regra Kosen.

Em torno de 1925, a fim de modificar os rumos do Judô, pois Jigoro Kano percebeu que estava ocorrendo um certo abandono das técnicas de projeção, a Kodokan modificou as regras competitivas, dando ênfase de 70% para o Tachi-Waza (técnicas em pé) e 30% para o ne-waza (técnicas no solo). Ao discutir as mudanças de regra com a Universidade de Kyoto, não houve acordo. Assim, as competições Kosen continuaram seguindo as regras originais, permanecendo até os dias de hoje, enquanto que as competições de Judô seguiram com as novas regras.

Nos vídeos abaixo , que documentam os treinos de Kosen Judô, é possível ver as técnicas que até hoje são utilizadas em lutas de solo. Assista do documentário abaixo, com Kimura demonstrando o Kosen Judô:

Kosen Judô - Volume 1 - Parte 1
Kosen Judô - Volume 1 - Parte 2
Kosen Judô - Volume - Parte 3




Sambô

O Sambô é uma arte marcial hibrida de origem russa, que já existia muito antes de artes marciais mistas (MMA). Possui quase todos os movimentos que se possa imaginar e técnicas englobando todas as distâncias de combate: punhos, cotovelos, joelhos, pernas, quedas, projeções, raspagens, estrangulamentos, chaves e todos os tipos de submissões.

O Sambô (em sua versão esportiva) é uma das quatro principais formas de Wrestling amador competitivo praticadas hoje, juntamente com a luta Greco-Romana, estilo livre de luta (luta olímpica) e Judô. É governado mundialmente pela FIAS e no Brasil pela CBAS, Confederação Brasileira Amadora de Sambô.

A palavra Sambô é um acrônimo em russo para “САМозащита Без Оружия“, САМБО, ou “SAMozashchita Bez Oruzhiya“, Sambô, que significa defesa pessoal sem armas.

O Sambô nasceu da necessidade de aparelhar com técnicas de combate as forças armadas soviéticas. Equipes de especialistas surgiram para melhorar o sistema de combate, baseados em viagens aos países de origem de artes marciais consideradas eficientes e em conhecimentos prévios de militares que estiveram nesses países. Estas equipes de especialistas pesquisaram artes marciais de diversas partes do mundo como Japão, China, Europa e Mongólia para integrá-los em um único sistema com uma mistura de um total aproximado de 25 diferentes lutas das repúblicas soviéticas e da estepe russa. Alguns dos sistemas de combate regional incluíam Tuvan Khuresh, o mongol Khapsagai e Bökh, Chuvash Akatuy, o Chidaoba georgiano, o Kurash Kokh armênio e Usbeque. O resultado das pesquisas foi uma seleção das melhores técnicas de disciplinas como Judô, Aiki-JuJutsu, Jiu-Jitsu, Boxe Francês (Savate), e diversos tipos de Kung Fu/Wushu como Shuai Jiao (forma de Wrestling criado pelos chineses), que se fundiram com as lutas nativas e também técnicas de esportes olímpicos como o Wrestling, sempre testando essas disciplinas com base nos conhecimentos de anatomia e dinâmica corporal, o que fez surgir golpes e técnicas especificas de Sambô.

Mas o Sambô não surgiu assim tão linearmente, como pode parecer à principio. Duas variantes principais iniciaram o desenvolvimento do Sambô e depois foram unificadas em um único sistema e, portanto, disputam o título de fonte do Sambô.

O Sambô originou-se da junção de técnicas de autodefesa criadas ao mesmo tempo, porém independentemente, por Vasili Oshchepkov (1892-1937) e Viktor Spiridonov (1881-1943), técnicas estas com o mesmo nome (Sambô) porém com estilos diferentes. O estilo proposto por Spiridonov, um notório pesquisador de lutas, possuía raízes na luta Greco-Romana, lutas eslavas, Aiki-jiu-jitsu japonês e diversas lutas chinesas. Spiridonov foi o primeiro a desenvolver técnicas relacionadas ao Sambô.

A influência Oshchepkov eram os Aiki-jiujitsu, Tenjin Shin’yo Ryu e Kito Ryu, além do Judo. O estilo proposto por Oshchepkov é o que mais se assemelha ao Sambô atual.

Anatoly Kharlampiev (1906-1979), aluno de Oshchepkov, aprimorou o estilo proposto pelo mestre, compilando ainda as técnicas de Spiridinov. Foi também o responsável pelo reconhecimento da arte marcial junto ao comitê de esportes da URSS. Por suas contribuições técnicas e políticas, é reconhecido, por vezes, como criador do Sambô contemporâneo.

Entretanto, não há um consenso universal sobre a existência de um criador único do Sambô.





Daido Juku - Kudô

Daido Juku, pode ser traduzido como “Escola do Grande Caminho”, também conhecido como Karate-do Daido Juku, mais tarde como Kakuto Karate Daido Juku, é uma organização de artes marciais, fundada em 1981 por Takashi Azuma.

O Mestre Takashi Azuma nasceu na cidade de Kesen Numa, na Prefeitura de Miyagi, em 1949. Em 1965, com 16 anos, começou a treinar Judô e a partir daí dedicou a sua vida às artes marciais e aos desportos de combate. Aos 22 anos iniciou o seu estudo do Karate, treinando com Matsutatsu Oyama, o criador do estilo Karate Kyokushinkai.

Azuma dedicou-se inteiramente ao estudo do Kyokushin e participou em praticamente todos os grandes torneios e eventos da modalidade com excelentes resultados.
Em 1975 havia já decidido que queria abrir os horizontes e procurar novas experiências tendo-se mudado para os Estados Unidos da América.
Em 1977 venceu 9º Kyokushin National Tournament, a prova rainha da modalidade, que se disputa anualmente no Japão e que é, hoje em dia, uma prova aberta a todos os participantes Internacionais.

Naquele tempo, Azuma foi campeão de full contact, foi faixa preta de Judô 3º Dan e mestre karate Kyokushin (8º Dan de Kyokushin) e se desligou da Organização Kyokushin para formar o Daido Juku, na cidade de Sendai localizada em Honshu do Norte, Japão.

Azuma criou uma arte marcial híbrida, não restrita às fronteiras de um único estilo, que utilizava técnicas de várias artes marciais, especificamente, ao tempo de sua criação em 1980: Karate e Judô.

No final dos anos 80 e início dos anos 90 o estilo começou a incorporar várias técnicas do Boxe, Jiu Jitsu, Sambô e outras artes marciais, afinando cada técnica para o uso no Daido Juku.

Tendo em mente a elaboração de um estilo de luta versátil e realista que não comprometesse a segurança dos seus praticantes, um dos objetivos fundamentais do Daido Juku, Azuma criou um estilo que incorporou várias técnicas, tanto defensivas quanto ofensivas, que incluem socos na cabeça, cotoveladas, cabeçadas, projeções de Judô, chaves de Jiu-Jitsu e outras técnicas de lutas no chão e em pé. Diferentemente do karatê tradicional ou clássico, o kudô é uma arte marcial praticada com um capacete de acrílico que protege o rosto, luvas, kudô-Gi e coquilha para os homens. O capacete tem o intuito de evitar danos faciais, pois o que conta no kudô é a evolução do pensamento junto com seu adversário.

Em 1981, o Daido Juku fez sua estreia pública no "1981 Hokutoki Karate Championships", também conhecido como "Hokutoki".

Originalmente conhecido como Karate-do Daido Juku e depois Kakuto Karate Daido Juku, o nome do estilo foi, inevitavelmente, modificado para reconhecer suas técnicas únicas e heterodoxas como uma arte marcial misturada. Em 2001, na conferência oficial realizada pela Daido Juku, o fundador Azuma Takashi e o presidente da Daido Juku, renomearam a arte marcial misturada Budo para Kudô. Esta renomeação permitiu ao Kudô a oportunidade de se tornar um esporte oficial da Japanese Cultural Budo, a mesma categoria do Judô, Aikidô e Kendô.

Incansável pesquisador de artes marciais, Azuma vai à Tailândia periodicamente, para incorporar em seu sistema técnicas e conceitos de muay thai, desenvolvendo assim uma arte marcial que abrange todos os campos do combate corpo a corpo: luta em pé, quedas e luta de chão.

O Kudô tem por princípio treinar com a maxima intensidade e disciplina para tornar o lutador um combatente possante com uma forte capacidade física e rigoroso nos seus objetivos de superação. Treinar todo o tipo de técnicas e estilos, sem preconceitos, por forma a permitir ao praticante proteger-se, atacar e contra-atacar qualquer adversário, independentemente do estilo ou técnica com que somos confrontados.

Kudô significa a forma de viver de acordo com os três conceitos:

Ku - é o resumo de três conceitos:
1. Mujou Kan - Tudo quanto é fisico é susceptível de mudar de forma, por isso, as coisas físicas são vazias de significado, não têm valor;
2. Sougo Izonn - O mundo físico é interdependente. As coisas relacionam-se e só existem porque existem outras que as sustentam ou suportam, por isso, não devemos basear a nossa vida nas nossas certezas absolutas e nas nossas convicções;
3. Huenn Hutou - Devemos manter a mente aberta, devemos ser imparciais e liberais, mantendo-nos sempre afastados dos preconceitos.
Do - significa caminho, via, uma forma de viver pela qual nos conduzimos.

Kudô e Daido Juku são marcas registradas e todos os seus instrutores e chefes de filiais são certificados pela Kudô International Federation, também conhecida como K.I.F.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Judô: Ciclo novo, regras novas



judô tem mudanças importantes para 2017

A Federação Internacional de Judô publicou, em seu site oficial, novas regras que regulamentarão as competições de judô para o próximo ciclo olímpico, passando por um período de testes a partir do Aberto Continental da África, em janeiro, até o Campeonato Mundial de Budapeste, em setembro de 2017. Entre as principais propostas de mudanças estão o fim do yuko e a redução do tempo de luta dos homens de cinco para quatro minutos, assim como é na competição feminina. De acordo com o comunicado oficial da entidade, o objetivo dessas adaptações à regra é promover uma disputa mais clara e dinâmica.

"Toda mudança, a princípio, gera uma rejeição, que é natural. Ainda mais quando não há uma discussão mais ampla, envolvendo mais países, técnicos e atletas", ponderou Ney Wilson, gestor de Alto Rendimento da Confederação Brasileira de Judô (CBJ). "Eu entendo que a Federação Internacional tem uma preocupação grande com a imagem, com a divulgação do judô na mídia e, por isso, vem tentando adaptar o esporte à televisão. Diminuir o tempo de luta, por exemplo, é uma medida que visa ao dinamismo exigido pelas transmissões de TV. Ainda é cedo para fazer uma avaliação mais profunda de todas as mudanças, pois precisamos ver essas novas regras como ficarão na prática. O nosso primeiro grande teste será no Grand Slam de Paris, em fevereiro, e teremos um treinamento de campo em janeiro para trabalhar isso com a seleção".

Ainda segundo a FIJ, as novas regras foram elaboradas a partir de propostas de Federações Nacionais e dos 20 diretores do Comitê de Coordenação da FIJ. Em janeiro, elas serão apresentadas no Seminário Internacional de Técnicos e Arbitragem, que acontecerá, em Baku, no Azerbaijão. Durante o período de testes, a nova regulamentação poderá ser corrigida se necessário.

"A forma de preparar o atleta para uma luta de cinco minutos é diferente da forma de preparar o mesmo atleta para um combate de quatro minutos. Eu colocaria, no mínimo, seis meses de adaptação para os atletas, técnicos e os árbitros também", completou Ney.

Veja abaixo os principais pontos das adaptações à regra:

. Duração do combate

- Duração de 4 minutos de luta para homens e mulheres, respeitando a igualdade de gêneros como desejava o Comitê Olímpico Internacional e tempo de luta unificado para a disputa por equipes mistas nos Jogos Olímpicos.
- Apenas pontuações (waza-ari e ippon) decidirão a luta.

. Golden Score

- No caso em que não haja pontuação, ou que haja empate em pontuação, a luta continuará no Golden Score
- Toda pontuação e/ou penalidade do tempo regulamentar permanecerá no placar
- A decisão no Golden Score será pela diferença de pontuação ou shido.

. Avaliação dos pontos

- Fim do yuko. O que era yuko valerá agora como waza-ari. Só haverá pontuação por waza-ari e ippon
- Os waza-aris acumulam, mas não se somam mais. Dois waza-aris não serão equivalentes a ippon
- Imobilização (Osae Komi): 10 segundos para waza-ari e 20 segundos para ippon

. Penalidades

- Máximo de três shidos, no lugar de quatro
- O terceiro shido torna-se Hansoku Make (desclassificação)
- Ações de kumikata (pegada no judogi) não serão mais penalizadas: pegada cruzada, pegada "pistola/torniquete", pegada com dedos por dentro da manga, pegada do mesmo lado.
- Kumikata não será penalizado enquanto o Tori estiver preparando um ataque, mas posições negativas serão penalizadas
- O tempo para fazer uma pegada e um ataque será de 45 segundos
- Em caso de atitude defensiva, será dado um shido
- Catada na perna será penalizada primeiro com um shido e, se acontecer uma segunda vez, será hansokumake.

. Segurança

- Se o Uke tentar evitar uma queda com qualquer movimento que coloque em risco sua cabeça, pescoço ou coluna ele deve ser penalizado com Hansoku Make

. Pontos do Ranking Mundial

- Os pontos serão modificados. Propostas serão feitas em breve.
- Medalhistas de Campeonato Mundial Junior levarão os pontos dessa competição para o Ranking Mundial

sábado, 19 de novembro de 2016

Judô: E ele continua, não para...



Integralmente copiado de www.cbj.com.br
Ícone do judô brasileiro, Chiaki Ishii volta às competições com ouro no Mundial de Veteranos 2016.

O Brasil conquistou outras sete medalhas no primeiro dia da competição que está sendo realizada em Fort Laurderdale, Estados Unidos.

18 de novembro de 2016, primeiro dia do Mundial de Veteranos Fort Lauderdale 2016 que vai até segunda-feira, já rendeu oito medalhas para o Brasil. O ponto alto da campanha foi, sem dúvida, o ouro de Chiaki Ishii. Ícone do judô brasileiro, o primeiro judoca do país a conquistar medalhas em Mundiais Sênior e em Jogos Olímpicos voltou a ter o prazer dos pódios internacionais nesta sexta-feira, ao ser campeão da categoria meio-pesado, a mesma do Mundial de Ludwigschafen em 1971 e dos Jogos Olímpicos de Munique em 1972, na classe M10, para judocas com idades entre 75 e 79 anos. Para chegar ao título, Ishii fez duas lutas: venceu o americano Robert Byrd por ippon na estreia e depois dominou o combate contra o sérvio Vuk Rasovic, forçando duas punições para o adversário.

“Hoje ao lado de minha amada família, meus alunos e da delegação brasileira, realizei um sonho. Desde a medalha de bronze obtida no Mundial de 1971, eu sonhava conquistar a medalha de ouro. Consegui. Espero que essa medalha, além disso, sirva para inspirar os judocas a não parar nunca. A buscar sempre estudar, treinar e competir Judô. Esse ano treinei arduamente com o apoio de meus alunos para esta competição. Se não tivesse me dedicado tanto, dado tudo de mim em todos os treinos, não teria realizado esse sonho. Pretendo participar do calendário de competições de veteranos todos os anos a partir de agora. E assim ajudar o Brasil a ter o maior Judô de veteranos do mundo. Não descansarei até atingir essa meta. Irei lutar mais uma vez pelo Brasil”, disse Ishii.

Ainda nesta sexta, foram disputadas as classes M6 (55 a 59 anos), M7 (60 a 64 anos), M8 (65 a 69 anos) e M9 (70 a 74 anos). E vieram outras sete medalhas. Pratas para Alberto Carvalho (90kg/M8), Braulio Borges (90kg/M7) e Walter Vieira (100kg/M6); e bronzes com Irahy Tedesco (90kg/M9), Sérgio Honda (60kg/M7), Oswaldo Simões Filho (+100kg/M7) e João Velloza (73kg/M6). José Souza (73kg/M8), Giorgio Buoro (90kg/M8), Benedito de Oliveira (100kg/M6) e Paulo Bartz (+100kg/M6) chegaram às disputas pelo terceiro lugar mas acabaram na quinta colocação.

Neste sábado, serão realizadas as disputas das categorias M1 (atletas de 30 a 34 anos) e M3 (de 40 a 44 anos). No domingo, 20, é a vez das classes M4 (45 a 49 anos) e M5 (50 a 54 anos). Por fim, na segunda, 21, serão definidas as categorias M2 (35 a 39 anos) e todas as divisões do feminino.

domingo, 30 de outubro de 2016

Dia Mundial do Judô



O Judô é uma arte marcial que não foi criada para ser simplesmente uma arte de guerra ou um esporte competitivo. O Judô é baseado também em conceitos e valores morais que não se encontram apenas na teoria, mas que é colocado em prática em cada instante do treino de um judoca dentro do Dojo e também em cada instante da vida do judoca quando fora do Dojo. O judô é mais do que um esporte, é uma ferramenta educacional que pode ajudar as pessoas a viver juntos e respeitar um ao outro.

Hoje, mais de 20 milhões de pessoas praticam judô em todo o mundo. A Federação Internacional de Judô conta com mais de 200 federações nacionais e cinco uniões continentais. Não há um único ponto na terra onde o judô não é praticado.

Desde 2011, a Federação Internacional de Judô dedicou um dia para promover os nossos valores e nosso espírito nesse esporte, escolheu o dia 28 de outubro para ser uma data especial para todas as pessoas que tem alguma relação com as artes marciais. Ela marca as celebrações anuais do Dia Mundial do Judô.

O dia 28 de outubro, foi escolhido por muitas razões e a principal delas é que ele é o aniversário do fundador do Judô: Jigoro Kano.

O Dia Mundial de Judô é a vitrine do esporte, visando promover os valores como foram projetados desde seu início. Os objetivos da Federação são: Promover uma consciência global sobre todos os principais valores da modalidade entre os judocas e seu sistema de ensino a todas as agremiações de judô e judocas, através das Federações membros com a ajuda de modernas ferramentas de comunicação (site da IFJ, redes sociais, etc.); aumentar o número de praticantes em todo o mundo e ajudar a mudar a vida das pessoas com o poder do judô. Com o lançamento deste evento a Federação também quer, eventualmente, chegar mais perto das pessoas que fazem o judô vivo em todo dojo no mundo

Assim, se você representa uma união continental, uma federação, um clube ou se você é um treinador, um educador, um judoca ou um amante do judô. Enfim, se você ou se algum de seus parentes é um fã do judô ou pratica, você pode participar no Dia Mundial do Judô e enfatizar o tema desta sexta edição: "JUDÔ PARA O MUNDO”. Nos anos anteriores, os temas foram União (2015), honra (2014), Perseverança (2013), judô para todos (2012) e respeito (2011).

O Sr. Marius Vizer, presidente da FIJ, disse em 2011 no lançamento do primeiro dia mundial do judô: A Federação Internacional de Judô em suas missões tem o dever de desenvolver o judô em todos os setores, quando o mestre Jigoro Kano criou o judô em 1882 ele queria criar um meio de educação e ele fez isso. Este é o fundamento da nossa disciplina. Hoje em dia, eu quero que nesta dimensão seja mais conhecido por todos os judocas e em geral por todos. A nossa disciplina tem valores que crescem naturalmente no Dojo, particularmente através dos vários exercícios que todos nós aprendemos em nossa agremiação. Estes valores devem, naturalmente, encontrar um eco favorável na vida cotidiana e além disso na sociedade.

O Dia 28 de outubro, dia do aniversário de Jigoro Kano, deve ser um dia anual de consciência sobre o judô e seus valores. Este dia vai ser o único de todos os judocas. Desejo que todos os praticantes, clubes, federações nacionais e uniões continentais se reúnam para destacar a grandeza do judô. Mas esta ação em todo o mundo não se limita apenas a um único dia, agora temos de trabalhar para garantir seu sucesso e conto com todos para serem retransmissores eficazes.

Um site específico, www.worldjudoday.com, foi criado pela Federação Internacional para você ter a oportunidade de interagir com os judocas de todo o mundo, este site é a principal ferramenta de comunicação que se pode usar para promover todas as atividades em todo o mundo. Por favor, envie fotos e comentários sobre o seu próprio evento para compartilhá-lo com toda a comunidade de judô, também é colocado à sua disposição, através da página www.worldjudoday.com/en/WJD-Graphics-61.html, um kit de comunicação (comunicados de imprensa, cartazes, banners, folhetos) para que você possa usar livremente para promover seu próprio evento.

O Dia Mundial do judô, será uma grande oportunidade para desenvolver atividades em cada agremiação de judo, sem qualquer tipo de discriminação. Será também uma oportunidade fantástica para mostrar ao mundo que o judo não é simplesmente um esporte, mas uma atividade educativa excepcional

quarta-feira, 1 de junho de 2016

O Judô Brasileiro na Olimpíada



O Judô é um esporte de combate individual que no Brasil tem bom prestígio e popularidade, produzindo bons resultados em nível internacional, é disputado por categorias de acordo com o peso. Os ganhadores das medalhas de ouro e prata são conhecidos após os combates em eliminação simples, seguindo o cruzamento. Duas medalhas de bronze são distribuídas no sistema de repescagem.

O judô foi incluído pela primeira vez, apenas como demonstração, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964. Nos jogos Olimpicos da Cidade do México em 1968 a modalidade não foi incluida, mas retornou quatro anos depois, em 1972, valendo medalhas e sendo disputada até os dias atuais.

O judô é o esporte individual que mais deu medalhas olímpicas para o Brasil. Foram três ouros, três pratas e treze bronzes. Essa vitoriosa história começou nas Olimpíadas de Munique, em 1972, quando o japonês naturalizado brasileiro Chiaki Ishii subiu ao pódio para receber a medalha de bronze na categoria meio-pesado, categoria até 93 kg, escrevendo seu nome na história como o primeiro judoca do país a conquistar uma medalha olímpica. Ele inaugurou a série de 19 medalhas olímpicas que o judô brasileiro faturou até hoje.


Nos Jogos de Los Angeles em 1984, depois de 12 anos, o Brasil voltou a figurar no pódio. E vieram logo três medalhas. A primeira foi a de prata de Douglas Vieira, também no meio pesado, tendo sido a primeira vez em que um brasileiro chegou a uma final olímpica. Walter Carmona, na categoria médio (até 86 kg) e Luíz Onmura, na categoria leve (até 71 kg) faturaram o bronze na mesma edição.

     

As Olimpíadas de Seul em 1988 foram históricas para o judô brasileiro, o paulista Aurélio Miguel conquistou a primeira medalha de ouro do país na modalidade, na categoria meio-pesado. O incrível foi que o brasileiro se tornou campeão olímpico sem ter marcado sequer um ponto durante os Jogos de Seul, em todas as cinco lutas que disputou. Foram duas vitórias por decisão dos juízes e três, incluindo a final, em que os rivais foram penalizados por excessiva passividade.


A edição seguinte das Olimpíadas, em 1992, em Barcelona, as mulheres foram aceitas e começaram a competir. Nessa edição veio a segunda medalha de ouro com Rogério Sampaio no meio leve.


Em Atlanta 1996, Aurélio Miguel faturou sua segunda medalha olímpica, o bronze no meio pesado, enquanto Henrique Guimarães ficou com o bronze no meio leve.


Em Sidney 2000, o Brasil faria duas finais olímpicas e apresentaria um fenômeno ao mundo do judô. Com apenas 18 anos, Tiago Camilo conquistaria a prata entre os leves. Mesma conquista de Carlos Honorato no peso médio.

  

Em Atenas 2004, a categoria leve voltaria a mostrar sua força dentro do Brasil com o bronze de Leandro Guilheiro. Considerado um dos melhores judocas do mundo no ne-waza (luta no chão), Flávio Canto coroaria sua carreira com o bronze do meio médio na Grécia.

  

O judô brasileiro voltaria a fazer história entre as modalidades olímpicas nos Jogos de Pequim em 2008. Com a medalha de bronze na categoria leve, Ketleyn Quadros se tornou a primeira mulher brasileira a chegar ao pódio olímpico em um esporte individual. Além dela, Tiago Camilo e Leandro Guilheiro colocaram seus nomes na história ao se juntarem a Aurélio Miguel como os únicos judocas brasileiros a faturarem duas medalhas olímpicas. Ambos conquistaram a medalha de bronze.


Na edição dos Jogos Olímpicos, em Londres 2012, os judocas brasileiros quebraram mais um recorde. Pela primeira vez, o judô conquistou quatro medalhas numa mesma edição. Mais do que isso, conseguiu o inédito ouro entre as mulheres, com a conquista da piauiense Sarah Menezes no superligeiro. As outras três medalhas foram os bronzes de Mayra Aguiar no meio pesado, Felipe Kitadai no superligeiro e Rafael Silva, o Baby, no pesado.

        

Até 2016, além das 19 medalhas olímpicas, o Brasil possui 38 medalhas em Mundiais Sênior, oito medalhas em Mundiais Sênior Por Equipes, 54 medalhas em Mundiais Júnior e 10 em Mundiais Juvenis. Nos Jogos Pan-americanos, são 97 láureas. E o número segue crescendo nos últimos anos. De acordo com informações da Federação Internacional de Judô, o Brasil é o segundo país que mais ganhou medalhas em eventos do Circuito Mundial desde 2009, atrás apenas dos japoneses.

Por tudo isso, a seleção brasileira de judô conquistou respeito a nível nacional e internacional. O talento natural dos atletas, a estrutura montada pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) nos últimos anos e os resultados consistentes desde as categorias de base até a equipe olímpica são o cartão de visita da modalidade para adversários, torcedores, imprensa e patrocinadores.

Além dos investimentos em treinamentos e participação em torneios, a CBJ investe numa comissão técnica multidisciplinar para as seleções principais e de base que contam com técnicos para cada um dos naipes, preparadores físicos, fisioterapeutas, psicólogas, nutricionistas, estrategistas, massoterapeutas, dentre outros, pronta para atender a qualquer demanda e garantir a melhor performance.

Outro passo importante para o judô brasileiro foi a abertura do Centro Pan-americano de Judô (CPJ), no município de Lauro de Freitas, na Bahia. Parte da Rede Nacional de Treinamento, é a maior estrutura do tipo voltada totalmente para o judô na América Latina e conta com um ginásio climatizado para 1900 pessoas, alojamento para 72 atletas, um prédio administrativo, quadra poliesportiva, piscina e área de lazer. Todas as seleções passarão pelo local para treinamentos. Também serão realizadas competições nacionais no local.

Para fazer parte da seleção e representar o país nos Jogos Olímpicos, Mundiais, Pan-americanos, Sul-americanos e demais eventos do calendário, há um sistema muito claro, baseado no desempenho individual. O atleta precisa começar disputando o Campeonato Brasileiro de sua região. Se for bem, irá disputar o Campeonato Brasileiro de sua classe de idade. Os campeões das categorias de peso olímpicas dos Brasileiros Sub 21, Sub 23, Sênior e do Troféu Brasil (Aberto) garantem vagas para a Seletiva da seleção principal.


Na Olimpíada Rio 2016, o Brasil contou com grandes nomes no esporte, que deram muito trabalho aos competidores dos outros países, tanto no feminino quanto no masculino. A judoca brasileira Rafaela Silva conquistou, no dia 08/08/2016, medalha de ouro na categoria peso leve (até 57 kg). Foi a primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Além desta, o judô brasileiro ganhou mais duas medalhas olímpicas neste evento: Mayra Aguiar (peso meio-pesado) ficou com o bronze e Rafael Silva, o Baby, também conquistou bronze (na categoria acima de 100 quilos). O Brasil teve um grande desafio à frente, uma vez que estamos falando de um esporte que conta com grandes nomes por todo o mundo.
Em uma relação geral, o judô feminino está mais bem posicionado que o masculino, o que é algo inédito e nos enche de orgulho, uma vez que essa é a prova que os investimentos da Confederação Brasileira de Judô estão surtindo efeito e elevando o nível de competitividade de todos os atletas de ambos os sexos.